terça-feira, 21 de novembro de 2017

Onde é que isto vai parar?

Há dias escrevi aqui sobre a seca da nascente do "meu" Douro.
Este fim de semana ficou a saber-se que o Tejo está a morrer.
A diferença é que a morte do Tejo, além de causas naturais ( a seca)  está   a ser provocada por intervenção humana. Para ser mais preciso: a agricultura intensiva no sudeste de Espanha está a contribuir para a alteração do ecossistema num lago, onde a água já não flui. Também as descargas no  Tejo  efectuadas por empresas têm  contribuído de forma muito significativa para a  do doença que afecta o Tejo. A passividade das autoridades ambientais que há vários anos conhecem o problema e sabem quem são as empresas responsáveis não pode ser justificada com os custos económicos e sociais que resultariam do encerramento das empresas poluidoras. Os custos a pagar pelo país serão muito mais elevados se deixarem o Tejo morrer.
O Tejo é "apenas" o maior rio da Península Ibérica. Se morrer, a vida vai ser ainda mais difícil para portugueses e espanhóis.

2 comentários:

  1. Ontem ouvia aqui um grande produtor de vinho, da zona do Douro, a queixar-se nem tanto da vinha (está irremediavelmente afectada) mas mais do pasto para os animais que também há lá na quinta.

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  2. O assunto é grave e não é só com os "seu" Douro. A Natureza não tem dono. mas como é um crime o que se passa, permita-me que junte mais uma opinião de outras partes do País onde nascemos:
    Sobre este assunto trascrevo aqui o a opinião dum professor universitário, de mente aberta e grande cultura, com todos os costados em Évora:

    «Era uma vez um montado….
    Azinheiras e sobreiros cresciam lentamente, resistindo a todo o tipo de intempéries, suportando, ventos de suão ou saraivadas de norte; sustinham o orvalho, filho das fortes neblinas e enrrolavam-se noites dentro, com o nevoeiro cúmplice que as acariciava serpenteando entre as suas ramagens densas e duras,criando condições para a germinação matinal da bolota….
    Mas houve um dia, em que a pacatez do grunhir dos porcos na sua vizinhança, o mugir das vacas mais distantes,o grasnar da rã num pequeno sapal junto ao rio moribundo , ou mesmo o regougar da raposa… se interrompeu com o trepidar do solo, por mor do avanço das máquinas de arrasto, ameaçadoras, na direcção do montado cortejado que era, pelo gargarejo que a partir do pequeno rio, as carpas, barbos e achigãs pareciam emitir como sinal de pertença ao sequioso montado…
    Peixes de rio, dirão os engenheiros, que doravante colocariam medidores de cheias,evitando que a pesca terminasse logo ali.E assim, definiram a cota de enchimento da barragem, permitiram a criação de ilhas, inventariaram perdas e ganhos das empresas e políticos, reforçaram a sua imagem,criando laços entre o poder do centro e o das periferias que cercavam o montado. E para que o povo, esse elemento transponível umas vezes e não outras, sufocado, não padecesse de revolta contra o poder da engenharia,, foi criado um espaço de lazer, a que se chamaria praia fluvial,à beira do montado,onde existiram sobreiros e azinheiras que segredavam historias de encantar aos pastores das transumâncias de outrora…
    Mas como o povo é sereno, ladeando os sobreiros e azinheiras que se encostam agora ao caudal do rio, os engenheiros, mandaram semear relva…e que fosse regada diariamente, pois a relva necessita de ser regada… mesmo que roçe as azinheiras e os sobreiros de sequeiro, que se enrrolavam noite dentro com as neblinas,quando não, o vento suão, na maré das amplitudes sazonais…
    Paz à alma das azinheiras do meu país e do meu Alentejo, que não arderam por excesso de água,por ordem dos engenheiros….»

    meu comentário:

    Gisela ... Tive um professor de Geografia que, nesses velhos e passados anos, era o maior critico do plano de rega do Alentejo. Foi o melhor professor que tive e ainda hoje o recordo com saudade. Na altura nem percebia tão acérrima crítica (sei que defender as suas ideias, na altura em que era proibido ter ideias, me valeu um 16 ou 17, já nem me lembro), mas hoje só quem não quer ver é que não vê. Os espanhóis aproveitaram e bem, porque na terra deles já nem podem poluir mais com agriculturas intensivas, e só nos mandam o resto da água que não precisam já bem poluída. Triste país que tão mal tratado tens sido, para que outros, poucos, enriquecessem e tomasem banho no suor de quem tanto trabalhou!

    Sua resposta:

    João.... "Tal e qual...A debilidade dos nosso técnicos agrícolas, bem como dos nossos autarcas, todos eles extensão de caciquismo visceral de que enferma este país, desde que foi criado, deu este resultado. Um ou dois deles, resolveram regar intensivamente relva que rodeia azinheiras.Resultado: a morte das ditas,por razões óbvias. A esmagadora maioria destes capatazes dos interesses de alguns politicos e clientelas políticas, nunca entrou por um montado dentro, não distinguem uma azinheira dum sobreiro mas preenchem a maioria dos quadros de tecnicos superiores.Quanto à água que deveria chegar à ponte do Guadiana que separa Reguengos de Mourão,jaz a montante uns bons 50 metros. È muito grave o que se está a passar quanto à retenção das águas do Guadiana em Espanha."






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