quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Memórias em vinil (33)



Regresso à canção italiana. Eu sei que muitos leitores já estarão a pensar: tanta canção italiana bonita, tantos cantores talentosos e o Carlos traz aqui este caramelo?
Pois é... mas  se virem o vídeo vão dar por bem empregue o vosso tempo e ainda são capazes de ir para a cama com um sorriso e a cantarolar este "Amore Scusami", grande sucesso da canção italiana (1964).
Perguntarão alguns leitores: mas esse John Foster é italiano? É. Só que com o nome de baptismo não se safava. Naquele tempo alguém comprava um disco de um tipo chamado Paolo Occhipinti? E pronto, ficou John Foster, para grande irritação do legítimo, certamente.
Permitam-me que vos relembre:NÃO PERCAM ESTE VIDEO!


Those were the days (39)


                                               O Monumental de que tenho saudades é este



Nas vésperas de Natal, o Canal Q perguntou-me o que tinha a dizer sobre  o encerramento dos cinemas  Monumental.
Fui apanhado de surpresa com a notícia, mas a resposta veio-me fluida:
NADA!
- Não sente a falta de umas salas de cinema tão emblemáticas  no Saldanha?
Emblemáticas para quem?  Para mim, emblemático era o cine teatro Monumental que Nuno Abecassis substituiu por um mamarracho de vidro.
- Portanto as salas de cinema do Monumental não lhe fazem falta?
Absolutamente nenhuma. Falta fazem-me salas como o Londres, o King, o  S. Jorge, o Império ou o Quarteto. Salas de cinema em centros comerciais, com pipocas, coca cola, arrotos e gente que não se sabe comportar em público, dispenso. Prefiro ficar a ver um filme em casa.
E o centro comercial?
Chamar ao Monumental centro comercial é um upgrade natalício?- perguntei em tom irónico.
O ar descoroçoado e atónito do entrevistador fez-me sentir alguns remorsos mas, por outro lado, fiquei satisfeito por perceber  que o Monumental, embora por razões bens diversas das minhas, continua a ser uma referência para os jovens.
E ao pensar nisso, lembrei-me dos inúmeros pequenos centros comerciais que tiveram os seus anos de glória nos anos 70 e 80 e estão agora encerrados ou às moscas. Como o Monumental, que sempre se revelou um fiasco como centro comercial.
 Que bom seria se o Teatro Monumental ainda estivesse a funcionar. Talvez outros ícones da zona como o Monte Carlo e a Colombo não tivessem fechado portas, para serem invadidos por uma cadeia de fast food e uma multinacional de vestuário, que recorre ao trabalho escravo.
Mas isto sou eu a divagar...

Ensaio sobre a cegueira



Se não percebe as razões desta iniciativa, siga o link, escute a canção "Não dá p'ra fazer amor sem ter Você" e talvez fique mais próximo de encontrar uma explicação.
Que o Brasil ( tal como Portugal) está cheio de malucos já sabia, mas este deputado é bem pior que  o Tiririca.

Um alentejano com visão (cu)lateral



Luís Godinho, um alentejano de Évora, queria desesperadamente entrar para o anedotário local. Faltando-lhe talento para  atingir tal desiderato, vestiu-se de amarelo, pôs um apito na boca e ofereceu-se ao Conselho de Arbitragem (CA) para ir a Moreira de Cónegos  arbitrar um jogo de futebol.
Depois de uma noite de copos, onde o factor cunha também teve um papel relevante, o presidente do CA lá o mandou arbitrar o jogo entre o clube local e o FC do Porto, mas não sem antes lhe entregar uma mensagem onde se lia:
" Faz como o Capela em Chaves  e serás recompensado com  a glória de primeiras páginas nos jornais".
Luís ficou magoado. Não queria ser confundido com um insignificante Capela dos roubos de Igreja, capaz mesmo de roubar a caixa das esmolas. Decidiu, por isso, ser original. Copiou Capela fazendo vista grossa a duas grandes penalidades a favor do FC do Porto, mas depois mostrou toda a sua originalidade, inventando uma nova regra no futebol:
- Se o árbitro vier a correr de costas e abalroar um jogador, deve mostrar-lhe o cartão vermelho.
O objectivo desta regra é mostrar que um árbitro (in)decente também pode manipular resultados se tiver uma boa visão pelo olho do fundo das costas. Ou, por outras palavras, que tenha uma visão de m....
Não fossem as minhas suspeitas de que Luís Godinho se terá inspirado numa cena que vi nas vésperas de Natal nos jardins do Casino do Estoril, estaria neste momento a louvar-lhe a astúcia e criatividade. E não fosse a minha indignação por ver o FC do Porto ser sistematicamente roubado por arbitragens indecorosas, nos dois últimos anos, não lhe recusaria os meus aplausos.
Acontece, porém, que os roubos sistemáticos me fazem lembrar os tempos do Calabote que por coincidência (ou talvez não) também era alentejano. E, ainda mais curioso, também de Évora.
Quase me apetecia dizer que há uma enorme incompatibilidade entre ser eborense e árbitro. Mas não vou por aí. Os eborenses são gente honesta, desde que não lhes ponham um apito na boca.
Prefiro, pois, direcionar as minhas críticas para quem conferiu aos árbitros um estatuto  de impunidade. Refiro-me obviamente ao presidente do CA que advoga severas penas e multas pesadíssimas para quem criticar a arbitragem. Mesmo que os erros sejam tão clamorosos como o de Luís Godinho, que expulsou um jogador que ele próprio abalroou, as vítimas têm de ficar caladinhas, porque senão o presidente do CA castiga-os.
Obviamente que na comunicação social do costume vão surgir "provas irrefutáveis"  de que Danilo tentou agredir o árbitro. Os jornalistas desportivos são como Luís Godinho. Vêem pelo olho que mais lhes convém e o resultado é escreverem caca. 
Nota final: o FC do Porto está fora da Taça da Liga por culpa própria, pois não conseguiu vencer os dois jogos em casa contra Belenenses e Feirense, apesar de ter jogado o suficiente para ganhar. Mas ser roubado desta maneira indigna qualquer pessoa de bem. É que a arbitragem das duas últimas épocas está ao nível das do tempo do Estado Novo, quando o beneficiado era sempre o mesmo. Tenho é pena de ver alentejanos ligados a esta escandaleira, tão típica do tempo em que um clube da segunda circular tinha de ganhar o campeonato, mesmo que o árbitro tivesse de inventar penalties e meter golos pelos avançados...