terça-feira, 21 de março de 2017

Memórias em vinil (87)


Joni, uma das irmãs Sledge deixou-nos a semana passada.
Começaram por ser 4 irmãs ( em 1971) e assim se mantiveram até 1989, quando Katty abandonou a banda para seguir uma carreira a solo.
Com a morte de Joni,  as Sisters Sledge passam a ser apenas duas ( Debbie e Kim), mas ambas asseguraram que  o grupo vai continuar, agora como dueto.
Em memória de Joni aqui fica o maior sucesso de sempre das Sisters Sledge: "We are Family" (1979)

Querem mesmo saber?




A CGD vai encerrar entre 150 a 200 balcões. "Imposição de Bruxelas", dizem eles. 
Nem vou dissertar sobre a ignorância de quem decide em Bruxelas sobre o que é melhor para o banco público português. Isso implicaria que os decisores eurocratas conhecessem a realidade portuguesa e decidissem de acordo com ela, em vez de mandarem bitaites a partir dos seus gabinetes com base em folhas de cálculo. Não vou por aí. Atenho-me ao que se passa por cá, para  responder a uma pergunta que nos últimos dias  tem sido formulada à exaustão por portugueses  que deveriam conhecer o país: quem é que hoje ainda vai a um balcão?
Na maioria dos casos,  a pergunta tem sido feita por portugueses com assento nos programas de televisão e nas colunas opinativas da  imprensa, num tom que prenuncia resposta à Frei Luís de Sousa: (Quase) Ninguém.
Cumpre-me informar esses ilustres cidadãos portugueses que no interior do país só conhecem os hotéis de luxo onde se hospedam alguns  fins de semana por ano para poderem dizer que visitam o país que estão muito enganados e têm memória fraca. Se a tivessem saudável lembrar-se-iam, por exemplo, dos protestos da população de Abrantes  contra o encerramento da CGD. Foi só há um ano, meus caros desmemoriados!
Tenho ainda a penosa missão de lhes lembrar que desconhecem o que é a desertificação do interior e nem imaginam que haja gente a viver em locais sem acesso a qualquer serviço público, num raio de 50 ou mais quilómetros, como se estivessem no século XIX. E é gente que paga impostos, porque deles não sabe fugir, como alguns opinadores da nossa praça.
Descansem, no entanto, os entusiastas das medidas economicistas que estão a corroer a sociedade e a transformar os seres humanos em meras peças de um  tabuleiro de monopólio, porque não vou invocar o argumento dos velhinhos isolados em locais recônditos, para defender a existência de um balcão que atende cinco clientes duas vezes por ano. 
O exemplo que vou apresentar para responder à pergunta tantas vezes formulada nos últimos dias pelos adeptos do economês e  da modernidade tecnológica fica mesmo em Lisboa, outrora capital do Império e hoje cidade subalterna da UE, visitada por milhões de turistas embevecidos com tanto tipicismo ancestral.
Recomendo aos comentadores, analistas, colunistas e opinadores que visitem o balcão da CGD no Lumiar e se espantem com o movimento diário e as filas que por lá se formam em alguns dias do mês. Talvez depois deixem de fazer perguntas estúpidas e percebam que o país que eles conhecem não é o mesmo de que falam nas suas intervenções públicas.

Uma mulher de causas



Pedro Passos Coelho escolheu Teresa Leal Coelho para candidata do PSD à Câmara Municipal de Lisboa.
A ex guarda redes de andebol do Benfica tem, como principais atributos, ser muito apreciada por Passos Coelho, ter sido nº2 de Vale e Azevedo na direcção benfiquista, ser mal educada ( mas isso, no PSD actual é a regra)  e ser uma vereadora extremamente dedicada a Lisboa.
O seu empenho e compromisso com Lisboa é tal, que em Setembro pediu para que as reuniões dos vereadores com o presidente da câmara passassem a ser às quintas-feiras, para poder estar presente. O pedido foi aceite. Desde então realizaram-se 27 reuniões e Teresa Leal Coelho compareceu a CINCO!
Antes da alteração tinham sido realizadas 153 reuniões, mas em 91 delas Teresa Leal Coelho não compareceu.
Uma candidata à medida do PSD, sem dúvida.
Num país com população minimamente interessada na vida política e na cidadania, Teresa Leal Coelho nem sequer se candidataria, mas em Portugal as pessoas votam com fervor clubista, pelo que não me espanta se ela tiver um resultado aceitável.