quarta-feira, 19 de julho de 2017

Memórias em vinil (CLXXXIX)

Vá lá, dêem uma oportunidade ao rapaz e ofereçam a vós próprios a oportunidade de serem felizes. Boa noite!

CDS em maus lençóis

Depois de retirar o apoio à candidatura de André Ventura, o CDS está em maus lençóis para encontrar um candidato que rivalize com o do PSD. 
Atrevo-me a sugerir a Assunção Cristas que convide  Pedro Guerra.  Face às semelhanças histriónicas e história de vida, com o senhor Ventura, seria um excelente trunfo : 
Tal como o candidato do PSD, Pedro Guerrra é comentador desportivo, veste a camisola do SLB, diz alarvidades sem fim, tem ar de pegador de touros e só perde no confronto com o sr Ventura, porque ainda não escreveu um livro em co-autoria com a Maya.Mas ainda vai a tempo...

Aristides de Sousa Mendes




Faz hoje 132 anos nascia em Cabanas do Viriato,  distrito de Viseu, Aristides de Sousa Mendes.
Todos conhecem a sua história de vida, o seu exemplo de humanismo e o importante papel que desempenhou  durante a II Guerra Mundial, pelo que me abstenho de aqui recordar o seu exemplo ímpar no auxílio a milhares de refugiados.  Desobedeceu ao Estado, foi proscrito, mas salvou da morte muitos milhares de refugiados.
A razão que me leva a evocar hoje Aristides de Sousa Mendes, um exemplo raro de  defesa dos direitos humanos, é uma triste coincidência  Neste mesmo dia, um tal senhor Ventura, candidato do PSD a Loures, rejubila com o facto de o país inteiro apoiar o seu discurso xenófobo e racista contra a comunidade cigana. E Pedro Passos Coelho, líder do PSD, não só mantém o seu apoio ao sr Ventura, como apoia as suas palavras. Sintomático.
Não aprendemos nada com portugueses  dignos, como Aristides de Sousa Mendes, que nos deviam servir de guia e exemplo.Pelo contrário. A realidade mostra que a alma tuga  mais facilmente se deixa inebriar pelo discurso xenófobo, populista e racista, do que pelo discurso tolerante da democracia.
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Corbyn, Melenchon e os jovens

"Os velhos são uns egoístas". "Os jovens votam bem". Os velhos, além de serem "uma despesa e um estorvo" ( Hugo Soares)  "votam mal"  ( Rui Tavares Guedes). Pensei que esta discussão geracional lançada pela JSD, sufragada por Passos e aplaudida por Marilú e mais uns quantos indigentes do PSD tivesse acabado. Enganei-me.
Acontecimentos recentes  demonstram, porém,  que a direita está mais uma vez enganada.
As candidaturas de Melenchon em França e de Jeremy Corbyn no Reino Unido, demonstram à saciedade  que a direita está  enganada. Mais uma vez.
Apesar de terem 66 e 68 anos, respectivamente, ambos tiveram resultados surpreendentes, tendo sido os jovens a sua base de apoio.
Outro mito que as eleições francesas e britânicas destruíram, foi o de a esquerda ter deixado de seduzir os jovens. Ambos os candidatos são de esquerda e conseguiram congregar em torno das suas propostas uma juventude sistematicamente acusada de se marimbar para a política, que se envolveu nas suas campanhas como há muitos anos não se via.
É óbvio que em Portugal ( e na generalidade dos países do sul)  o envelhecimento das populações e a emigração dos jovens, provocada pela crise económica que abalou estes países, é um abono de família para a direita.
Tenho, porém, esperança em que as coisas mudem. Enquanto nos partidos tradicionais portugueses se acentua o envelhecimento dos seus militantes, à esquerda( PCP e BE) há cada vez mais jovens envolvidos na miltância política. São jovens que nada esperam dos partidos do sistema e acreditam que está nas suas mãos construir o futuro. 
Só lhes falta um Melenchon, ou um Corbyn, que garanta consistência aos seus anseios.