quarta-feira, 15 de março de 2017

Memórias em vinil (83)


E continuamos numa de silêncio
Boa noite!

Espiões tecnológicos



Há dias ri-me a bandeiras despregadas com aquela ajudante de Trump que. acusava  Obama de ter feito espionagem  nas Trump Towers  com um microondas.
Cheguei a ironizar, escrevendo que Cavaco Silva se tinha autoflagelado por não se ter lembrado disso quando escreveu o livro. Teria sido uma excelente justificação para as escutas em Belém e mais credível do que a historieta infantil que inventou.
Pois hoje quero.me penitenciar e pedir desculpas à senhora. Afinal, se andam por aí vibradores a espiar os proprietários e utilizadores, as insinuações sobre os microondas não são assim tão descabelados.
James Bond deixou de ser ficção!

E o vencedor é...



A propósito da tensão crescente entre a Turquia e a Holanda, tenho ouvido e lido muitas opiniões que apontam sempre no sentido de  esta " guerrilha" beneficiar  simultaneamente Erdogan e a extrema direita holandesa. 
Não estou a ver muito bem como é que um partido islamofóbico sai beneficiado do confronto  com um país que pretende acabar com a laicidade e tornar-se um país islâmico, mas deve ser problema meu. Daqui a umas horas, quando forem conhecidos os resultados das eleições holandesas, talvez mude de opinião mas, até lá, apenas tenho uma certeza:
O grande beneficiário deste confronto é Putin a quem um conflito  (ainda que, por agora, apenas verbal) envolvendo países da UE serve às mil maravilhas para a sua estratégia. Por um lado desvia as atenções da Ucrânia, permitindo-lhe cimentar as posições russas na região. Por outro,convém ter a Turquia do seu lado num eventual confronto com a Europa, pois a Turquia pertence à NATO e é, "apenas", a  oitava potência militar do mundo e a segunda na Europa
Com a Turquia  como aliada ou mesmo apenas "neutralizada" e o Reino Unido ainda indeciso quanto ao seu futuro no espaço europeu e as alianças com os Estados Unidos, Putin  está mais à vontade para prosseguir o seu plano de reconstrução do império russo.

Consumo e ética

Assinala-se hoje o Dia Mundial dos Direitos dos Consumidores. 
Muito teria a dizer sobre a vacuidade desta data, cuja única serventia é dar oportunidade a alguns governantes ( sejam eles europeus ou nacionais) de aparecerem a fazer uns discursos e evocar Kennedy.
Para não vos maçar, recordo apenas que, em nome da globalização, espezinharam-se os direitos dos consumidores e reduziu-se a defesa do consumidor a uma amálgama de articulados jurídicos centrados em questões de índole financeira.
O nosso futuro depende, em boa parte, dos padrões de consumo que adoptamos. Desde a educação alimentar, à educação financeira, passando pela segurança e pelo direito à reparação de danos, a defesa do consumidor assenta em dois pilares fundamentais: sustentabilidade  e ética.
Não haverá futuro se não forem garantidos padrões de consumo sustentáveis e  não haverá sustentabilidade se não houver padrões éticos que pautem as relações entre consumidores, produtores e prestadores de serviços.
Há duas décadas, a ética no consumo passava por rejeitar produtos e serviços de empresas que recorressem ao trabalho infantil ou escravo  e não respeitassem as regras e padrões de sustentabilidade ambiental.
Hoje em dia, a ética no consumo também passa pela área financeira. E esta  tem variadas vertentes. Uma delas passa por rejeitar produtos de empresas (portuguesas ou com actividade principal em Portugal) que se deslocalizam para outros países, para pagarem impostos mais baixos, escapando assim aos seus deveres fiscais com o país de origem.
Pois,pois, estou a lembrar-me do Pingo Doce, mas não é a única.
E não me venham com histórias da Carochinha, falar da Fundação Manuel dos Santos ou de actividades de solidariedade que várias empresas promovem, como mais valias para os portugueses.  Somos nós que estamos a pagar essas actividades.