segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Memórias em vinil (56)




Não tenho palavras para definir Aretha Franklin. Ela não é excepcional, nem fora de série. É simplesmente ÚNICA. Ao longo da carreira colecionou tantos êxitos, esteve tantas vezes nos tops, que poderia estar aqui um mês a  recordar os seus sucessos.  Com muito esforço, selecionei dois entre os vários singles e 45 rpm que fazem parte da minha discoteca em vinil.
Para abrir  (em cima) "I say a Little prayer"

Poderia  fechar com muitas outras, como "(You make me feel) Like a Natural Woman" " Spanish Harlem ou "I Never Loved a Man ( The way I love you), mas acabei por me decidir por  esta magnífica interpretação de  "Respect".
Tenham uma boa noite e uma excelente semana!

Venha a nós o Vosso Reino



Fui surpreendido por uma polémica em torno de um livro de Valter Hugo Mãe recomendado pelo Plano Nacional de Leitura para estudantes do 3º ciclo.
Nunca li o livro ( devo mesmo confessar que desconhecia a sua existência) mas os telejornais deram-me a conhecer algumas palavras e expressões vernáculas usadas pelo autor. Claro que não tiveram a preocupação de contextualizar, para que percebêssemos melhor como (porque) tais palavras e expressões foram utilizadas. Se o fizessem, talvez a peça"informativa" perdesse impacto e o importante no jornalismo hodierno é CHOCAR!
Fiquei também a saber que os pais dos alunos ficaram indignados com a recomendação de um livro que recorre ao palavrão para explicar a nossa História e exigiram a sua retirada imediata do Plano Nacional de Leitura.
Face ao que ouvi/li nos telejornais concordo que a linguagem utilizada é bastante ordinária mas, de imediato, me apeteceu perguntar aos pais se eles alguma vez tinham entrado no recreio da escola, ou ouvido uma conversa dos filhos com os amigos. É que todas aquelas expressões e palavrões que vi/li no telejornal da noite são não só conhecidas, como frequentemente usadas por jovens daquela idade. 
Antes de formular a questão neste post fui esclarecido. Afinal os pais sabem que os filhos conhecem aquelas palavras e expressões. A sua indignação não se deve ao facto de Valter Hugo Mãe as ter usado no seu livro mas sim porque consideram errado que os filhos tenham de responder a um professor que lhes pergunte o significado de palavras como “rata” ou “pic..”.Fiquei esclarecido.
Entretanto, o  PNL  "corrigiu o erro" e o livro “O Nosso Reino”  passou a estar incluído apenas na lista dos livros recomendados para o secundário. Não era preciso tanto alarido por causa de um livro, mas Valter Hugo Mãe deve estar  muito agradecido pela publicidade gratuita que fizeram ao livro. Quanto aos jornalistas  que descontextualizaram as palavras e expressões, devem estar muito satisfeitos com o impacto que a notícia teve nas audiências.

Só me apetece dizer, utilizando o mesmo método:
"Estrelinha que os guie, ca§£i#h0 que os f€§a"

Tantas vezes vai o cântaro à fonte...




Temo que os receios aqui manifestados tenham mais fundamento do que desejaria. Depois da polémica da TSU, BE e PCP parecem não querer dar tréguas ao governo e, semanalmente, lançam pedras à geringonça, para ver se ela aguenta.
O BE decidiu avançar com uma proposta visando incluir nos quadros da Administração Pública pessoas em regime de outsourcing. É preciso não ter a mínima noção do que é a AP e como funciona o outsourcing para fazer uma proposta tão descabelada.
Já o PCP ameaçou bloquear a  municipalização da Carris, chamando o diploma a debate no Parlamento. Já o PSD salivava com a possibilidade de se aliar mais uma vez a BE e PCP para chumbar um diploma do governo, quando o PCP percebeu no que se estava a meter e recuou nas intenções de pedir a revogação da lei.
Temo que, por força de desconhecerem o ditado popular " Tantas vezes vai o cântaro à fonte que um dia lá deixa a asa", continuem a criar dificuldades à geringonça, acabando por a desconjuntar.
Esperemos que percebam a mensagem da Comissão de Trabalhadores e alguns sindicatos  do Metro, quando pediram ao PCP que não chumbasse a municipalização e manifestavam o seu desagrado à CGTP.
Se não perceberam, ou insistirem na teimosia, os trabalhadores explicarão nas urnas o seu descontentamento.