segunda-feira, 27 de março de 2017

Memórias em vinil (91)


É provável que muitos dos leitores do CR não tenham conhecido Jimi Hendrix (1942-1970) em vida, mas é bastante improvável que não o tenham ouvido e ficado extasiados com os seus solos de guitarra.
Foi muito curta a vida de Hendrix, mas foi enorme o seu legado. Quem não se lembra de  "Hey Joe", "Voodoo Child", ou  "American Woman", apenas três dos muitos temas com que Jimi Hendrix continua a deixar muitos jovens em transe.
Entre os três, optei pelo primeiro, mas foi uma escolha aleatória, porque no imenso reportório daquele que foi, provavelmente, o melhor guitarrista de sempre, não é possível escolher o tema ideal.

 Tenham uma boa noite e BOA SEMANA!

Uma semana nas quintas



A minha madrinha vivia na Avenida 5 de Outubro em Lisboa, mas tinha uma casa no Lumiar para onde ia nas férias. Fui lá apenas umas duas ou três vezes, porque no Verão as minhas paragens eram outras, mas recordo-me da imensidão de verde  que a rodeava.
Quando vim viver para Lisboa, o Campo Grande ainda era uma fronteira de Lisboa e o  Lumiar era uma zona limítrofe onde apenas ia para passar uma noite no Caruncho ( quantas noites percorremos a pé a Alameda das Linhas de Torres depois de o Caruncho encerrar, por volta das 2 da manhã), para estudar com uma colega de Direito que vivia num lar ali para as bandas da Rainha D. Amélia ou para ir a umas festas a casa de uma prima do meu melhor amigo de infância.
Tal como a minha madrinha, ela vivia num casarão enorme e as festas eram muitas vezes animadas com sessões fadistas, pois a Teresa Tarouca era da família e levava muitas vezes amigos que, com ela, cantavam o fado. Era uma maneira de entreter os adultos e permitir que a malta nova se divertisse em paz, mas eu e mais alguns amigos com frequência abandonávamos a "malta" e íamos para junto dos "velhotes" ouvir cantar o fado.
Em 1974, o Lumiar seria a minha residência durante os três meses em que estive a cumprir serviço militar na EPAM,  mas foi por mero acaso que um dia comprei aí casa. 
Nada tinha que lá me ligasse nos anos 80, mas razões profissionais obrigaram-me a arrendar uma casa em Lisboa ( quem se lembra das greves de comboios nos idos de 70 e 80 perceberá porquê) e a oportunidade  mais célere e económica foi na Quinta de Santa Clara, perto do Caruncho, já então em declínio. Mais tarde viria a comprar a casa num "negócio de ocasião" a que se sucedeu um outro anos mais tarde. E embora a viver  fora do país a maior parte do tempo, por lá fui ficando. De quando em vez lembro-me da quinta da minha madrinha ( hoje transformada em condomínio privado) e das famosas festas em casa da Amália ( não a fadista, mas sim a prima do meu amigo de infância)

Vem isto a propósito da Lisbon Week que está a decorrer desde sábado e até 2 de Abril na freguesia do Lumiar.
É uma oportunidade excelente para conhecer melhor um bairro que mantém algumas características de urbanização periférica e onde o betão em altura  substituiu muitas  quintas e palacetes da zona. Continua, no entanto, a ser uma zona com história muito rica, que justifica as actividades e visitas culturais organizadas pela Junta de Freguesia em colaboração com a Gray Line.
Ficará certamente a saber muitas curiosidades. Como, por exemplo, que a origem do nome da contígua freguesia da Ameixoeira, nada tem a ver com ameixas, mas sim com amêijoas. É que em tempos o mar chegou ao Lumiar e o lugar onde as amêijoas  eram mais abundantes deu o nome à extinta freguesia da Ameixoeira. 


Visitar o Palácio Angeja (onde se alojam actualmente os museus do Traje e do Teatro), um passeio terapêutico pelos jardins, do Parque do Monteiro Mor, conhecer as obras de  Arte Urbana da autoria de Vhils, Ad Fuel ou  Felipe Pantone, entrar em igrejas e conventos centenários, ou ter a possibilidade de desfrutar de um fim de semana no templo hindu Radha Krishna, com visitas guiadas e actividades, são algumas das propostas desta Lisbon Week.


