segunda-feira, 17 de abril de 2017

Memórias em vinil (CIX)




Não sei se os leitores ainda se recordam deste evento que está a decorrer em Lisboa
Caso não se recordem, sigam o link e perceberão a razão de as Memórias em vinil, esta semana, serem preenchidas com intérpretes "revolucionários".
E começo com uma senhora. Chama-se Violeta Parra, não precisa de apresentações e este tema também não precisa de ser identificado.
Boa noite e uma boa semana.
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Modas perigosas



Entre os muitos movimentos estúpidos gerados por uma cultura democrática assente no primado do"EU", surgiu uma trupe  antivacinação que reclama a liberdade de não vacinar os filhos.
Essa gente, mentalmente diminuída, entende que não sendo os filhos propriedade do Estado, cabe aos pais decidir se vacinam os filhos.
Alguém devia explicar a esses seres antisociais que a liberdade acaba no momento em que põe em perigo os direitos fundamentais da sociedade. 
A DGS reconhece haver uma epidemia de sarampo em Portugal, provocada por falta de vacinação. Segundo Francisco George não haverá razões para alarme, porque a quase totalidade da população portuguesa ( mais de 98%) foi vacinada, já que nasceu num tempo em que a vacinação era obrigatória e os paizinhos ainda não tinham estupidificado com as modas que lhes chegam da estranja via redes sociais.
Por razões de saúde pública sou favorável à vacinação obrigatória, para evitar novos surtos epidémicos, como acontece nos EUA  desde 2014
Mas vou mais longe: os pais que se recusem a vacinar os filhos devem ser responsabilizados criminalmente, por estarem a pôr em perigo a vida dos filhos, ser privados de benefícios fiscais e impedidos de aceder ao Serviço Nacional de Saúde. 
Chamem-me radical, fascista, ditador, ou mesmo parvo se  quiserem, mas tenho direito a exigir não  pagar a irresponsabilidade de uns quantos que se julgam muito modernaços
E, já agora, as pessoas que vão para a rádio dizer que a  epidemia é culpa dos refugiados deviam ser internados em campos de reeducação, até aprenderem a ser civilizados.

A legítima aspiração encarnada

Compreendo perfeitamente a euforia dos benfiquistas após o empate do FC do Porto em Braga. É a  primeira vez que ganham o tetra no seu historial, feito que adeptos de FC do Porto e Sporting  já celebraram há muito. Quanto aos portistas até já celebraram um penta campeonato, facto inédito em Portugal.
A euforia justifica-se, também, porque há mais de 50 anos que o Benfica não ganha nenhum título além  fronteiras. Foi há tanto tempo que os encarnados venceram a Taça dos Campeões Europeus, que a  maioria dos adeptos benfiquistas nunca celebrou, pelo que não sabem o gosto que isso tem.
 Essas duas míticas Taças Europeias que o Benfica venceu no início dos anos 60 são uma lenda que os  seus adeptos querem  tornar real. É legítimo.
Eu, que já vi o FC do Porto levantar por duas vezes a Taça que premeia o melhor clube europeu ( uma delas neste século), vi o meu clube erguer  uma Taça UEFA, uma Liga Europa e duas Taças Intercontinentais, compreendo bem a ansiedade dos adeptos benfiquistas.
A euforia pela conquista do tetra é, por isso, muito compreensível. Pessoalmente ainda vibro com os inúmeros títulos nacionais e internacionais conquistados nos últimos 20 anos. Fazem parte da minha vivência, não são histórias que ouvi contar a pais e avós.  Por isso, comemorar um tetra não me levaria a sair à rua. E muito menos a apoucar os adversários que os conquistem. 
Compreendo a euforia dos benfiquistas, porque muitos deles sabem que se não fosse este ano, provavelmente nunca mais teriam oportunidade de comemorar a conquista de um tetra durante a sua vida. 
Admito, por isso, que no próximo ano  queiram conquistar o penta. E, num futuro próximo, que aspirem a comemorar, finalmente, a conquista de uma Liga dos Campeões, que nunca conseguiram trazer para a Luz. São aspirações legítimas. Eu também as tive e, felizmente, já pude saborear e celebrar tudo aquilo que os adeptos benfiquistas ainda anseiam conquistar. 
Estou, por isso, de barriguinha cheia.