terça-feira, 6 de junho de 2017

Memórias em vinil (CLII)


Dizem que o silêncio é de ouro, mas felizmente há excepções como esta.
Boa noite!

Não, senhor ministro!



Depois do escândalo do Convento de Cristo, soube-se hoje que a directora dos Jerónimos (sim, aquela que há dias proporcionou uma visita guiada a Madonna, após o encerramento do Mosteiro)  é vice presidente de uma associação SEM FINS LUCRATIVOS que recebe pagamentos de empresas autorizadas pela directora  dos Jerónimos a utilizarem espaços do Mosteiro para festas privadas.
Confusos?
Então agora surpreendam-se... 
Apesar de a associação utilizar logística do mosteiro e receber dinheiro pela utilização de um espaço do estado, sem que haja qualquer protocolo entre as duas entidades, a Direcção Geral do Património Cultural (DGPC) não vê um cêntimo destas actividades.
Perante estes factos estranhei as declarações do ministro da cultura na AR. 
Limitar-se a dizer que os problemas da bilhética podem vir a ser investigados pela DGPC, não deixa ninguém tranquilo. 
Das duas uma: ou as instalações do Estado estão a ser utilizadas com o conhecimento e conivência do governo, ou por iniciativa das próprias dirigentes, sem conhecimento da tutela. 
No primeiro caso, o ministro deve retirar as ilações necesárias e demitir-se.
Caso as instalações estejam a ser cedidas à revelia e, pelo menos no caso dos Jerónimos, para benefício de terceiros, então a demissão das directoras do Convento de Cristo, Jerónimos e DGPC devia ter sido imediata. 
A prestação do ministro da cultura foi à moda da Tugalândia: o MP está a investigar o caso. 
Já que o ministro não assume responsabilidades, sacode a água do capote e chuta para o MP, espero que a culpa não morra mais uma vez solteira, ou as investigações se prolonguem por tanto tempo, que a justiça perca qualquer eficácia.
 No caso (improvável) de o processo ser célere  e se encontrarem os culpados que as penas aplicadas não se limitem a exonerações e pedidos de indemnização que nunca serão pagos pelas culpadas. Que sejam sentenças exemplares e dissuasoras.
Já agora, também espero que as responsáveis  não  sigam o exemplo daquela comediante americana (despedida da CNN por fazer uma piada sobre Trump) nem se armem em Kalimeras  e venham dizer que estão a ser perseguidas porque são mulheres. 
É que há gente capaz de tudo, neste país de brandos costume.
 E siga a rusga! O regabofe continua...

Memorial do (outro) Convento ( ACTUALIZADA)



Vários dias depois  de ter sido denunciado o crime ocorrido no Convento de Cristo em Tomar, soube-se que o ministério da cultura decidiu abrir um inquérito.
 É suposto que as responsáveis que autorizaram a destruição dos jardins do claustro e a fogueira que colocou em risco as estruturas do  Convento, ainda se mantenham em funções.
Também não me consta que tenha sido aberto um inquérito ao que se passa com as alegadas trafulhices na bilhética, que poderão estar a lesar o Estado, diariamente, em milhares de euros.

Neste país de Brandos Costumes só depois de os factos serem denunciados na comunicação social se abre um inquérito. Depois espera-se que a indignação com a notícia divulgada pela RTP  passe. 
A geringonça deveria dar mostras de que está empenhada em acabar com a impunidade dos/das dirigentes da administração pública e o forrobodó de  funcionários/as que se locupletam com receitas do Estado.
Para isso tem de ser proactiva, em vez de ficar à espera que a comunicação social divulgue aquilo que já muitos sabiam.
Quem não percebeu nada deste post, porque não tem acompanhado o caso, pode ver o video que aqui linkei no sábado