segunda-feira, 1 de maio de 2017

Memórias em vinil (CXXI)


Neste 1º de Maio, dedico esta "Pedra Filosofal" a todos os trabalhadores e trabalhadoras portuguesas. 

KEEP CALM!

Neste 1º de Maio registo a marcação de greves de médicos e funcionários públicos agendadas para este mês. 
Em relação às reivindicações dos médicos não vou opinar, porque não tenho informação suficiente para o fazer, mas admito que seja justificada. O que não me parece correcto é a data escolhida, mas sobre isso opinarei noutra oportunidade.
No concernente à greve da função pública devo dizer que a razão está do lado dos trabalhadores. É certo que recuperaram num ano, aquilo que o governo PSD/CDS pretendia repor  em quatro, mas os funcionários públicos não são aumentados há uma década e, pior do que isso, a progressão nas carreiras está praticamente congelada há quase 15 anos.  Por outro lado, a falta de transparência nas avaliações, promoções ou nomeações/ concursos  para chefias é de tal modo gritante, que me espanta a fraquíssima adesão às greves. 
A este propósito quero dizer que marcar uma greve para uma sexta feira revela que Ana Avoila y sus muchachos receiam mais um fracasso. As greves da função pública são, aliás, um exemplo paradigmático da dissonância  entre sindicatos e trabalhadores. Já aqui critiquei, inúmeras vezes, a passividade dos funcionários públicos e procurei explicar as suas causas. Não vou voltar ao assunto, até porque este post é dirigido aos sindicatos e não aos trabalhadores.
Será bom que os dirigentes  sindicais não se deixem  ensandecer e desligar da realidade. Sendo importante  reconhecer a justiça das reivindicações, é sempre bom lembrar que o país continua numa situação muito difícil e não tem ainda possibilidade de satisfazer muitas delas. Esticar a corda pode ser perigoso e ter um efeito boomerang.