sexta-feira, 28 de julho de 2017

Memórias em vinil (CXCVII)


Não será uma memória muito dançante a que vos recordo no final desta semana, mas é uma belíssima melodia dos "Agua Viva"
Boa noite e excelente fim de semana.

Agora, o lado bom

Ontem, confessei as saudades que tenho do Outono. 
Hoje é dia de fazer outra confissão: viver à beira mar é um privilégio para quem está reformado. Aqui apercebo-me da sucessão das  estações do ano, porque cada uma delas tem efectivamente características  bem marcantes de que nos vamos apercebendo dia após dia. Na cidade essa percepção é diferente e mais abrupta. Quando damos por nós dizemos "já estamos outra vez no Inverno!"
À beira mar, a debandada das pessoas,  o encerramento de estabelecimentos e o desaparecimento de toldos e guarda sóis,  deixando ver  novamente o areal,anuncia a chegada do Outono. 
Quando a  força do mar obriga a criar dunas artificiais para evitar a invasão das águas, sabemos que estamos no Inverno. A felicidade de poder ver o mar  alterar-se diariamente entre a fúria e a calmaria, atenua substancialmente as depressões invernosas.
Quando o paredão começa a ganhar outra vez vida, reabrem estabelecimentos e se pressente a azáfama das limpezas, é porque chegou a Primavera  e se anuncia um novo ciclo. Que culminará com nova enchente nas praias, o reaparecimento de nadadores salvadores, dos toldos e das cores garridas  ponteando o areal.
No campo, ainda que de forma diferente, a sucessão de estações também é sentida por quem lá vive mas na cidade as alterações climáticas e a forma de vestir são as duas sinaléticas que distinguem as estações. Pelo menos é assim que sinto o pulsar da vida nas cidades. E os meus caros leitores? Pensarão o mesmo, ou nem por isso? 

Esclarecimento aos leitores

Alguns leitores que me acompanham há vários anos perguntaram-me se não exagero na defesa do governo e  deixei de conseguir ver as coisas com a mesma equidistância do tempo de Sócrates.
Sei muito bem que este governo não faz apenas coisas boas e vários erros haveria a apontar-lhe.
Acontece, porém, que não sou ingénuo. Percebo muito bem que a direita quer a todo o custo descredibilizar este governo e conta com a cumplicidade de uma série de jornalistas pouco escrupulosos, enfeudados a partidos, que denigrem a profissão.
Como alguns saberão, nunca me  deixei obnubilar pela política de um governo, mas sempre fui de esquerda e sei muito bem que a única coisa que a direita pretende é regressar ao poder para voltar a impor a austeridade, vender o que resta do nosso património e entregar o capital humano do país aos poderosos, rasgando legislação laboral, liberalizando os despedimentos sem indemnizações e tornando o trabalho temporário uma regra nas contratações.
A escolha de um candidato à CM Loures racista e xenófobo feita por PSD comprovam que à sombra da democracia, Pedro Passos Coelho vai impondo o seu verdadeiro programa: neo liberal fascista 
Se PPC já perdeu o medo e a vergonha de mostrar a verdadeira face de colonialista ressabiado, então temos razões para recear o futuro da nossa ainda jovem democracia. 
É por isso que neste  momento me parece muito importante cerrar fileiras contra os  vampiros da direita e dizer: " A escumalha não passará".
Muito mais importante, do que estar a tecer críticas a este governo. Para isso chegam os partidos da oposição e um grupo de ultra conservadores,  que se fazem passar por jornalistas e plantam na comunicação social notícias falsas, com o único intuito de derrubar este governo e depois ir ocupar lugares na administração pública, para os quais não têm competência. Esse filme já o vi entre 2011 e 2015  e se não continua é porque, uma vez na vida, os partidos de esquerda souberam colocar os interesses do país acima dos interesses particulares de cada um.
Como cidadão, sinto o dever de lhes expressar a minha gratidão,preservando este governo enquanto continuar a mostrar que não cedeu a inaceitáveis pressões da direita e do capital que lhe está associado.