segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Memórias em vinil (31)

Fui encontrar este disco no meio de uma parafernália de discos sem capa, acotovelando-se num daqueles álbuns para 45rpm.
Não me lembrava de Roger Whittaker, mas recordo-me bem desta canção que me pareceu apropriada para iniciar 2017:
"I don't believe in if anymore"
Eu também não, mas acredito poder contribuir para as vossas insónias, se esta canção porventura vos trouxer recordações agradáveis.
Tenham uma boa noite.

Concessões...

O governo anunciou a abertura de concursos para a concessão de 30 edifícios históricos espalhados pelo país.
Não é uma excelente notícia, mas é uma forma de contornar a falta de verba do Estado para garantir a sua manutenção.
O objectivo é preservá-los e evitar a sua degradação, para que se mantenham vivos na nossa memória colectiva e possamos continuar a desfrutá-los. Seja como pousadas, hotéis, museus ou espaços de cultura e lazer.
O Estado consegue, por esta via, arrecadar uma receita a rondar os 150 milhões de euros, garantindo a preservação daqueles espaços, pelo menos nos próximos 25 a 30 anos.
Não estarei aqui para ver, mas gostaria de saber em que estado estará o Forte de Peniche - que foi retirado da lista de edifícios históricos a concessionar, por pressão da opinião pública-  em 2047. E, já agora, quantas pessoas terão podido visitar aquele monumento histórico, testemunho de um passado sombrio que não se pode esquecer.
Por outro lado, não tenho grandes dúvidas de que os edifícios concessionados, na sua esmagadora maioria, poderão ser visitados. Mas quantos conhecerão a história que eles encerram?


É só para relembrar



Que  já estamos em 2017 mas...

continuam a chegar refugiados à Europa;

continuam os atentados terroristas;


aumenta a tensão entre a Arábia Saudita e o Irão;

a Coreia do Norte, governada por um doido, é uma potência nuclear;

 o crash financeiro na China poderá desencadear uma nova crise financeira à escala global;

o Daesh continua vivo e não será desmantelado apenas com bombas, porque muitos dos seus fanáticos militantes vivem na Europa;


a Europa continua mergulhada numa profunda crise;


a crise não se resolve com  austeridade, mas com solidariedade;

a solidariedade é impossível, enquanto cada país pensar apenas por si e não com um espírito europeu;


Se não houver espírito europeu, a crise instalada contribuirá para aumentar as desigualdades;


o aumento das desigualdades aumenta o descontentamento das populações;


as populações descontentes  deixam-se facilmente seduzir pelo canto da sereia da extrema direita;

a extrema direita está a crescer em todo o espaço europeu, fomentando a xenofobia;


a xenofobia conduz à violência;


a violência faz aumentar a ameaça de desintegração europeia;

apesar de tudo isto, os portugueses voltam a endividar-se como se não houvesse amanhã;

os bancos continuam a conceder crédito ao consumo sem grandes objecções, porque sabem que os contribuintes cá estão para pagar o crédito mal parado.

Publiquei este texto aqui em Janeiro de 2016 mas um ano depois mantém-se actual.
Há um ano apenas incluí mais esta frase:

"o espaço europeu ameaça desintegrar-se se, ainda este ano, os ingleses votarem a favor da saída da UE".
Concretizado o Brexit, este ano novos desafios se colocam na Holanda, Itália França e Alemanha, que poderão precipitar a inevitável desintegração europeia. Salvo se, por milagre, aparecer por aí um qualquer líder europeu que ponha esta gente toda a reflectir sobre os erros que cometeu durante o percurso que colocou a UE em estado comatoso.