quinta-feira, 9 de março de 2017

Memórias em vinil (79)


Não sei se acredite em coincidências, mas a verdade é que quando andava a remexer o meu baú para escolher a música de hoje, saltou-me este disco dos Mamas and  Papas. Ora  o tema de capa condiz bem com o tema de um dos posts de hoje, por isso em vez do "Monday, Monday", aqui  fica este "Califórnia Dreamin'" antes que vire pesadelo
Boa noite!

Sistema de vasos comunicantes


Vários estudos apontam para que em  2030 Portugal seja o 3º país mais envelhecido do mundo, atrás de Japão e Itália.
De acordo com os mesmos estudos, em 2050 a população portuguesa terá diminuído para pouco mais de 9 milhões de habitantes.
Esta situação  explica as causas das alterações demográficas previstas para as próximas décadas em Portugal,  mas acresce uma outra: o Reino Unido  e a Alemanha estão a recrutar  jovens portugueses para tratar dos seus idosos. Depois de Passos Coelho ter incitado os jovens a emigrar, chegou a hora de ingleses e alemães os cativarem com salários bastante atractivos: 1800€ mensais  ( ou mesmo mais) e alojamento
Tudo indica, pois, que o sistema de vasos comunicantes entre Portugal e o resto do mundo está a funcionar: importamos idosos e exportamos jovens.
 Não sei se será bom negócio mas Hugo Soares,  que um dia apelidou os idosos de "peste grisalha" e lamentou "o estorvo e despesa que (os idosos) representam para o país", já deve ter reunido a sua trupe de energúmenos e começado a preparar planos para emigrar. Estrelinha que os guie!

Imigrantes: A América já em 2010 não vos dava as boas vindas

A ira contra Trump, por causa das leis anti imigração, é compreensível. Acontece, porém, que como eu disse na altura, a rejeição dos imigrantes pelo povo americano já vem de longe. Lembrei-me, a propósito, deste excelente artigo de Kathleen Gomes publicado no "Público" em Agosto de 2010, ainda Obama estava a cumprir o seu primeiro mandato.
Há tempos  convidei os meus amigos do FB a perguntarem aos emigrantes portugueses em França o que pensam das leis anti-imigração e avisei-os de que se iriam surpreender com as respostas.
Trabalhei com emigrantes ( não apenas portugueses) durante tempo suficiente para perceber que a maioria apoia a limitação do número de imigrantes, mas o que escrevi não caiu bem em algumas pessoas que contestaram fortemente a minha afirmação.
Há umas semanas voltei a lembrar-me do tema, ao ler um artigo da "Visão"  sobre uma família de portugueses, em Newark, que corre o risco de ser deportada, porque o filho mais velho e a Mãe vivem ilegalmente nos Estados Unidos há cerca de 15 anos.
Como é sabido, Newark é uma cidade quase exclusivamente portuguesa, pelo que seria de esperar alguma solidariedade dos emigrantes portugueses com esta família de compatriotas. Mas isso não aconteceu. Como se pode ler na reportagem da "Visão", a maioria dos portugueses de Newark votou Trump e apoia convictamente as medidas anti-imigração.
Como diria o outro " É o bicho, é o bicho..."