terça-feira, 25 de julho de 2017

Memórias em vinil (CXCIV)

Lembrei-me desta por causa de "Despacito"

13 perguntas aos jornalistas sobre a morte

Nota prévia: escrevi este post no FB e não tencionava reproduzi-lo aqui. 
Quando há pouco fui ao FB, constatei que nunca um post meu tinha sido tão partilhado, pelo que deduzi ter sido relevante para as muitas  dezenas de leitores que o partilharam. Pensei, então, que talvez os leitores do CR o considerem igualmente importante para esclarecer algumas questões e decidi publicá-lo também aqui.

1- O que leva uma empresária a divulgar uma lista de mortos, vitimas do incêndio de Pedrógão, utilizando nomes  de algumas vítimas , combinados de diversas formas, para que pareçam diferentes?
 Exemplo: António Maria Pinheiro Sachola  ( escolhi um nome fictício para exemplificar)  aparece como António Sachola, mas também como António Maria Pinheiro, contabilizando assim dois mortos quando, na realidade, se trata apenas de um.

2- O que leva um jornal (o Expresso) aparentemente baseado nesta lista, a dar a  notícia de que o governo está a manipular o número de mortos?

3- Os jornalistas do "Expresso" não sabem que não é o governo que contabiliza o número de mortos?

4- Os jornalistas  desconhecem  o significado  de "vítimas de efeitos colaterais" e os critérios da contabilização de mortos?

5- As seguradoras justificam o não pagamento de indemnizações, com o facto de as listas das vítimas não serem tornadas públicas. Independentemente da credibilidade deste argumento, o que justifica que a comunicação social difunda a notícia, atribuindo a ocultação dos nomes ao governo? 

6-Não sabem os jornalistas que foi o MP que decidiu colocar a lista sobre segredo de justiça? 

7- Os jornalistas não sabem que as seguradoras podem pedir ao MP a lista de nomes, invocando a necessidade de pagar indemnizações? 

8- A que propósito é que o MP  incluiu a lista dos mortos sob segredo de justiça? 

9- A empresária que divulgou a lista não devia ser responsabilizada e investigada pelo MP, para que se conheçam  as suas intenções?

10- Apesar de os presidentes das câmaras de Pedrógão Grande, Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos terem manifestado a sua perplexidade e desconfiança quanto à(s) lista(s) divulgada(s) a comunicação social continuou a insistir que o governo estava a ocultar o número de mortos tendo chegado a "informar" que poderiam atingir os 3 dígitos.O jornalistas devem dar informação fidedigna aos leitores. Então por que raio estão a fazer política?

11- Desmontada a "cabala", por que razão Judite de Sousa entrevistou a empresária como  se a sua credibilidade se mantivesse intocável?

12- Sendo "o Expresso" propriedade do militante nº1 do PSD, pode deduzir-se que a notícia que deu origem a todo este imbróglio foi lançada com má fé e o intuito de  conseguir proveitos políticos para o PSD?

13- Ninguém, na plena posse das suas faculdades mentais, acredita que o governo esteja a esconder um ,repito UM, morto. Alguns jornalistas, porém, insistem nas responsabilidades do governo. Algum jornalista digno desse nome é capaz de me explicar qual é o interesse do governo em ocultar UMA vítima mortal? 

Má fé, manipulação, incompetência jornalística, ou seja o que for, a  verdade é que são casos como este que descredibilizam a comunicação social. 
A promiscuidade entre jornalistas e jagunços com carteira de jornalista ao serviço de interesses partidários, torna cada vez mais difícil separar o trigo do joio.
Para que não sejam confundidos com a escumalha, os bons jornalistas ( ainda os há em elevado número) deveriam denunciar estas situações. A bem do jornalismo.   

Mensagem para os ambientalistas cépticos

Em Janeiro, pleno Verão no hemisfério sul, um inusitado número de incêndios devastadores avassalou o Chile, devido a uma onda de calor sem precedentes
Seis meses depois, em pleno Inverno, o Chile está a sofrer os maiores nevões da História ( ainda há dias as televisões mostravam imagens de Santiago coberta de neve) e as temperaturas a descerem a valores nunca antes registados..
Eu sei  que, apesar de estes fenómenos estarem previstos por cientistas há 30 anos, terem sido amplamente divulgados durante  e após a cimeira do Rio em 1992 ( eu próprio escrevi dezenas de artigos sobre o assunto, alertando para o facto de Portugal estar incluído nas zonas de maior risco)  os ambientalistas cépticos continuarão a negar qualquer relação entre os fenómenos atmosféricos e as alterações climáticas. 
Já quanto a Assunção Cristas, ex-ministra do Ambiente, é lamentável que continue a ignorar o óbvio e a fazer aproveitamento político de um incêndio (aparentemente) provocado por uma situação atmosférica nunca antes vista e usando as mortes registadas em Pedrógão  como arma de arremesso contra o governo.
Mesmo  que a senhora ao domingo vá à Missa e durante a semana cumpra as penitências do confessor pela sua falta de pudor e de vergonha, travestidos de compaixão, isso não lhe dá o direito de utilizar mortos como arma de arremesso político.