quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Auto Europa:carne para canhão?



Os trabalhadores da Auto Europa iniciaram uma greve na noite de terça feira, que terminou ontem às 23h30m. 
Não vou aqui discutir se a greve é justa. Apenas quero lembrar que desde sempre  o diálogo entre trabalhadores e administração foi conduzido pela CT, pelo que me parece muito estranho que os sindicatos tenham avançado para uma greve antes de ser eleita a nova CT.
É por isso que não retiro uma vírgula ao que escrevi aqui no dia 8 de Agosto.
Lembro também que a Auto Europa emprega mais de 4 000 trabalhadores, está a contratar mais 1300 e tem sido apontada, ao longo de décadas, como um caso exemplar de diálogo entre patrões e trabalhadores.
Esta greve, alegadamente convocada por discordância com o trabalho ao sábado durante dois anos e meio ( ouvi um sindicalista dizer que não seriam todos os sábados) não visa defender os interesses dos trabalhadores. É uma tentativa dos sindicatos da CGTP marcarem posição na empresa e apearem a CT maioritariamente bloquista.
A História está cheia de exemplos  em que os sindicatos usaram os trabalhadores com intuitos políticos, em detrimento da defesa dos seus interesses.
Na Auto Europa os trabalhadores estão a ser usados como carne para canhão, numa guerra partidária à esquerda, que não coloca apenas em risco postos de trabalho na empresa, mas também em muitas outras empresas do Parque da Auto Europa.
Oxalá, daqui a uns anos, não vejamos milhares de trabalhadores a lamentar  terem caído num logro.

5 comentários:

  1. Que o diabo me perdoe, mas às vezes apetece perguntar o que seria se em Portugal houvesse layout, como há na maioria dos países que têm fábricas de veículos e não só. É-lhes tão fácil dizer, com o apoio dos que mandam nos trabalhadores, dizer: Nos dias tais e tais a fábrica fecha porque não há laboração suficiente. Aqui quando ganhámos o direito à greve ficámos entregues a uns bolchevistas, que se agarraram ao tacho e hoje não sabem fazer mais nada. Destacam-se Arménio Carlos e Mário Nogueira, que muitas vezes levaram outros líderes a tomar certas posições que não deviam ter tomado só par pôr água na fervura. Ainda hoje me lembro de um, o António Janeiro, que morreu numa assembleia geral de trabalhadores com um enfarte fulminante, porque defendia a Liberdade e a Democracia, naqueles tempos difíceis. Começou logo na primavera Marcelista a marcar a sua presença. depois vieram outros já mais interesseiros, penso eu, enquanto outros desde sempre viveram da política da terra queimada. Conheci, não sei onde ele anda agora, um pianista, que tocava num famoso bar do Estoril, em frente à polícia, (onde uma noite tive de ficar até às 5 ou 6 da manhã , já nem me lembro), quando era costume fechar às 2 porque foi decretado o Estado de Sítio por Costa Gomes e ninguém podia andar nas ruas antes dessa hora; mas dizia eu que vi na casa desse pianista numa grande Sala um enorme piano de cauda de grande marca que ele nos levou lá para ver porque tinha sido absorvido pelo povo numa grande quinta do Alentejo e foi vendido por tuta e meia. Infelizmente nem sabiam dar valor às coisas e assim foram também ao ar as cooperativas porque cada um queria ter a sua enxada...
    Espero que depois das eleições as coisas acalmem porque senão quem paga somos nós aqueles que pagam impostos e que são considerados classe média.

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    1. Deve estar a referir-se ao Saudoso Picwick, não?

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    2. Eu sabia que o nome era inglês, mas não sei porquê só me vinha à cabeça o English Bar, o Alib, que não tem nada a ver. Era esse mesmo, muito British em honra do mr. Pickwick. Era naquela rua estreitinha nas traseiras dos Bombeiros do Estoril. Ainda aguentou muito tempo, depois acho que virou centro comercial, mas era um gosto lá estar. O rapaz pianista vivia numa bruta vivenda na Parede. Acho que o apelido era afrancesado, mas como tenho tantos nomes na minha cabeça já não acerto um. Imagine que estou a lembrar-me de outro a que chamávamos Laverdure, também alto e magro, a quem chamávamos assim por ser parecido com o piloto da série que passou na Tv. Normalmente só conheço as pessoas pelos apelidos ou pseudónimos.

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  2. O que alguém escrevia com toda a razão - "esperemos não ter uma Auto Europa cheia de direitos e de .... desempregados".

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