quarta-feira, 8 de março de 2017

Memórias em vinil (78)


Aviso que esta é uma daquelas canções que me provocam pele de galinha mas, por muito que me esforce, não me recordo de outra canção de sucesso dos Procol Harum...
É um tema que se adequa bem ao Dia Internacional da Mulher, mas permitam-me que vos dê uma sugestão. Quando terminar o vídeo original, continuem sintonizados e vejam/ouçam o vídeo do concerto que eles deram em Copenhague em 2006. Vale bem a pena!
Tenham uma boa noite

Desafio aos machos latinos

O que eu mais gostaria de dizer às mulheres, neste dia, é que faço votos para que haja um tempo em que não seja preciso celebrá-lo.
Entretanto, desafio  OS leitores do CR a fazerem o que esta mulher faz.

Como combater a violência doméstica?


Minhas queridas leitoras:

Há décadas que, neste dia,  dirijo palavras amáveis e incentivos às mulheres para que prossigam na sua luta, até que deixe de fazer sentido celebrar-se este dia. 
Ainda antes do 25 de Abril e talvez até final da década de 70, quando o Código Civil teve a amabilidade de me retirar o estatuto de chefe de família ( foi em 1977) que nunca tive intenções de exercer, dirigia algumas missivas individuais e oferecia uma flor a amigas e colegas de trabalho.
Já nos anos 80, quando algumas mulheres tinham a amabilidade de me convidar para conferências e/ou tertúlias, eu expunha-vos, de peito aberto, as minhas ideias sobre a luta das mulheres. Ao longo dos anos fui tendo oportunidade de escrever textos em jornais e revistas sobre os direitos das mulheres, de me insurgir contra a exploração do corpo da mulher na publicidade ( Fui ingénuo, admito. Há cada vez mais mulheres nas agências de casting a disponibilizarem-se para esse papel, sem qualquer problema) ou de me insurgir contra as sentenças de alguns juízes em matéria de violência doméstica.
Cheguei mesmo a escrever num jornal uma carta aberta à mulher portuguesa, que há anos reproduzi aqui no Crónicas do Rochedo. 
Aliás, na última década, tem sido este o veículo privilegiado para comunicar com as mulheres portuguesas. Não só no DIM, mas durante todo o mês de Março.
( Se quiserem dar-se ao trabalho de ver os posts que escrevi no mês de Março desde 2008, poderão encontrar tudo o que fui escrevendo aqui e na imprensa escrita sobre direitos das mulheres).
Tenho de admitir que me decepcionei com a chegada das mulheres ao Poder e foi essa a razão de ter escrito o post anterior. Não foi porém esse motivo que me levou a ser mais comedido nas celebrações este ano. É mesmo o cansaço que me começa a afastar dessa luta e o facto de ver cada vez mais mulheres a assumirem posições contra as mulheres que alguns homens não teriam coragem de assumir. 
Resta-me por isso desejar-vos, uma vez mais, que chegue rapidamente o tempo em que este dia deixe de ter sentido. A verdade, porém, é que as mulheres podem chegar às administrações de empresas públicas e privadas ou a deputadas por força de uma quota, mas a sua grande luta continuará a ser contra a violência doméstica. Porque não se extingue por decreto, nem a justiça ( face a aberrantes sentenças que vamos lendo) parece totalmente empenhada em erradicar.
Assim sendo, resta-me recuar a tempos de antanho e recomendar-vos este produto ( provavelmente percursor do Redbull) para um eficaz combate a esse flagelo que todos os anos vitima dezenas de mulheres em Portugal


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As Mulheres e o Poder

" Visíveis e com poder, as mulheres terão nas suas mãos as ferramentas para moldar as tão necessárias mudanças civilizacionais"
(Maria de Lourdes Pintasilgo)


Mas quais ferramentas?

A da destruição dos sindicatos e do tecido social?


A da chantagem  que ameaça destruir a Europa?



A da ganância, sede de poder  e prepotência  que iniciou o processo autofágico da UE?



Ou, restringindo-me a nível interno, a ferramenta da mentira, do desprezo pelos mais desfavorecidos e idolatria pelos detentores do dinheiro?



Não me parece que alguma destas ferramentas tenha tido sucesso, na construção de mudanças civilizacionais positivas. Bem pelo contrário.
Interrogo-me, por isso, quais seriam as ferramentas que permitiriam  às mulheres construir um mundo novo.
Como tenho a certeza que  Maria de Lurdes Pintassilgo não se referia às que são brandidas por  Marine Le Pen, admito que a ex-primeira ministra se referisse à oração, método(ferramenta) a que Assunção  Cristas recorreu para pedir a Nossa Senhora que nos mandasse chuva.




A verdade, porém, é que não há ninguém mais habilitado para essa tarefa de intermediário da Fé do que o Papa Francisco. Assim, talvez as ferramentas a que Lurdes Pintassilgo se referia estejam em poder da Igreja, a quem compete permitir o acesso das mulheres ao sacerdócio.
E a verdade é que já há uma candidata portuguesa que, depois de décadas a militar no PCP, se converteu e acredita na conversão da Rússia.