quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Memórias em vinil (43)


Roberta Flack não precisa de apresentações, mas trazer aqui "The First Time Ever I saw your face" (1972), em vez da mais conhecida "Killing me softly" (1974), ou " The closer I get to you" (1979)talvez mereça uma explicação.
Ambas receberam o Grammy para "Disco do Ano",  mas   escolhi  " The first time...", cantado originalmente por Peggy Seeger  (1957) por se tratar de um tema belíssimo que provavelmente se teria perdido na voracidade do tempo, se Roberta Flack não o tivesse recuperado. E seria lamentável não o poder recordar agora, não vos parece?
Pelo menos a mim, parece, pois esta canção leva-me a Península Valdez e a uma discoteca em Georgetown. Isto está tudo ligado...

As vantagens da privatização dos transportes

PSD e CDS tentaram vender à pressa os transportes públicos de Lisboa e Porto, alegando que a entrega ao sector privado traria vantagens aos consumidores, porque o transporte seria mais barato.
Eu não sei se Sérgio Monteiro acreditava mesmo naquilo que dizia, ou estava apenas a olhar para eventuais vantagens pessoais da privatização dos transportes. Também não sei se aquele grupo de deputados que suportava o anterior governo tinha consciência do impacto das privatizações na vida dos cidadãos. A bem da verdade, nem sequer sei se dariam alguma importância a isso.
Sei, outrossim, que os operadores  privados de transportes, na Área Metropolitana de Lisboa  cometeram pelo menos 201 infracções ao despacho  do governo que  fixa em 1,5% o aumento máximo dos títulos de transporte em 2017. Ou seja: em 34% dos títulos de transporte, as operadoras fizeram aumentos superiores ao estipulado no despacho normativo.
Realmente, a privatização dos transportes só traz vantagens.

Hoje há palhaços



Será impressão minha, mas parecia-me mais lógico que a comunicação social  estivesse hoje a destacar  o défice de  2,3% e o impacto positivo  que terá  na Europa, do que a dar importância a um cabotino que, por mera estratégia de poder pessoal, se marimba nos interesses do país e vota contra uma medida que defendeu enquanto era pm mas agora rejeita porque " é a favor da descida da TSU, mas não para aumentar o salário mínimo". 
Mas isto sou eu, tuga bacocamente orgulhoso, por constatar que o governo do meu país demonstrou à Europa que as desconfianças com a geringonça e o modelo de governança adoptado pelo PS eram infundadas. E por ter demonstrado aos iluminados economistas liberais, que havia alternativa à austeridade por eles imposta ( cegamente seguida pelo governo Passos / Portas) que  deixou milhares de famílias na miséria e expulsou milhares de jovens do país.
E também sou eu, jornalista reformado, que não se adaptou a este jornalismo pós moderno, onde a verdade  e a intriga são construídas por palhaços com carteira de jornalista.

Drones solidários



Há dias, o Miguel Esteves Cardoso escreveu uma crónica sobre a praga dos drones. Também eu aqui me insurgi contra os drones e a nova legislação imprecisa e permissiva.
Hoje, porém, venho aqui manifestar a minha satisfação por existirem drones. Vou tentar  explicar em  breves palavras.
Há algumas décadas  Podentinhos, aldeia próxima de Penela, tinha 600 habitantes. A falta de condições para uma vida digna obrigou muitos  habitantes a deixar a aldeia em busca de uma vida melhor. Outros morreram. Outros ainda foram viver com familiares, ou colocados em lares.
 Em 2015, a  aldeia de Podentinhos tinha apenas um habitante Com 79 anos e escassos recursos, o sr. Joaquim recebe apoio domiciliário  ( higiene pessoal, limpeza da casa, lavagem da roupa e assistência médica)da câmara de  Penela e da Santa Casa da Misericórdia de Coimbra. 
Todos os dias uma carrinha lhe vai levar o almoço, mas o estado das estradas ( nomeadamente em dias de chuva) dificulta ou mesmo impossibilita a tarefa e, obviamente, quem mais sofre as consequências é o sr. Joaquim.
Ora, graças a um entendimento entre a Santa Casa e a Câmara de Penela e  o apoio técnico de uma start up do Porto, em Dezembro o almoço do  sr Joaquim começou  a ser entregue por um drone. A  ideia é boa. Poupa-se tempo e dinheiro. Mas, felizmente, só irá  ocorrer pontualmente, quando as condições não permitam alternativa. A Câmara de Penela e a Santa Casa de Coimbra (ainda) mantêm a lucidez e percebem que tão importante para o sr Joaquim, como receber a refeição diária, é manter contacto com as pessoas e receber o afecto de quem presta apoio domiciliário.
Entretanto, a startup que materializa o projecto, já imagina os seus drones a fazerem novas rotas para entregar refeições ao domicílio. E é aqui que a ideia começa a perder encanto. Ver os idosos cada vez mais isolados e carentes, não é nada bonito.
E, em termos práticos, se a prática se tornar habitual, colocam-se ainda e estes problemas