sexta-feira, 3 de março de 2017

Memórias em vinil (75)


Amanhã é sábado da Pinhata.  No meu tempo, neste sábado a seguir ao Carnaval,  era dia de se organizar a última festa antes da Páscoa. Eram sempre festas muito animadas, pelo que recuperando a tradição, deixo-vos esta divertida canção de Nino Ferrer ( "Les Cornichons")
Boa noite e bom fim de semana.

Esclarecimento sobre a Geração Ritalina



A  propósito do meu post "Geração R" recebi este comentário de um leitor ( médico psiquiatra) que é bastante esclarecedor e merece ser divulgado a todos os leitores. Assim, com o conhecimento do autor, transcrevo o comunicado e aproveito para agradecer aos atentos e colaborantes leitores que aportam a este Rochedo. Bem hajam! 

"Este tipo de medicamento só pode ser adquirido com receita médica e é utilizado em crianças com Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção (PHDA).

Sobre este tema há três grandes correntes na classe médica:

1 - a que utiliza metilfenidato com frequência exagerada e abusa do diagnóstico.

2 - a que utiliza o metilfenidato com mais contenção e diagnostica com critério mais fechado.

3 - a que rejeita qualquer tipo de medicação e põem reservas ao diagnóstico (escola ligada à psicanálise), defendendo o tratamento psicológico exclusivo.

Só quem tem um filho com essa doença sabe avaliar, com adequação, este problema.
Conheço famílias que se desfizeram, crianças que foram bombos da festa, que abandonaram a escola, por falta de diagnóstico e tratamentos correctos.

Para escrever este comentário conversei com uma amiga, médica especialista na área, reformada, que trabalhou mais de 30 anos na área do desenvolvimento e seguiu dezenas de casos, sendo muito criteriosa no diagnóstico, ela própria fazia e avaliava os vários testes necessários, (para os poder aplicar teve de tirar cursos específicos), e medicava de forma comedida, só a partir dos seis (6) anos.

Para se fazer o diagnóstico correcto é necessário que os professores e famílias preencham um questionário próprio, o médico faça a história clínica exaustiva, uma observação prolongada e vários testes específicos. Conjugando toda esta informação é que se chega ao diagnóstico.
O diagnóstico não se faz em 10 minutos de consulta.
Se for hiperactiva só na escola, ou só em casa, não pode ser diagnosticada de PHDA.
Muitas crianças irrequietas, mal-educadas ou mimadas poderão ser erradamente catalogadas.

Não calcula quanta melhoria na aprendizagem, na harmonia familiar e no bem-estar da criança se consegue quando correctamente ajudada.
Como em tudo, sensibilidade e bom senso são necessários.

Quanto a esse psiquiatra seria conveniente que ele tivesse dito a que escola pertencia...

Voltando aos pais que dão metilfenidato aos filhos de 2 ou 3 anos: isto é um profundo erro, mas pode ser fruto de ignorância, de facilitismo, ou de erro médico.

Em tempos, estes medicamentos só podiam ser receitados por Psiquiatras, Pediatras do Desenvolvimento e Neurologistas (Neuropediatras). 
As receitas eram requisitadas em nome pessoal, ficavam registadas na DGS, e cada receita tinha uma cópia que ficava em poder do médico, para futuro controlo.

Presentemente qualquer médico os pode receitar, levando aos erros descritos.

Em última análise o erro também foi dos governantes que “liberalizaram” a prescrição destes medicamentos (e outros).

Declaração de interesses: sou psiquiatra de adultos, reformado, e nunca tratei crianças com PHDA. Segui clinicamente adultos com vida desestruturada, tendência a acidentes, consumos de drogas ilícitas (álcool e outras), mudança constante de empregos, comportamentos impulsivos, que tinham provável PHDA em criança.
Se tratados correctamente em devida altura, poderiam estes comportamentos ser grandemente minoradas ou inexistentes.
Não devemos esquecer que a medicina é uma ciência empírica, em constante evolução.
Hoje já podemos comer um ovo por dia, há uns 2 ou 3 anos era um por semana.
Amanhã como será?"

A velha do Restelo

Esta imagem foi descaradamente roubada na Barbearia do Senhor Luís que recentemente reabriu as suas portas, para gáudio  dos seus habituais frequentadores, entre os quais me incluo.


Em 2016, Teodora Cardoso  afirmava que atingir as metas do défice propostas pelo governo era uma questão de fé. Parece-me por isso revelar alguma coerência quando, em Março de 2017, garante que o défice de 2,1% alcançado em 2016 foi um milagre.

Quem parece  discordar e não ter gostado da expressão é Marcelo Rebelo de Sousa. Em resposta a Teodora, o PR lembrou a mulher  mais catastrofista do planeta, que " milagres em Portugal só o de Fátima" e que o défice foi atingido graças a um esforço muito grande do povo português.
Creio que MRS perdeu o seu tempo. Não é fácil convencer uma mulher que em 2014, num congresso do PSD, propunha que os salários dos portugueses fossem depositados em contas poupança em vez de depósitos à ordem. E, numa demonstração de radicalismo original, Teodora ainda aconselhava o governo a cobrar uma taxa de cada vez que  os portugueses quisessem mexer no dinheiro do seu salário.
Vai sendo tempo de Teodora Cardoso sair de cena e dedicar o seu tempo ao único ser com quem, ao longo da vida, partilhou o seu "parco" afecto: o cão Félix. ( Confissão feita numa entrevista a Anabela Mota Ribeiro).