quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Memórias em vinil (38)

Regresso à canção francesa, para recordar um cantor... americano. Ou melhor. Joe Dassin nasceu em Nova Iorque, faleceu em  Papeete (Tahiti), mas foi na Europa, a cantar em francês, que conheceu o sucesso nos anos 60 e 70.
No meu baú tenho vários singles e 45rpm de Joe Dassin, além de um LP com o Best of.  Quando  cumpria a difícil tarefa de selecionar uma canção para esta noite, apercebi-me que ouvir Joe Dassin ainda me provoca o mesmo arrepio do tempo em que  dançava agarradinho estas melodias a que alguns chamavam "canções para constituir família".
Recordei, obviamente, namoradas a quem perdi o rasto, outras que se tornaram  amigas  para a eternidade e muitas histórias.
Foi quase doloroso escolher. Acabei por me decidir por estas duas que andaram na boca de toda a gente, mas também podia ter escolhido " Salut", "A toi", "L´été indien" " Ça va pas changer le monde" " Le Café des trois colombes " e tantas outras que me trazem memórias de tempos longínquos que recordo sem nostalgia, mas com saudade.


Desejo-vos uma boa noite e boas recordações

Caderneta de cromos (54)



Sérgio Monteiro  foi contratado por Carlos Costa para o Banco de Portugal, com o objectivo de vender o Novo Banco. Está a  ganhar uma fortuna, pelo que o mínimo que se lhe podia exigir era que conseguisse boas propostas e fazer um bom negócio.
Ao que parece, as propostas apresentadas  são vexatórias, não há hipótese de fazer um bom negócio e a melhor solução será mesmo nacionalizar o Novo Banco, ainda que temporariamente.
Um qualquer trabalhador que não atinja os objetivos definidos pelo patrão, pode ser alvo de um processo disciplinar que termine com um despedimento.
Nada disso acontecerá a Sérgio Monteiro, um protegido de  Passos Coelho e Marilú, com imunidade garantida por Carlos Costa.
O ex moço de Marilú não tem estaleca para integrar esta caderneta de cromos, mas como não tenho uma caderneta apropriada à sua dimensão, fica aqui a fazer companhia ao patrão e protector, que ocupará o lugar nº 55.

Adelina



Tinha prometido a mim mesmo, após a morte de Mário Soares, só escrever um post a agradecer-lhe. Escrevi-o no sábado, logo que soube a notícia.
Entretanto, o que nas horas e dias seguintes fui lendo  nas redes sociais provocou-me tamanha indignação, que não cumpri. Gente que escreveu comentários insultuosos na página de FB de João Soares, ou que escreveu no livro de condolências “ Já vais tarde” provocou-me enorme repulsa  e decidi responder “à letra”.
Fiz mal. Reagi como um daqueles energúmenos que escrevem no "Blasfémias"
Tenho a certeza que Mário Soares seria o primeiro a criticar algumas coisas  que escrevi, mas eu nunca tive a sua sabedoria, nem fui ungido com a sua  tolerância.
Agora, mais a frio, reconheço que talvez me tenha excedido em algumas palavras, mas resta-me a consolação de não ter banido do FB pessoas que, sendo "amigas" me surpreenderam pela sua incapacidade em reconhecer a felicidade de Portugal ter  tido um político como Mário Soares, depois do 25 de Abril.
Uma cena a que ontem assisti num dos canais de televisão, obriga-me a escrever um último post sobre Mário Soares.
Entre muitas pessoas vindas de diversos pontos do país para prestar um último tributo a Mário Soares, a jornalista interpelou uma septuagenária de Famalicão, pedindo-lhe que lhe explicasse as razões de ter vindo de tão longe
Adelina não se fez rogada. Começou por declarar a sua gratidão a Mário Soares e rematou desta forma exemplar:
“Eu tinha 35 anos no 25 de Abril. Os pais que expliquem aos filhos quem ele foi e como vivíamos antes do 25 de Abril
Nós, crianças, éramos obrigadas a trabalhar. Se os jovens de hoje tivessem conhecido aqueles tempos, saberiam que vivem no paraíso”.

Esta declaração de Adelina emocionou-me, também pela credulidade. Ela acredita que homens e mulheres, hoje com 40 e 50 anos, que desconhecem o que foi o Estado Novo, reproduzem barbaridades sobre Soares que ouviram nas redes sociais e lamentam a perda das colónias ensinem aos filhos quem foi Mário Soares.
Já muito bom seria que a escola o fizesse com a isenção requerida mas, pelo que tenho visto,
nem isso é possível. É que há professores cuja interpretação do 25 de Abril roça a ignorância e a indigência intelectual.