quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Uma questão de berço (again)



O post que publiquei há uns dias  com  o mesmo título terá suscitado interpretações que não estavam no meu espírito quando o escrevi.  
Decidi, por isso, voltar ao assunto para fazer um esclarecimento.
A questão é transversal à sociedade. Seja em Portugal, ou noutro qualquer país do mundo onde a sociedade de consumo dita- diria mesmo impõe- regras e a estrutura das famílias se modificou, aumentando  exponencialmente o número de famílias monoparentais.
A monoparentalidade, associada ao consumismo, provocou uma alteração nas relações familiares agora muito marcada pela compra dos afectos. Os filhos "exigem"  coisas dos pais prometendo uma retribuição em afecto e os pais aceitam com naturalidade essa proposta.
Não raras vezes, com especial incidência nas famílias desestruturadas, são os pais a dar pretexto a esse comportamento dos filhos. Quando pai e mãe entram em concorrência na disputa pelo amor do filho,  este rapidamente se apercebe dessa disputa e aproveita-se dela. Já os pais, obcecados pela conquista do amor, não percebem que, com a sua disputa, estão a criar um pequeno tirano.
O tema merece um desenvolvimento que não cabe num blog como este e, muito menos, num post. 4
Termino, por isso, sublinhando que quando escrevo " uma questão de berço" não estou a fazer qualquer extrapolação para a condição social. 
Refiro-me, apenas, ao facto de ser no berço ( no sentido de casa/família) que se começam a moldar personalidades. 
Uma prova disso é que todos conhecemos jovens pobres muitíssimo bem educados e que não foram afectados pelo consumismo e jovens ricos mal educados e sofregamente consumistas. 

6 comentários:

  1. Tem toda a razão , Carlos .
    Boa quinta

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  2. Não tive qualquer dúvida sobre o título do post.

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  3. Fez bem em acentuar a precisão do termo que eu ia já daqui atirar um bitaite desasado a insurgir-me com os berços de ouro que podia mesmo estender aos de bronze. Mas assim, sempre lhe digo que isso de berço tal como a ele se refere é no fundo educação. E, portanto, não beijo nechechidade de repijar o achunto.
    Mas está bem.

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  4. Todos "nós aqui" somos inteligentes e percebemos, mas como o blogue tem muitas visitas nunca é demais esclarecer o assunto, para não passar por betinho burguês, por quem não o acompanha normalmente. Há tanta gente que sem sequer ter dormido num berço tem tanto valor! Normalmente até são mais úteis à sociedade. Se o Carlos reparar nos nomes de consoante dobrada e sonantes de sociedade aperceba-se dos comentários nojentos que costumam fazer. Os novos ricos são a mesma coisa. Ao pobres de espírito perdoai-os. Eu por exemplo ando por aqui com uma missão de mal educada, alertadora de consciências. E a porrada que eu tenho levado?! mas devo ser masoquista. Hoje poa causa de alguém que falou num tecto de uma biblioteca Joanina, já disse o que tinha a dizer sobre o "magnânimo".

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    Respostas
    1. Ainda bem, Anfitrite.O seu comentário no outro post deixou-me com duvidas

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  5. Berço no sentido de educação ou falta dela, Carlos.
    Acho que isso ficou claro.
    E é óbvio.

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