terça-feira, 14 de março de 2017

Memórias em vinil (82)


Há realmente um silêncio preocupante, apesar dos ruídos ameaçadores  de  tiranetes  que ameaçam a paz mundial.
Boa noite!

Foi lapso, ou deliberado, senhora Procuradora?



Ontem, na conferência " Justiça Igual para Todos", promovida pela Associação 25 de Abril, a Procuradora Geral da República deu como exemplo o caso Madoff, para justificar o atraso da Operação Marquês. Disse Joana Marques Vidal, com grande desfaçatez, que a investigação a Madoff durou 8 anos.
Peço imensa desculpa, senhora Procuradora, mas provavelmente deve ter andado a dormir. Toda a gente sabe - foi muito comentado na comunicação social e na blogosfera- que a investigação foi rapidíssima. 
Enquanto Oliveira e Costa abria a porta à PJ em roupão e se divorciava para pôr todos os bens em nome da mulher, já Madoff tinha sido julgado, condenado e preso. Foi uma questão de meses. Preso em Dezembro, condenado a 150 anos de cadeia no Verão.
Pode a senhora Procuradora argumentar que muito antes de Madoff ser preso já andava a ser investigado. Concedo, masconcordará  quehá uma grande diferença entre ser investigado em segredo e ser preso apenas quando existem provas ou ser preso primeiro e depois andar anos a cozer o acusado em lume brando, libertando para a comunicação social noticias e peças do processo, formando na opinião pública a ideia de que o suspeito é culpado. (Não me refiro apenas ao casoMarquês, mas sim a uma pratica que se tornou recorrente, pelo menos desde o processo Casa Pia).        
Eu compreendo que esteja bastante desorientada com as diatribes da "Operação Marquês" e isso justifique a sua infeliz intervenção mas, por favor, seja mais rigorosa e não utilize  argumentos que confundem a opinião  pública, pois corre o risco de ser acusada de os ter utilizado de forma ardilosa.

Justiça popular? Why not?

Sócrates foi ontem ouvido pelo MP.
No sábado, dois jornais ( CM e Expresso) já publicavam o teor da acusação: corrupção. O mais impressionante são os detalhes das notícias, onde apenas existe uma ( propositada?) divergência quanto aos montantes da  acusação.
Sou insuspeito: nunca gostei de Sócrates e só votei nele uma vez, na desesperada tentativa de impedir o acesso de PSD e CDS ao poder que PCP e BE lhes ofereceram em bandeja de prata. Por isso é genuíno o meu medo em relação a esta justiça  que anuncia previamente as suas decisões nas páginas dos jornais.  
A minha preocupação aumenta quando vejo reproduzidos os interrogatórios nos jornais e nas televisões e ninguém reage, porque essas "fugas" de informação não só se tornaram banais, como um instrumento da justiça para "moldar" a opinião pública.
Refiro a Operação Marquês, mas não foi este o único caso em que pormenores dos processos foram divulgados pelos jornais, como é sabido.  A justiça é um regabofe, onde já começa a ser difícil distinguir entre juizes e justiceiros, tal é a teia de cumplicidades e suspeitas em que agentes da justiça estão envolvidos.
Para administrar assim a justiça, não precisamos de juízes. Faça-se rewind e regresse-se ao tempo da justiça popular.