sexta-feira, 31 de março de 2017

Memórias em vinil (95)

E depois de duas semanas a recordar música anglo-saxónica,  é altura de dedicar o fim de semana a sons mais lights e condizentes com a primavera.
Assim, decidi criar ambiente para um fim de semana romântico e deixar-vos com um " conjunto musical" que fez grande sucesso nos anos 60: Peppino di Capri. 
A canção escolhida também me parece adequada a um fim de semana primaveril, em que os passarinhos vão arrulhar e despertar  a Natureza com seus cânticos. Fiquem pois com " Io, te, un grande amore e niente più" e os meus votos de um fim de semana cheio de romantismo.
Para amanhã reservo-vos uma  surpresa...

O calvinista cobarde



O parvalhão holandês calvinista alegou a frontalidade típica do calvinismo, para justificar a  encomenda do badalhoco alemão para  insultar os países do sul.
Dijsselbloem tem muita fanfarronice, mas não passa de um cobardolas de caca

Caderneta de Cromos (59)



Meu caro Rentes de Carvalho. Você tem a honra de ser o primeiro escritor a entrar para esta caderneta. Aviso-o, no entanto, que a sua admissão não se deve ao facto de você ser um crápula, mas sim por ter despertado uma gigantesca onda de indignação nas redes sociais.
Não sei se era essa a sua intenção quando, numa entrevista, disse que ia votar na extrema direita holandesa, porque eles nunca poderiam formar governo e era preciso agitar as águas para  sair do marasmo em que a Europa está mergulhada.
Eu percebo o seu ponto de vista, mas permita-me dizer-lhe que considerei essa afirmação deplorável e muito naif. 
Não alinho com os que insinuam ser a sua afirmação fruto da senilidade. Pelo contrário, acredito que sabia muito bem a alhada em que se iria meter. Não sei se conseguiu o efeito pretendido mas devo dizer-lhe que não tinha necessidade de ser tão radical. Pôs-se a jeito e a turba não lhe perdoou
Numa coisa, porém, estou consigo. A onda de impropérios que lhe dirigiram nas redes sociais, o rasgar de vestes e a quase unanimidade sobre a falta de qualidade dos seus livros ( aposto que muitos nem sequer sabem o título de um dos seus livros, quanto mais lê-los...) demonstra que a esquerda tuga usa consigo exactamente os mesmos critérios de "saneamento"  com que a direita colocou Saramago no Index.
Quero dizer-lhe que o descobri apenas há meia dúzia de anos e só li quatro dos seus livros. Bastava no entanto ter lido "Ernestina" para  nunca o colocar no Index dos escritores proscritos. Já passei a idade dos radicalismos ideológicos e sinto-me bem assim. Então por que raio o coloco nesta caderneta? perguntarão os leitores.
Porque um escritor consagrado  ( mesmo que seja de direita, mas não extremista) nunca pode proferir publicamente o seu apoio a um grupo fascista, nem esquecer a sua condição de emigrante. Logo, que é um alvo da extrema-direita.
Por outro lado, devia saber que o país onde vive é, juntamente com a Alemanha, um dos que mais detesta Portugal e não admite sequer a ideia de que os portugueses possam ser um povo feliz.
Os seus leitores portugueses mereciam um pouco de solidariedade.