sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Memórias em vinil (65)


Chamavam-lhe o Elvis Presley italiano mas, quando muito,  Bobby Solo seria a vertente romântica do King. 
Na minha discoteca está esta canção, com que venceu o festival de Sanremo em 1968: "Si piangi si ridi". 
Mas há dois outros grandes sucessos que logo me vêm à memória " " Io que non vivo (piú di un ora senza te)" e "Una lacrima sulviso" (1964).
Esta última canção tem uma história interessante. Foi interpretada por Bobby Solo no festival de Sanremo em 1964 e foi a canção mais votada mas Bobby Solo não pôde ser declarado vencedor, porque no dia do festival estava doente e teve de cantar em playback, o que o regulamento não permitia.
Um cantor francês sem grande expressão em Portugal (Lucky Blondo) popularizou a versão francesa, com o título "Sur ton visage une larme".

Para quem não se lembra de Bobby Solo, aqui fica a capa do disco do Elvis italiano.
Tenham um excelente fim de semana. Sem lágrimas.  Se alguém ficar com tremuras,  aqui fica desde já o convite para um chá de casca de laranja que será servido na manhã de sábado, aqui no CR

As praxes do Casino

Durante o Verão os jardins do casino do Estoril foram palco de animadas caças aos Pokemons. 
Chegados ao Outono os Pokemons deram lugar a estudantes caloiros e a profissionais da praxe..Para surpresa minha, as praxes adentraram Dezembro afrontando os finais de tarde, que um sol  pálido e tímido não conseguia aquecer
Em vésperas de Natal, jovens em traje desportivo, penico na cabeça e garrafas na mão, dispunham-se em vários círculos, aguardando as sentenças ditadas pelos praxantes.
Quando as praxes se realizam na praia, não é perceptível o que dizem, mas nos jardins a tarefa torna-se mais fácil, pelo que decidi passar calmamente  e tentar captar, aqui e além, algumas frases com sentido.
Ao passar por um dos grupos reparei que os jovens caloiros estavam mais exuberantes do que os outros
 Aproximei-me para tentar perceber  o que lá se passava. 
Um tipo fininho, com voz de eunuco, manifestava a sua autoridade falando desmesuradamente alto.  Para dar ênfase a algumas palavras, pontuava-as com gestos teatrais.
Percebendo que os caloiros estavam na galhofa, gesticulavam, conversavam e não lhe prestavam atenção, o praxante afiambrou a voz, pigarreou e, no tom maís grave que conseguiu extrair das cordas vocais, asseverou: 
- Eu vejo muito bem o que vocês estão a dizer. Tenho olhos em todo o lado. Cuidado, porque eu até vejo pelo olho do cú!
Foi então que se ouviu uma voz saída do círculo de caloiros:
- E esse está bem aberto!

O "Pintassilgo"



Quando andava no primeiro ciclo do liceu  ( actual 5º e 6º ano)  tinha um colega muito malandreco, danado para pregar partidas e fazer tropelias. 
Para evitar ser apanhado, tinha um estratagema que funcionou bem durante bastante tempo. Curiosamente, foi em sua casa que foi desmascarado.
Um dia, danado por provar a marmelada feita pela Mãe, "assaltou" a despensa. A coisa correu mal e, para além de partir a tigela que tinha "roubado", partiu duas garrafas de vinho de uma colheita que o pai guardava para servir aos amigos.
Como sempre fazia, o "Pintassilgo" ( era essa a sua alcunha) apressou-se a dizer à Mãe que tinha encontrado a tigela e as garrafas partidas quando ia à despensa, a pretexto de  satisfazer um pedido da avó. Claro que foi rapidamente descoberta a patranha.
Lembrei-me do Pintassilgo a propósito da demissão de Matos Correia  da comissão de inquérito à CGD.
Quando PSD e CDS começaram a perceber que no relatório final ficaria claro que tinham o rabo trilhado no caso, arranjaram um estratagema.  Começaram  por  se agarrar ao caso Centeno como cães raivosos.Quando perceberam que os portugueses estavam a ficar fartos da telenovela, desviaram o escopo da comissão da CGD para Mário Centeno. 
Como a esquerda não caiu na esparrela, Passos precisava de encontrar uma saída airosa, que lhe desse  oportunidade para  fazer aquilo em que é expert: vitimizar-se.
Mandou Matos Correia demitir-se  e acusar a esquerda de estar a boicotar a comissão e a colocar em risco o normal funcionamento das instituições.
O problema é que, apesar de contar com o apoio da comunicação social, a opinião pública não é parva e já não vai nas patranhas do coelho.