quinta-feira, 27 de julho de 2017

Memórias em vinil (CXCVI)

 Nesta matéria que comece quem quiser. Desde que seja com o/a parceiro/a certo/a...
Boa noite

Saudades do Outono




Adoro o Verão mas devo confessar que, pela primeira vez na vida, estou ansioso que acabe.  Passo a explicar a contradição.
Quando trabalhava, raras vezes tirei férias no Verão.  Principalmente nos anos em que vivia em Portugal e morava na Linha, o meu maior prazer no Verão era chegar a Lisboa sem ter de enfrentar os transportes a abarrotar.
Quando regressava a casa,  se ainda tivesse tempo, dava um mergulho na piscina e à noite adorava passear à beira mar e beber um copo com amigos, antes de regressar a casa.
Agora que estou reformado e vivo quase permanentemente aqui no Estoril, confirmo aquilo que desconfiava, mas  não me apercebia quando trabalhava: no Verão a vida por aqui é um inferno, com as praias atulhadas de gente, o paredão a abarrotar de ciclistas de ocasião, cães sem trela, camionetas a fazer cargas e descargas  e  toda uma parafernália de incómodos.
Em plena época balnear levanto-me por volta das sete para  poder  fazer a minha caminhada diária de 8 a 10 kms sem sobressaltos, porque a partir das 10/11 da manhã, deixa de ser possível.
Tenho saudades dos dias de Outono e Primavera, em que posso passear à vontade, porque há pouca gente na praia, o paredão está livre de cargas e descargas, os cães não se atropelam uns aos outros e os seus donos são suficientemente civilizados para limparem os cocós que eles fazem.
Não fosse o privilégio de ter um mar imenso à minha porta e o prazer que ainda me dá passear à noite à beira mar, ficar sentado a olhar as estrelas e os “bis” que cruzam constantemente o céu e me levam nas suas asas até Península Valdez, já me teria mudado para Lisboa e só voltaria em Setembro.  


Da falta de coragem de Cristas à falta de rigor do jornalismo




Ninguém negará que a dimensão dos incêndios que têm lavrado em Portugal é deveras preocupante e que urge tomar medidas drásticas para, no mínimo, atenuar os seus efeitos.
Para o conseguir, não basta fazer uma reforma florestal. Será necessário lançar uma campanha de educação cívica que altere os comportamentos quotidianos dos cidadãos, tornando-os mais conscientes e responsáveis. Esse é o papel que cabe ao(s) governo(s) ,aos partidos e a cada um de nós..
Não é possível, no entanto, escamotear a importância que a comunicação social tem nesta matéria. 
Lembro-me bem de há uns anos, as televisões terem acordado não dar grandes notícias sobre incêndios, porque a exibição de imagens de incêndios estimulariam os incendiários.Na altura critiquei essa decisão e mantenho-a.Seria escandaloso ignorar, ou mesmo desvalorizar, a alarmante vaga de incêndios que está a devastar o país. 
No entanto, noticiar os incêndios, não significa que um jornalista se comporte como um incendiário. Ora, infelizmente, é isso que se está a acontecer.
Os jornalistas têm o dever de noticiar. Aumentar o alarme público e criar instabilidade social, não é jornalismo. Divulgar notícias falsas ( como a queda de um Canadair) ou que carecem de confirmação ( como aconteceu com a lista da empresária que trabalha(va?) para a SIC) não é jornalismo: é jogo sujo. Lamentavelmente, não raras vezes, as notícias falsas servem o interesse dos partidos políticos a que alguns jornalistas estão ligados. E os partidos aproveitam a onda para tentar ganhar votos em vez de defender os interesses do país.
É natural que um náufrago, como PPC, se agarre a tudo o que possa para se salvar e, beneficiando da simpatia do militante nº1, proprietário do Expresso, invente suicídios, aumente o número de vítimas mortais e aponte culpas exclusivamente ao governo, para que o semanário de Balsemão noticie as suas fantasias como verdades irrefutáveis .Infelizmente, mesmo no (outrora confiável) Expresso, há jornalistas dispostos a tudo.
Já quanto a Assunção Cristas, ainda à procura de afirmação no CDS, a estratégia de acusar o governo e pedir a demissão da ministra parece-me suicidária. 
Cristas foi ministra do Ambiente e sabe muito bem que esta vaga de incêndios era expectável e, pior ainda, tenderá a agravar-se nos próximos anos. Estudos com 30 anos apontam a Península Ibérica, o Chile, a Califórnia e a Austrália como algumas das regiões mais sujeitas a ser devastadas por incêndios. Cristas não ignora o que se está a passar no Chile:

E como não ignora, em vez de abrir a boca e debitar frases incendiárias quando um jornalista lhe põe um microfone à frente, deveria dar o seu contributo para minorar o sofrimento das vítimas dos incêndios, em vez de procura r dividendos políticos com a desgraça alheia. Ela até sabe o que deve fazer, o problema é não ter coragem.

E ainda há quem se irrite...