sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Para mim (não) vens de carrinho...




Assinala-se hoje mais um Dia Europeu sem Carros.
Longe vai o tempo em que o dia era encarado de forma séria. Actualmente, no DESC continuamos a ver automóveis  estacionados em transgressão,  a invadir o espaço de peões, ou a expelir veneno (CO2 é mesmo venenoso) para a atmosfera, perante a maior indiferença dos cidadãos.
Nada há mais degradante numa cidade do que o espectáculo de automóveis a circular em zonas pedonais, ou  estacionados em cima de passadeiras e passeios, numa manifestação brutal de desrespeitos pelos cidadãos.
Os leitores que me acompanham há mais tempo sabem que há muitos anos sou defensor da introdução de portagens  nas grandes cidades e posterior proibição da circulação automóvel, pelo menos nos centros históricos.
Tenho sido alvo de algumas críticas por teimar nessa medida mas sempre respondo da mesma forma: a circulação condicionada já é uma prática  habitual em muitas cidades do mundo, nomeadamente na Europa pelo que, mais tarde ou mais cedo, Lisboa e Porto serão obrigadas a tomar idêntica medida, para preservar a saúde de  quem vive e trabalha nas duas cidades.
Devo dizer que hoje estou ainda mais convencido de que esse dia está cada vez mais perto.
 Para já, 11 cidades europeias decidiram proibir a circulação de automóveis a gasóleo  anteriores a 2014. É apenas um primeiro passo a que por cá ninguém parece dar importância. 
Lembro, porém, que embora 2025 seja a data de proibição  apontada pela maioria das cidades, algumas adoptarão a medida  já a partir de 2019.
Enquanto em Portugal o assunto ainda não se discute, outras medidas para descongestionar o trânsito nas nossas cidades estão a ser debatidas  durante a campanha autárquica. A mais importante será a da mobilidade partilhada. Em breve, a introdução da partilha automóvel será uma realidade, pelo menos em Lisboa e Porto. Estou curioso em saber se esta ideia terá sucesso num país onde as pessoas olham para o automóvel como o prolongamento do seu próprio corpo.
A mobilidade partilhada, porém, não resolve o problema do trânsito asfixiante. Apenas o atenua. Medidas mais assertivas terão de ser tomadas. A pressão sobre o ambiente está a tornar a vida nas cidades  insustentável e, a breve trecho, a circulação automóvel terá de ser drasticamente limitada. 


4 comentários:

  1. Vai levar o seu tempo até que os cidadãos se consciencializem dos benefícios dessas medidas.

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    1. Bastava um bocadinho de coragem política para disciplinar o trânsito, Catarina, mas ninguém assume riscos que possam roubar votos.

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  2. Em Portugal nada se discute dentro do tempo. E quem o faz, ou tenta fazer, é cilindrado...

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    1. Eu que o diga, Graça, mas há um grande comodismo das forças políticas que fomenta essa situação.

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