terça-feira, 27 de junho de 2017

Memórias em vinil (CLXX)


Hoje fico-me mesmo pelas palavras.
Boa noite!

De Macron a António Costa:


O mais jovem presidente de sempre da  República francesa terá os seus méritos. 
A sua vitória acabou com a alternância entre republicanos e socialistas;
Aniquilou um PS sem ideologia, acomodado ao poder, submisso ao capital e aos mercados;
Travou a ascensão da extrema direita, remetendo-a   a um plano secundário.
Devo dizer, porém, que desconfio bastante de Macron e da sua vertiginosa ascensão.
Por um lado, porque escolheu para primeiro ministro uma personagem ( Edouard Philippe) cuja biografia  não é nada recomendável. Por outro, como a primeira volta das legislativas demonstrou, nunca houve tanto desinteresse pela política em França como depois da eleição de Macron.
Finalmente as quatro demissões de ministros num período de apenas 24 horas, acaba com o mito de que  a falta de ética ( estou a ser simpático, eu sei...) não se esgota nos partidos tradicionais
Dir-se-á que Macron conseguiu afastar os receios que tínhamos da FN, reduzindo Le Pen a uma dimensão parlamentar praticamente residual. Totalmente de acordo. Devemos estar-lhe gratos por isso. Mas uma abstenção de quase 52% significa uma democracia gravemente doente, vulnerável a populismos oportunistas, porventura totalitários.
Também não pertenço ao grupo dos que defendem que a ideologia é que dá cabo da política e da democracia. Pelo contrário, acredito que só a ideologia a pode preservar. 
Estou, por isso, muito reconhecido e grato a António Costa. Se não tivesse avançado contra Seguro e  conseguido fazer a geringonça,em breve teríamos um  Macron em Portugal, para gáudio de todos aqueles que consideram a ideologia uma excrescência absolutamente desnecessária.
Ter afastado da liderança do PS o sonso Seguro e ter conseguido construir a geringonça que nos tirou do poço sem fundo para onde Passos Coelho e a trupe de pafiosos nos tinham atirado merece a minha gratidão. 
Tenham  BE e PCP  a sageza necessária para impedir que o PS resvale para a direita, sem colocar exigências impossíveis de satisfazer enquanto não estiver consolidada a recuperação económica e não for recuperada a credibilidade externa e, dentro de dois ou três anos, talvez tenhamos razões para sorrir. 
Passos em falso, motivados por razões eleitoralistas poderão dar uma maioria absoluta ao PS e isso não seria uma boa notícia para os portugueses. 

O boateiro

Passos Coelho lançou o boato de que havia pessoas que se tinham suicidado na sequência do incêndio de Pedrogao Grande.
Confrontado com a falsidade da noticia, admitiu ter errado, nao ter confirmado a noticia e ter recebido a informação de um familiar da vitima.
A justificação apresentada por Passos Coelho demonstra que ele sabia estar a mentir, pois falou em pessoas e nao numa pessoa.
Mais tarde ficou a saber-se que a informação falsa fora dada pelo candidato do PSD a câmara de Pedrogao.
O mínimo que se exigiria a Passos Coelho era que retirasse a confiança política ao candidato, mas Passos Coelho nao o fez, porque sabe que a mentira é a forma de estar na política do actual PSD.
Quando  um ex Pm lança um boato desta gravidade, quem pode condenar jornalistas que imaginam aviões a cair?
Em tempo:acabo de saber que Passos Coelho sabia que estava a divulgar uma noticia possivelmente falsa,  porque enquanto falava aos jornalistas alguem atras dele dizia que a noticia nao tinha sido confirmada. Ora isso so demonstra que Passos, além de canalhaé um sacana que pretendia fazer política a custa da desgraça alheia. Um  verdadeiro escroque.