quinta-feira, 19 de outubro de 2017

A ver a banda passar!



Um tipo faz uma queimada (proibida por lei). As condições atmosféricas provocam a propagação da chama, daí resultando um incêndio de grandes proporções. De quem é a culpa? Da ministra, obviamente.
Um condutor deita uma beata acesa pela janela. O calor propicia uma ignição rápida, o incêndio deflagra em segundos, as labaredas ceifam vidas e destroem casas. De quem é a culpa? Da ministra, obviamente.
Está um dia de calor insuportável. A jovem está no jardim e não resiste a banhar-se no lago, ignorando os avisos de proibição que estão por todo o lado. Ao final do dia começa a vomitar, é levada para o hospital e morre. De quem é a culpa? Do ministro da saúde, obviamente
Uma criança  queixa-se do calor que está na piscina, reclama aos pais que o levem para casa, os pais mandam-no calar, a criança vai para junto da piscina, os pais continuam a conversar com os amigos, a criança cai à água e  morre afogada. De quem é a culpa? Da falta de fiscalização, obviamente
A família colocou o guarda sol por baixo de umas arribas, indiferente aos avisos de perigo. Uma pedra cai e mata uma criança. De quem é a culpa? De quem não fechou a praia, obviamente.
Um tipo entra na auto estrada em contramão. Choca com outro automóvel. Morre. De quem é a culpa? Da Junta Autónoma das Estradas, obviamente.
Um tipo enebriado pela febre consumista endivida-se, assumindo compromissos que não pode cumprir. Fica numa situação económica insuportável. De quem é a culpa? De um ministro, ou dos bancos. DELE é que não é de certeza.
O filho de 14 anos é  alimentado a fast food durante a semana e a shots nas noites de fim de semana. Chega a casa de madrugada bêbado,  está gordíssimo, sofre de diabetes, tem problemas cardíacos, não consegue concentrar-se nas aulas. De quem é a culpa? Do sistema de ensino.
Uma senhora escorrega num cocó de cão, parte uma perna e vai para o hospital. De quem é a culpa? Da Câmara que não limpou.
As pessoas vão para os jardins, parques públicos  e matas fazer piqueniques e não só não limpam a porcaria que fazem, como ainda deitam dejectos, restos  de comida e garrafas para o lago onde andam os patos e as fontes onde alguns se banham.  Chega um turista, vê aquela porcaria toda, comenta estes portugueses são uns porcos. Logo um tuga, indignado, se levanta e responde: Não, não! A culpa é da Câmara que não tem aqui vigilantes, nem limpa a porcaria dos jardins.
Um tipo ateia um incêndio porque é maluquinho, ou porque foi pago por alguém para o fazer. De quem é a culpa? Da ministra, obviamente!

Somos uma Nação com quase 900 anos, mas o povo que habita este rectângulo não consegue ultrapassar a idade mental de 9.  Além de irresponsável, nunca assume a culpa dos seus actos. Há-de sempre apontar o dedo acusador a uma qualquer pessoa ou entidade, como escudo da sua incúria.
É altura de os portugueses  saberem comportar-se com civismo e assumirem as suas responsabilidades. CRESÇAM, PORRA! Por uma vez na vida, assumam as vossas responsabilidades em vez de perderem tempo a encontrar culpados.
Reconheça-se, porém, que numa coisa se pode apontar o dedo ao Estado: não ter coragem de obrigar as pessoas a comportarem-se com civismo, respeitando as leis e regulamentos e optar pelo eterno "deixa andar" dos brandos costumes de um país cujo povo tem como desporto favorito, A ver a banda passar.

10 comentários:

  1. Muito bem, Carlos!
    Subscrevo cada palavrinha!

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  2. Metade do que conta é fantochada. Ou, a existir, é caso único e de gente que sofre da caixa dos pirolitos. Mas, à parte os exageros criativos, é verdade que somos desregrados e que o Estado nos devia obrigar ao comportamento cívico. Porque parece não haver outra maneira. Mas há ainda mais a mudar no próprio Estado. Como é que a gente o há-de obrigar a ser?! Acho que morro sem conseguir.

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    1. Não sei em que país vive, Bea, mas garanto-lhe que 90% das situações que aqui descrevo são recorrentes e não casos isolados. Sei muito bem do que falo e, se um dia tiver oportunidade de falar consigo digo-lhe porquê.
      Quanto à necessidade de mudar o Estado, concordo em absoluto consigo

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    2. Já reparei que não vivo no mesmo país de muita gente. Já que concordamos nesse item, mude-se o Estado.

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  3. Todos têm que mudar de mentalidade e comportamento.
    Estado (seja lá qual for o estupor do partido que governa) e cidadãos.

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    1. Estou absolutamente de acordo, Pedro.

      Como vivemos longe de Portugal, analisamos os acontecimentos com a razão; sem emoções partidárias.

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    2. Presunção e água benta, cada um toma a que quer, Teresa.
      Já constatei que ama tanto Passos Coelho, que cada vez que aqui o ataco sai em defesa dele. Já confessou que admira Cunhal e é ( foi? Já estou baralhado) simpatizante do PCP. É constante a odiar Costa, nunca reconhecendo nele qualquer virtude. Até chego a pensar se não será racista.
      Presumo, no entanto, que tendo votado n a Alemanha num partido antieuropeu, o tenha feito racionalmente. Está no seu direito. A Alemanha sem emigrantes e só com branquinhos, loiros e de olhos azuis é outra coisa. Mas isso já sabíamos desde Hitler.

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    3. Só vejo duas maneiras de o Estado mudar, Pedro. Fazendo cumprir as Leis e aumentando a fiscalização e as coimas. Não sei é se as pessoas acatarão isso de bom grado.

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