Para mim o prato forte será, porém, a visita às Quintas do Paço do Lumiar. Muito especialmente à Quinta dos Azulejos ( onde hoje está instalado o colégio Manuel Bernardes) que abrirá excepcionalmente ao público durante os dois fins de semana. Dizem-me que a azulejaria é fantástica mas, as histórias que as quintas encerram, não o são menos.
A Lisbon Week  inclui também uma exposição de fotografia, serões musicais e um ciclo de cinema. Espero ter despertado o vosso interesse, mas o melhor é visitarem o site da Lisbon Week para ficarem melhor informados sobre o que se irá passar no Lumiar durante esta semana e, se for caso disso, fazerem as vossas escolhas.

A alternativa europeia




Na véspera dos 60 anos do Tratado de Roma escrevi este post, cuja leitura sugiroo antes de avançarem mais na leitura  de hoje.
Eu gostaria muito que a UE tivesse salvação mas, sinceramente, receio que  tal seja impossível sem uma purga que extermine a trupe bafienta que governa a Europa a partir do Norte. No fundo são fascistas encapotados que se esforçam por disfarçar a sua ideologia. Mascarados de democratas defendem a integração de refugiados e a Europa multicultural, mas não tardará muito até que comecem a rejeitar os turcos, com a mesma veemência com que o seus súbditos o fazem diariamente.
No final de 2016, muitas vozes se levantaram a defender que a salvação da Europa estava em Merkel, Eu não consigo entender  que haja gente tão  crédula nessa possibilidade e expliquei então porquê.
Hoje, no rescaldo das comemorações do Tratado de Roma, reitero a opinião de que a Europa precisa de ser refundada e isso só é possível com outros protagonistas e outros modelos de governação que extirpem os vírus que o Centrão Europeu espalhou pela Europa.
Não sei se esse modelo será a implosão europeia proposta pela extrema-direita em cujas potencialidades  Rentes de Carvalho acredita e o levaram a explicar as razões de votar na extrema direita nas  vésperas das eleições holandesas.
Não sei se as eleições  deste ano em França, Itália e Alemanha  proporcionarão resultados que façam surgir um outro modelo ainda não ensaiado.
Não sei tampouco se o modelo salvador da Europa será uma espécie de geringonça, mas não deixa de ser esperançoso constatar que  o modelo português irá ser objecto de estudo em Harvard está a merecer grande curiosidade por toda a Europa, trazendo candidatos da esquerda espanhola, francesa e italiana a Portugal para perceberem melhor as razões de comunistas e extrema esquerda apoiarem  um governo de um partido social democrata.
Já ouvi dizer que se os europeus conhecessem o sofrimento  que o anterior governo infligiu aos portugueses, rapidamente perceberiam a razão do entendimento entre os partidos de esquerdas. Há alguma verdade nisso, mas não explica tudo. Se  o povo português estivesse  realmente farto de sofrer, não teria dado a vitória nas eleições ao PSD, confirmando a tendência  de povo resignado, habituado a reagir como um rebanho perante as circunstâncias.
O que realmente uniu os partidos de esquerda foi a consciência nacional. Era preciso salvar o país de um bando de retornados criminosos, sedentos de vingança, que além de vender a interesses estrangeiros a riqueza nacional , estava apostado  em  acabar com a nossa independência e transformar Portugal numa colónia europeia, em troca de alguns cargos de burocratas na Eurolândia.
O modelo português da Geringonça não é repetível noutros países europeus, mas pode ser inspirador para a criação de outros modelos inovadores, adaptados às realidade locais  que provoquem um abanão na Europa e a façam despertar da letargia em que mergulhou, por força da submissão aos interesses do mercado, mas também pelas tendências hegemónicas da Alemanha e de outros países calvinistas do Norte da Europa. 
É por isso que ver em Merkel  a salvadora da Europa, é acreditar que uma raposa é a melhor guardiã do galinheiro.