terça-feira, 3 de outubro de 2017

Jovens, Instruídos e Tontos

Isaltino Morais foi  acusado de corrupção e condenado pela justiça. Cumpriu a sua pena, pelo que tinha toda a legitimidade para se candidatar à Câmara de Oeiras onde foi tão feliz.
O que espanta é que o concelho mais jovem e mais instruído do país o tenha escolhido entre 12 candidatos. Os motivos da escolha são um mistério que conduz sempre à frase de telenovela  brasileira " Rouba mas Faz". Para gente jovem e instruída parece-me muito poucochinho, mas provavelmente o problema é meu.
Estarei no entanto muito atento quando algum habitante de Oeiras vier  acusar um qualquer político por ser corrupto. 
Se ainda fosse vivo,  Ettore Scola era bem capaz de estar por estes dias em Oeiras a recolher elementos para  um novo filme. 
Seria um remake de "Feios, Porcos e Maus" e teria como título " Jovens, Instruídos e Tontos".
O argumento giraria, obviamente, em torno de uma questão pertinente: ser instruído e jovem torna as pessoas mais inteligentes e tolerantes com os corruptos?
Então, o melhor é voltarmos ao tempo do analfabetismo, caso contrário, Sócrates nós, os néscios, ainda nos arriscamos a ver Sócrates em Belém.

4 comentários:

  1. Eu sou o tipo de pessoa que jamais votaria no tipo, pelos motivos acima descritos e outros.
    No entanto, quando disse que é muito poucochinho, há que levar em conta que as diferenças ideológicas já não existem e que as autarquicas não são nem têm nada a ver com as legislativas, embora os politicos gostem de passar horas a falar de coisa nenhuma, ou seja, do impacto.
    Os partidos ou organizações são escolhidos para as câmaras por proximidade. E as pessoas vêm o que se passa todos os dias no seu quotidiano nos sítios onde vivem.
    E a verdade é que só não se vêem situações estranhas se se quiser mesmo olhar para o lado.
    Isto, acaba por colocar TODOS no mesmo saco!
    E quando as pessoas olham com olhos de ver e acham tudo igual, têm de procurar uma diferença. Seja ela o facto de os candidatos virem de fora das organizações partidárias, seja o facto de gostarem da personalidade do presidente que já lá está, seja por demonstrarem obra.
    E convenhamos, sendo intelectualmente sinceros, que Oeiras antes do Isaltino não é a mesma que Oeiras depois do Isaltino.
    Mais, câmaras detidas durante décadas pelo mesmo partido são as que têm mais tiques de autoritarismo. Dão tudo como garantido. Estas eleições tiveram também o condão de demonstrar que há cada vez menos entrincheiramento em linhas ideologicas, o que permite que as ideias sejam discutidas por si próprias e não à luz de correntes politicas. Eu, durante anos, votei num partido do qual discordo profundamente nas autárquicas, porque achei que, independentemente da linha politica na assembleia, havia um trabalho que via feito. E desta vez não votei nesse partido porque achei que não está a fazer um bom trabalho.

    Portanto, embora eu não me reveja minimamente no Isaltino, consigo, sem esforço, compreender a sua reeleição. Afinal, parece sina que tanto Portugal como Oeiras tenham corruptos e ladrões a fazerem o que os supostamente sérios não fazem!

    Basta pensar que o antigo habitante do passo de Oeiras, no Sec XVIII, também não era flor que se cheirasse...
    ...aliás, o Isaltino, ao pé dele, é um mero amador...
    ...mas se não fosse ele, que teria sido de Lisboa?

    :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Julgo que a grande diferença entre o conde de Oeiras de então e o Isaltino de agora é o factor democracia. Enquanto hoje Isaltino depende de uma escolha livre do povo de Oeiras, o outro terá sido imposto pelo poder real. Sinifica que os democratas têm responsabilidade acrescida.
      Mas o povo não tem emenda. E por vezes envergonho-me de lhe pertencer. No caso Isaltino, por exemplo.

      Eliminar
  2. Respostas
    1. ah, ah, ah...coitado do Sócrates que também é José. Pobre dele, injustiçado pelos portugueses.

      Eliminar