quinta-feira, 16 de março de 2017

Memórias em vinil (84)


Este é um daqueles temas que ficarão para a eternidade.
Boa noite

A Cruz de Cristas

Cristas estava a veranear quando Marilú lhe telefonou a pedir um autógrafo. Entretida a ler este livrinho, não teve tempo para ler os dossiês e assinou de cruz.  (Foto roubada ao blog We Have Kaos in the Garden)

Obviamente que acredito em Assunção Cristas quando ela diz que as questões da banca nunca foram discutidas em Conselho de Ministros. Essas coisas discutem-se em pequenos círculos, em reuniões privadas, e os acordos selam-se com um aperto de mão (com luvas, por causa das impressões digitais)
Eu sei que AssunçãoCristas é uma mulher de Fé, mas alguém lhe diga que, mesmo tendo como justificação estar de férias, assinar de cruz é muito perigoso
A conclusão que tiro quando uma ex ministra confessa ter assinado um documento por e mail, durante as férias, sem conhecer os dossiês, é que Assunção Cristas é burra,mas também que o CDS estava no governo apenas para servir de muleta ao calhordas de Massamá.
Se o PSD de Passos Coelho voltar a ser governo um dia ( cruzes canhoto, vade retro Satanás!) e Cristas ainda estiver no poder ( o que não me parece muito provável depois de  ter "apunhalado" Paulo Portas na entrevista ao Público), será apenas um elemento decorativo ao lado do jarrão, no gabinete de PPC.
Como, aliás, admitiu  nesta entrevista ao Público

2017: o ano de todos os perigos


Depois de meses à frente nas sondagens, a extrema direita holandesa acabou por ser derrotada nas urnas pelo partido de direita que já governava a Holanda.
Li por aí pessoas a congratularem-se e suspirarem de alívio com a vitória da direita. Abstenho-me  de comentar. Relembro apenas o livro de Houellebecq (Submissão).
Quanto aos resultados na Holanda  poderão ser um indicador sobre o futuro da Europa, mas não mais do que isso.
Os verdadeiros testes são as eleições  em França e na Alemanha. Vitórias de Macron e Schulz darão um novo impulso à construção europeia.
Se Le Pen vencer em França e  o Alternativ  de Petry subir muito na Alemanha, então teremos um problema grave na Europa.
Mas, para além dos actos eleitorais, convém estar atento ao desenrolar do processo do Brexit. Não só pelos impactos que terá na UE, mas também no próprio reino unido que pode desagregar-se, no caso de Sturgeon conseguir avançar com o novo referendo.  Um não ao Brexit implica a saída da Escócia do Reino Unido e, muito provavelmente, também da Irlanda que poderá aproximar-se da sua congénere republicana. Como reagiriam a UE, Sua Majestade e o povo inglês a um cenário destes?
Um ano muito interessante, sem dúvida,mas também de muitos perigos.
Sejam quais forem os resultados das eleições na Holanda, em França ou na Alemanha, será importante não esquecer que os resultados se começaram a construir há mais de uma década.
Primeiro com a criação do euro e, mais recentemente, com as medidas desastrosas tomadas pela UE durante a crise das dívidas soberanas, atirando deliberadamente para a miséria milhões de pessoas, enquanto protegia escandalosamente a corrupção no sistema financeiro, engordando os mais ricos e poderosos à custa de  quem trabalha.