quinta-feira, 23 de março de 2017

Memórias em vinil (89)


Palavras para quê? É  com "I wish you were here" (Pink Floyd) que vos dou as boas noites hoje.  Tenham bons sonhos!

Noor e a Felicidade

NOOR é uma jovem iraquiana que conheci aqui no Estoril no início do ano. 
No dia em que a conheci, explicou-me  que o seu nome  significa LUZ. Respondi-lhe que tinha uma prima que também se chamava LUZ e vi estampado no seu rosto uma alegria imensa, como se essa circunstância fosse um qualquer sinal que determinara o nosso relacionamento fortuito
 De uma simpatia ímpar  a Noor é, além de bonita,  muito comunicativa e conversadora. À segunda  conversa já sabia  que tinha nascido em Portugal, onde morava e  a razão da vinda dos pais para Portugal.
Há dias contei-lhe a minha paixão pela América Latina e em especial Argentina e ela respondeu-me:
- Compreendo que goste desses países. São países menos desenvolvidos, onde as pessoas dão mais valor às coisas e são mais felizes.
Concordei.
Hoje lembrei-lhe que há dias se tinha comemorado o Dia Internacional da Felicidade e que a ONU  elaborara um ranking dos países mais felizes do mundo.
Ela não sabia de uma coisa nem de outra, desvalorizou ambas e perguntou-me qual era o país mais feliz do mundo
Quando lhe disse que era a Noruega, ficou calada por uns momentos e perguntou-me: 
- Como é que as pessoas podem ser felizes sem sol?
Lembrei-lhe a conversa que tivéramos há umas semanas sobre a felicidade e acrescentei:
- Como os noruegueses não sabem o que é o sol nem a praia, não sentem a falta. Depois, contei-lhe a história de uma sueca, casada com um meu homólogo do PNUD. Viviam aqui no Estoril, mas ela estava horrorizada com a obsessão dos portugueses pela praia. Chegou mesmo a dizer que éramos um povo primitivo e ignorante, porque nos estendíamos ao sol "o ano inteiro" sem  cuidar das consequências para a saúde. Ainda hoje recordo o seu ar reprovador, quando um dia fomos ao Algarve e os levei a conhecer algumas praias. Foi durante uns feriados de Junho e as praias estavam a abarrotar. De portugueses, mas também de turistas. Muitos deles nórdicos. 
Inabalável, ela insistia:
- É de uma irresponsabilidade e de uma ignorância deprimente! 
Foi então que lhe respondi: 
- Somos ignorantes, mas somos felizes
A NOOR riu-se com a minha resposta  e  perguntou em que lugar estava Portugal nesse ranking.
89º- respondi
O quê? Há 88 países mais felizes do que Portugal? Não é possível. E o Iraque, em que lugar está?
- 117º, se não me engano
Encolheu os ombros e respondeu:
- Pois, a Felicidade é muito subjectiva. Não consigo perceber como é que se consegue medir.
Eu também não, NOOR, mas os tipos que fazem estes rankings devem andar felizes por terem trabalho e por pensarem que são úteis ao mundo. 
Mas devem ter uma técnica qualquer, não estabelecem o ranking à sorte...
Pois não, NOOR. Fazem  uma única pergunta a mil pessoas em mais de 150 países:

"Imagine uma escada, com degraus numerados de zero na base e dez no topo.O topo da escada representa a melhor vida possível e a base  a pior vida possível. Em que degrau você acredita que está?"
O resultado médio é a nota do país - que, neste ano, variou de 7.54 (Noruega) a 2.69 (República Centro-Africana).
NOOR sorriu uma vez mais e disse em tom irónico:
- Muito científico, sem dúvida. Vou medir o grau de felicidade da minha família. Palpita-me que devemos andar entre os 9 e os 10, porque todos nos sentimos muito  felizes por viver em Portugal e estarmos longe da guerra. Até eu e a minha irmã, que nascemos em Portugal e nunca fomos aos Iraque sentimos que somos mais felizes aqui.

Adenda:(O relatório também analisa as estatísticas para explicar por que um país é mais feliz do que o outro.
Entre os dados observados, estão o desempenho da economia (medido pelo PIB per capita), apoio social, expectativa de vida, liberdade de escolha, generosidade e percepção de corrupção.

Um homem sem qualidades




Cada dia que passa, Cavaco tona-se um ser mais desprezível.
Cada vez que abre a boca exala um cheiro a podridão.
Cada vez que dá uma entrevista para promover o seu livro, enterra-se mais e mais no lodaçal do "Vamos Contar Mentiras".
A última entrevista ao Público é simplesmente asquerosa.
Na impossibilidade de a reproduzir, encaminho-vos para este texto muito esclarecedor, de um jornalista insuspeito de ser de esquerda...