sexta-feira, 21 de abril de 2017

Memórias em vinil (CXIII)


Termino esta semana de recordações de música latino-americana de intervenção, com um intérprete português poucas vezes recordado: Luís Cília. 
Escolhi dois temas: Má Reputação (acima) e outra do álbum Marginal que faz parte da minha discografia ( Romance de Lulu do Intendente)




Boa noite e bom fim de semana

Et Vive La France


Ontem à tarde, quando este post começou  a germinar na minha cabeça, estava bastante entusiasmado e optimista em relação às eleições francesas do próximo domingo.
Encarava, então, o facto de haver quatro candidatos em condições de passar à segunda volta, muito mobilizador e  emocionante. Há já muito tempo que não se assiste a uma eleição tão cerrada, sem vencedor à partida e, melhor ainda,  a luta não se reduz a dois candidatos nesta primeira volta. Por outro lado, a ascensão de Melenchon na última semana, permitia equacionar um cenário para a segunda  volta em que, pela primeira vez, algumas sondagens retiravam Le Pen da corrida. 
À noite, a notícia do atentado  no coração de Paris alterou o meu estado de espírito e, pior ainda, poderá ter alterado substancialmente as intenções de voto dos franceses. À partida, a grande beneficiada será Marine  Le Pen o que me leva a equacionar a hipótese  de o acto terrorista ter tido uma mãozinha atrás do arbusto. 
Nunca saberemos em que medida o atentado irá alterar as intenções de voto dos franceses, mas sabemos que Hamon, o candidato oficial do PS, não entra nestas contas. Significará isso o início do fim do PS francês?
No último domingo, os turcos foram às urnas para dizer ao mundo que o caminho mais directo e pacífico para a ditadura, é a democracia. O que mais desejo para o próximo domingo, é que os franceses resgatem a democracia.

Há coisas piores do que apanhar uma bebedeira



Foi há mais de década e meia que pela primeira vez me surpreendi ao ver miúdos no recreio de uma escola dos arredores de Lisboa, exibindo armas. 
Na altura questionei a directora da escola que me respondeu saber o que se passava, mas ser impotente para impedir a entrada dessas armas, por falta de meios. Terá chegado a confrontar alguns pais com a situação, os quais reagiram com indiferença. Um deles terá mesmo dito que tinha sido ele a oferecer a arma ao filho, para que se pudesse defender.
Esta escola ficava num meio muito problemático da margem sul, pelo que admiti ser um caso isolado.
Ao longo dos anos pude constatar que estava enganado. Não só presenciei a mesma situação em várias  escolas, como fui confrontado com o facto de não ser exclusiva de bairros problemáticos.
Como não acredito que  as armas em mãos de miúdos com 14 ou 15 anos  tenham sido compradas por eles, esbocei um sorriso ao ler que os pais "EXIGEM" mais psicólogos nas escolas para prevenir estas e outras situações potencialmente geradoras de actos de violência.
Confesso que tive saudades dos meus tempos de juventude, quando havia métodos bem mais eficazes e baratos para combater a violência nas escolas, mas depois pensei melhor e concluí que estava a ser injusto.
No meu tempo  as crianças viam os pais diariamente e eles assumiam a sua função de educar, não a remetiam para a escola. O que era bom, porque havia poucos psicólogos. Hoje há psicólogos à fartazana  e muitos não encontram emprego. 
Já agora, os psicólogos  podiam também  ensinar os meninos que não é muito bom andar uma semana bêbado quando se tem 15, 16, 17 ou 18 anos. E de caminho aproveitavam para dizer aos paizinhos que deixar miúdos de 13, 1 4 e 15 anos dormir duas ou três  noites ao relento, para "guardar lugar" num concerto, também não é muito aconselhável.
Pronto, admito... sou um psicólogo falhado e à moda antiga. Por isso  acabei jornalista e estou aqui a reconhecer  que há coisas bem piores do que  andar bêbado durante uma semana. Quais? Ir para a escola com uma arma de fogo ou uma faca de ponta e mola, por exemplo.