terça-feira, 26 de setembro de 2017

Abriu a época de caça...



No meu tempo de estudante, a segunda quinzena de setembro era sinónimo de vindimas e vida no campo. 
Todos os anos ia  com os meus pais para  Mesão Frio ( um ou outro ano  também para Santo Tirso) fazer a vindima. Claro que para mim a vindima durava pouco mais de um dia. Durante umas horas apanhava meia dúzia de cachos de uvas, comia outros tantos e, entre dores nas costas e dores de barriga. se passavam os restantes dias.  (Houve também aquele ano em que a Emília me destroçou o coração, mas isso é outra história...)
Dizia eu, então, que para mim - e para muitos outros jovens da minha idade- setembro era, naquela época sinónimo de vindimas.
Actualmente, a segunda quinzena de setembro é a época em que abre a caça ao caloiro. Por estes dias e noites  vejo-os desfilar  pelos jardins do Estoril, de capa e batina vestidos, presumo que em preparativos para a grande farra da "festa de recepção ao caloiro" e as subsequentes praxes. Por agora ainda andam a treinar, mas a alcoolémia já é visível nuns quantos a partir das 11 horas da noite.
Dentro de dias começarão as cenas que aqui já descrevi algumas vezes e que considerava degradantes. Devo informar que mudei radicalmente de opinião depois de ouvir uma miúda que acabara de simular sexo oral e masturbação com uma banana, defender acerrimamente a praxe porque, na  opinião dela, a praxe ajuda a crescer.
Se assim é, peço imensa desculpa pelo meu juízo precipitado, retiro à praxe o epíteto de espectáculo degradante e aplaudo vibrantemente este Manifesto.
No entanto, pessoalmente, continuo a preferir o tempo das vindimas e das paixões platónicas associadas.

3 comentários:

  1. De uvas, o que mais sei para além de comê-las hoje a peso de ouro, é que os meus pais tinham uma parreira que sombreava o tanque da roupa. Dava uva mijona, sem préstimo que se visse e sem vindima; deixávamos os bagos à passarada que só os bicava ao engano. Porém, segundo alguns rapazes, nós, as lavadeiras desempoeiradas, ficávamos muito gentis emolduradas no verde folhedo da videira (era trepadora). E portanto, vindima, viste-a. Quanto a olhos verdes...para além dos gatos não conheci outros; e os rapazes da minha aldeia dá-me ideia que tinham medo do meu pai, não beiravam as suas moçoilas senão com os olhos e beijos nem de fugida, que é lá isso. Para nossa comum felicidade estudámos quando não havia rituais lamechas - nada de praxes, livros de curso, anel de curso, fardamentas. Nada de nada. Tem este espesso palavreado o fim de lhe garantir que não posso comentar de jeito. Mas houve intenção.
    Que o guarde Deus. Tenha uma boa noite.

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  2. Pois, permita-me que lhe diga, Bea,que comenta sempre com muito a propósito e gosto muito de a ler. Obrigado. Uma boa noite também para si.

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  3. A praxe foi completamente adulterada, Carlos.
    É pena que assim tenha sido.

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