quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Memórias em vinil (49)








Hoje trago-vos dois momentos de luxo de um dos grandes nomes da canção italiana: Alessandro Celentano.
Talvez a sua canção mais conhecida seja Preghero (vídeo acima ao vivo) mas   "Il ragazzo di Via Gluck"(1966) é a minha preferida e ovídeo abaixo permite perceber o sucesso que tinha ( e ainda tem) na Europa.
Gravado em 1994, durante um concerto em Berlim, é um testemunho impressionante do reconhecimento de Celentano na Europa.
Não tenham dúvida que este homem é, ainda hoje, um dos grandes símbolos da canção italiana.


O "cacilheiro"



O acidente com um catamarã no Tejo, que provocou mais de 30 feridos foi, essencialmente, fruto  da falta de civismo. 
O embate podia até nem ter sido notícia, se as pessoas soubessem comportar-se e respeitassem as normas.
Acontece, porém, que neste país de brandos costumes qualquer idiota, pela simples razão de ter um passe, ou  pagar bilhete, se sente no direito de mandar às malvas as regras, porque sabe que a fiscalização ou é condescendente, ou não existe.
O "Público"  escreve em título "Catamarã em velocidade excessiva causa 34 feridos no Tejo" mas, logo na entrada da notícia, aponta  o nevoeiro como possível culpado.
Em parte alguma, porém,  "o Público" escreve que os feridos poderiam ter  sido evitados  se as pessoas respeitassem a proibição de se levantarem antes de a embarcação atracar
Quem faz a travessia do Tejo de barco sabe muito bem que mal os barcos se aproximam do ponto de atracagem, dezenas de pessoas se levantam e dirigem para a porta, para serem os primeiros a sair. Eu sei   que já deve haver por aí muito leitor a justificar esta fuçanguice com a pressa das pessoas em  apanharem o transporte. Certo... mas talvez fosse melhor sairem de casa 10 minutos mais cedo, para não terem de andar a correr..
Eu sei que estas cenas acontecem em muitos países do mundo. Nomeadamente na Ásia ( ó como eu ouvi tantos portugueses em Macau criticarem os chineses por causa desta fuçanguice) e África mas também em países civilizados, obviamente.
 Tenho ouvido dizer que Portugal pretende ser um país europeu. Só que é difícil, porque desperdiçamos muito dinheiro. Ontem, por exemplo, mais de 30 pessoas tiveram de ser assistidas nos hospitais, porque foram imprudentes e fuçangas. Isso custa dinheiro a todos os contribuintes em exames médicos que foram necessários para verificar se havia fracturas. E ocupou o tempo de médicos e enfermeiros que poderiam estar a assistir pessoas com problemas mais sérios.
Um desperdício de dinheiro e recursos, por causa de uns fuçangas que não sabem andar nos transportes públicos.
Estou preparado para ouvir as vossas críticas, mas não me conformo com a atitude displicente do tuga, nem com a complacência da fiscalização. Uma sociedade, para ser evoluída, tem de respeitar regras. Fingir que elas não existem,ou passar a vida a encontrar forma de as ludibriar é que não nos leva a parte nenhuma.





Alexandre Herculano vítima de desleixo, ou cobiça?



O liceu Alexandre Herculano, no Porto, encerrou por tempo indeterminado, deixando 900 alunos sem aulas.porque chove dentro das salas. Não se tratou de um violento temporal. Foram apenas as chuvas de Inverno. O problema do Alexandre Herculano ( tão importante para os portuenses, como o Camões para os lisboetas) está detectado há muito tempo.Estão prometidas obras desde 2009 mas passaram três governos e tudo continuou na mesma.
Em 2016 , depois de a SIC ter feito uma reportagem sobre o estado de degradação em que a esola se encontrava cirulou por aí a petição " Não deixem cair o Alexandre".  O governo fez orelhas moucas e tudo ficou na mesma
 É fácil culpar a crise, mas a verdadeira culpa é da incúria e desleixo dos ministros da educação e dos governos que andam há oito anos a encanar a perna à rã. 
Resta saber se a degradação do Alexandre Herculano não estará relacionada com alguns apetites imobiliários. A seu tempo se saberá...

O pão que o diabo amassou



" Mais vale cair em graça do que ser engraçado"- diz o povo.
Estou totalmente de acordo e, por isso, vou escrever alguns posts sobre coisas de má qualidade que tiveram sucesso em Lisboa.
Começo pelas Padarias Portuguesas.
Gosto bastante de pão e durante anos lamentei a inexistência, em Portugal,  de estabelecimentos especializados no fabrico e venda de pão de qualidade e variado.
Quando, em 2010, abriu a primeira Padaria Portuguesa na Av João XXI, não fiquei encantado mas, ao constatar que as Padarias Portuguesas se multiplicavam como coelhos, tive esperança de que a qualidade melhorasse com o tempo. Debalde.
Mais de seis anos volvidos e experimentada a maioria das Padarias Portuguesas de Lisboa, constato que o grande trunfo reside nos espaços, normalmente acolhedores.
Já a qualidade continua fracota, não justificando a fama, nem a aceitação que têm tido junto do público lisboeta. Há padarias quase desconhecidas com muito melhor qualidade. Nomeadamente na zona das Avenidas Novas. Mas lá está, o nome do "Gato Fedorento" José Diogo Quintela, associado às Padarias Portuguesas, ajudou a projectá-las e a confirmar o adágio popular "mais vale cair em graça do que ser engraçado".
Ontem, o sócio de Quintela decidiu dar um tiro no pé, ao dizer que a discussão sobre a TSU era irrelevante e a subida do salário mínimo indesejável. 
Não satisfeito com esta prova de cretinice, o ex-quadro da Jerónimo Martins acrescentou mais esta série de insanidades indignas de um patrão, quanto mais de um empresário. Se vivêssemos num país onde o povo se indignasse quando um patrãozeco de caca com ideias do século XIX o insulta, as Padarias Portuguesas teriam os dias contados, por força de um boicote da população àqueles estabelecimentos.
No entanto, como o povo se equipara à qualidade dos produtos das Padarias Portuguesas, Nuno Carvalho pode continuar a insultar os seus clientes e trabalhadores e não se passa nada.
Sigam os links, leiam e oiçam as declarações de Nuno Carvalho e depois vão à Padaria Portuguesa. Se não ficarem agoniados, dou-vos os meus parabéns. É sinal de que têm um estômago de excelência.