segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Memórias em vinil (51)


Começo a semana com uma das canções mais icónicas dos anos 60. Cantada por este egípcio francês e com uma versão em português cantada pelo próprio, Le Metèque é uma das muitas canções de Georges Moustaki que guardo no meu baú das coisas boas.
Mas outras como "Ma Solitude"  e, principalmente,  "Ma Liberté" são referências obrigatórias

Pareceu-me uma boa escolha começar a semana com este grande nome da canção francesa.
Boa noite. E boa semana!

Lamento, mas ainda não estou farto...


Lamento, mas ainda não estou farto de escrever e falar sobre Trump.
Admito que haja aqui e ali algum empolamento  nas redes sociais,  mesmo alguns exageros, mas o pior que poderá acontecer ao mundo é ficarmos indiferentes à espera do que aconteça  a seguir.
Espanta-me, outrossim, que as pessoas não se indignem, nem se apavorem, com as medidas anti-imigração de Donald Trump, ou com as suas declarações sobre a NATO, a ONU, ou a UE.
Pior ainda, assusta-me que as pessoas as aceitem passivamente. A História mostra-nos à saciedade exemplos de ditadores que floresceram graças à passividade dos povos.  Um exemplo? Fossem os portugueses um bocadinho menos egoístas e Salazar não teria governado 40 anos.
Não caio na parvoíce de dizer que Trump é igual a Hitler, ou que é fascista. Não é. O problema é que a forma como ele governa e olha para o mundo favorece a ascensão da extrema-direita, bem pior do que Trump.
Já admiti aqui, até, que a vitória de Trump pode ser benéfica para a Europa. O que não consigo é ficar indiferente ao que se está a passar nos EUA.
O meu posicionamento na vida nunca foi o de " Andar à toa na Vida/ A Ver a Banda Passar". Nunca contribuirei para o "saneamento" de um louco que coloca em perigo a paz mundial. Sempre lutei pelos meus ideais e continuarei a fazê-lo enquanto para isso tiver forças e discernimento. Se isso chateia alguém, paciência.
O decreto anti imigração não me afecta pessoalmente, mas não consigo ficar indiferente ao facto de Trump ter proibido, sem qualquer aviso prévio, a entrada nos EUA  de cidadãos com autorização de residência no  país.
Talvez seja parvoíce minha, mas sou sensível aos efeitos que esta medida provoca, como a separação de famílias, ou o esboroar, em minutos, de uma vida construída com esforço. 
Sim, preocupo-me quando imbecis, que não medem as consequências dos seus actos, chegam a presidentes de um dos mais poderosos países do mundo e desatam a fazer decretos que destroem a vida de famílias inteiras. 
Se me indignei contra as medidas imbecis de Passos Coelho, devo calar-me em relação a medidas ainda piores, só porque os EUA ficam longe?  Peço desculpa, mas ainda consigo ver os efeitos globais de uma medida tomada, digamos... localmente.
Trump assusta-me porque, não sendo Hitler, toma medidas que o recordam e animam a extrema direita a prosseguir a sua escalada anti imigração e contra os refugiados. (Veja-se o que ainda hoje se passou no Québec. Apesar de Trudeau ser um líder exemplar, o efeito Trump atravessou a fronteira do Canadá)
Trump assuta-me porque está a colocar em perigo a paz no mundo.
Devo dizer, no entanto, que igualmente me assustam ( e muito!...) as pessoas que  manifestam a sua indiferença, ou se dizem cansadas de ouvir falar de Trump.

A (nova) doença das vacas loucas



Aconteceu no fim de semana:
Theresa May  foi aos EUA elogiar Trump e de lá partiu para a Turquia para conversar com Erdogan, a quem agradeceu o que fez para preservar a democracia turca. ( esclareça-se que foi depois de Erdogan ter assinado o cheque para pagar uns brinquedos de guerra que May lhe impingiu)
Por cá Teresa Morais - a deputada do PSD que há semanas gritava como um bezerro desmamado na AR, porque um secretário de estado alvitrou que um deputado do PSD sofreria de incapacidade  cognitiva temporária - veio acusar António Costa de baixo nível, porque o pm teve o desplante de afirmar que o PSD mostrara a sua irrelevância política ao chumbar a TSU.
Entretanto  Nikki Haley, a  nova embaixadora dos EUA junto da ONU mugia  alarvidades como esta:
Portanto, meninos, fiquem a saber que se não se portarem bem vão para a lista negra e depois o tio Trump chama o carrasco para umas sessões de tortura.
São conhecidas as causas da doença das vacas loucas que abalou a Europa na última década do século passado. Nesta segunda década do século XXI, ainda são desconhecidas as  causas  que levam  mulheres, obnubiladas pela fragância do poder, a proferir estas  insanidades, próprias de animais  irracionais. Como as vacas.