sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Memórias em vinil (50)

Confesso que até eu tenho dificuldade em explicar porque gostava desta canção de Sheila. Talvez por ser sinal de férias de Verão, sei lá.

Sheila nunca foi uma cantora muito popular, mas não resisti a trazer aqui três canções. Não pela sua qualidade, mas porque a primeira( "Pendant Les Vacances" ) me fez recordar férias de Verões com mais de 50 anos e episódios que pensava ter esquecido. A memória tem coisas surpreendentes




Esta (L'école est finie)




E esta

porque achei piada aos vídeos e, devo confessá-lo, porque tenho estas canções na minha discoteca em vinil. E outras mais, que nem vos passa pela cabeça.
Encontro talvez uma explicação. Todas estas canções são dos anos 63-65, ou seja, entre os meus 13 e 15 anos.
E a verdade é que gostei de recordar estas canções perdidas no meu baú.

Este Galo é Fogo!




Inicia-se amanhã o Ano Novo Chinês. (Por lá até já começou...)
Como não quero que vos falte nada, fuic onsultar o meu "livrinho" dos signos chineses  ( comprado em 1988)  para saber o que nos reserva este ano do Galo de Fogo  e não fiquei muito animado.
" Os conflitos estarão na ordem do  dia" entre o dia de hoje e 16 de Fevereiro de 2018 ( data em que se inicia o Ano do Cão, que por acaso é o signo de Donald Trump).
O galo é dominador e gosta de impor a sua autoridade, provocando por isso muitos conflitos e problemas. Na política "assistiremos ao triunfo dos políticos de linha dura". (Lembro os leitores que este livrinho é de 1988!)
A boa notícia é que "as probabilidades de um conflito serão reduzidas" pois, apesar de o Galo ter tendência a "tornar complicadas as coisas simples",  as pessoas estarão " muito ocupadas a olhar para o seu umbigo".
Em matéria de finanças as coisas não se anunciam nada boas.  Teremos de "fazer um grande esforço para os nossos bolsos não ficarem vazios e isso implicará um grande desgaste nervoso".
Fico-me por aqui para não vos desanimar muito. Até porque fui ver o que nos reserva o Ano do Cão (de Terra) que começa em 2016 e face ao que li, o Ano do Galo de Fogo até não vai ser mau de todo.
Permitam-me por isso que vos deseje um excelente ano do Galo. Apesar de tudo é mais simpático do que o da Joana Vasconcelos.
KUNG HEI FAT CHOI!

Café Chernobyl ( De Almaraz a Prypiat)

Trinta anos após o acidente nuclear,  esta pista de automóveis permanece como um dos muitos testemunhos de que um dia houve vida e alegria em Chernobyl


Regresso hoje ao tema Almaraz.
Como acontece sempre com temas ambientais,  a comunicação social trouxe o assunto à baila durante uns dias, mas depois deixou-o cair no esquecimento.
Dirão alguns que o assunto está encerrado, até que a UE tome uma decisão sobre a queixa apresentada por Portugal em Bruxelas.  Não é verdade.  A questão de Almaraz só terá um desfecho favorável a Portugal se as pessoas  se mobilizarem. Mas só é possível mobilizar a opinião pública se as pessoas estiverem informadas sobre o perigo que representa para Portugal a manutenção da central  para além de 2020, ou a construção do cemitério nuclear.
Os espanhóis gostam de varrer o lixo para cima de nós, em vez de o colocar nos locais apropriados. Foi assim com o Prestige, está a ser  assim com Almaraz.
É preciso que as pessoas percebam que um acidente em Almaraz não afectará apenas zonas fronteiriças. Será um desastre para todo o país. A começar pelo Tejo que será contaminado e pode "morrer" durante décadas, com todas as consequências que isso acarreta. As terras também serão contaminadas, deixando de ser férteis durante décadas em todas as zonas afectadas e, finalmente, os ecossistemas sofrerão profundas alterações por via da extinção e metamorfose de inúmeras espécies.
Urge sensibilizar a opinião pública para que se mobilize  contra a construção de um cemitério nuclear em Almaraz e exija o encerramento da central nuclear em 2020.
É URGENTE as pessoas perceberem que TODOS seremos afectados, no caso de haver um acidente em Almaraz.
Realce-se o papel da RTP na tentativa de esclarecimento dos cidadãos sobre a ameaça nuclear e temas ambientais que afectam o nosso futuro. Uma aposta  que se tem intensificado nos últimos meses, com a série "Human", estreada em novembro, o documentário "Amanhã" e Café Chernobyl transmitidos este mês (Todos estão disponíveis on line gratuitamente)
Todos são de grande qualidade e rigor mas Café Chernobyl deixou-me  perplexo.
O documentário/reportagem aborda a (inexistência de) vida em Chernobyl e Prypiat. Apesar dos elevados índices de radioatividade ( 50 vezes acima dos valores normais) e de a cidade de Prypiat ( onde está a central nuclear) ser uma cidade fantasma com restrições de acesso rigorosíssimas, há cada vez mais pessoas a pagar por uma excursão à zona de radiações.
O turismo para uma zona de alta perigosidade , onde se mantém o recolher obrigatório, está a ter um grande incremento,  para satisfação de alguns ucranianos. Entre os quais um homem que apostou em abrir um hotel, restaurante e café para receber os turistas.
Enquanto via o documentário, fui frequentes vezes assaltado por esta pergunta:
- Se há pessoas que põem a vida em risco para ir a Chernobyl, sabendo o perigo que correm, como se pode esperar que os portugueses, que em maioria olham para Almaraz como algo distante, tenham consciência dos perigos que nos afectam?