quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCXXVI)

A chuva também me traz boas memórias de França.
Boa noite

Passos Coelho e a esquizofrenia





Durante o último fim de semana, as televisões repetiram à exaustão declarações de Pedro Passos Coelho criticando mais uma vez António Costa por ter feito acusações infundadas à Altice. Afiançava o líder do PSD que o relatório da ACT não tinha detectado UMA ÚNICA IRREGULARIDADE.
Se eu fosse ingénuo diria que PPC se enganara mais uma vez mas, como o prova à evidência o passado recente e remoto do líder laranja,  foi mais uma das mentiras deliberadas do  dandy de Massamá.
Na verdade, o relatório da ACT sobre a ALTICE detectou mais de uma centena de infracções e irregularidades, algumas das quais violam os princípios constitucionais.
O  percepcionismo ensina-nos que apreendemos o significado das coisas através dos sentidos, o que implica uma subjectividade analítica. 
Poder-se-ia dizer ( ou pensar), então, que foi a interpretação subjectiva de PPC que o levou a ler no relatório da ACT aquilo que não está lá. Seria um "remake" dos suicídios de Pedrógão Grande. 
O percepcionismo justificaria, igualmente, que PPC tivesse visto o Diabo, um novo resgate, a destruição da economia, a subida dos juros, o fim do investimento estrangeiro e até, quiçá, uma versão dos 3 Pastorinhos a aterrar numa azinheira em Massamá.
Infelizmente para ele e felizmente para os portugueses, sabemos que o percepcionismo não justifica  que PPC seja um mentiroso compulsivo. Apenas  revela que PPC tem distúrbios mentais graves. 
O homem  acredita mesmo que as mentiras que diariamente vomita na comunicação social se transformarão em verdade à força de tantas vezes as repetir. É uma paranóia que entra no domínio da esquizofrenia, pelo que me espanto e avergonho quando vejo que ainda há portugueses  dispostos a votar nele. 

Auto Europa:carne para canhão?



Os trabalhadores da Auto Europa iniciaram uma greve na noite de terça feira, que terminou ontem às 23h30m. 
Não vou aqui discutir se a greve é justa. Apenas quero lembrar que desde sempre  o diálogo entre trabalhadores e administração foi conduzido pela CT, pelo que me parece muito estranho que os sindicatos tenham avançado para uma greve antes de ser eleita a nova CT.
É por isso que não retiro uma vírgula ao que escrevi aqui no dia 8 de Agosto.
Lembro também que a Auto Europa emprega mais de 4 000 trabalhadores, está a contratar mais 1300 e tem sido apontada, ao longo de décadas, como um caso exemplar de diálogo entre patrões e trabalhadores.
Esta greve, alegadamente convocada por discordância com o trabalho ao sábado durante dois anos e meio ( ouvi um sindicalista dizer que não seriam todos os sábados) não visa defender os interesses dos trabalhadores. É uma tentativa dos sindicatos da CGTP marcarem posição na empresa e apearem a CT maioritariamente bloquista.
A História está cheia de exemplos  em que os sindicatos usaram os trabalhadores com intuitos políticos, em detrimento da defesa dos seus interesses.
Na Auto Europa os trabalhadores estão a ser usados como carne para canhão, numa guerra partidária à esquerda, que não coloca apenas em risco postos de trabalho na empresa, mas também em muitas outras empresas do Parque da Auto Europa.
Oxalá, daqui a uns anos, não vejamos milhares de trabalhadores a lamentar  terem caído num logro.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCXXV)

Hoje a chuva trouxe-me estas memórias.
Boa noite

Cavaco Silva tem toda a razão!



Ouvir Cavaco Silva  acusar o governo de falta de transparência democrática e falar no regresso da censura, seria motivo de gargalhada.
Convém, no entanto, contextualizar as palavras do antigo inquilino de Belém, para percebermos a sua humildade.
 Cavaco reconhece que isso seria um retrocesso, pelo que  deve estar a lembrar-se, entre outras coisas, da forma como impediu  Saramago de concorrer a um prémio literário europeu, vetou Carlos do Carmo e ostracizou todos os artistas e intelectuais que se recusaram a lamber-lhe o rabo, pelo que tenho de reconhecer que está cheio de razão.
Devo reconhecer que este gesto de humildade em reconhecer os seus erros durante 30 anos me sensibilizaram mas NÃO QUERO MESMO  MAIS ESCAVACADOS. Venham eles de Boliqueime, de Massamá ou do raio que os parta!
Sejamos justos e reconheçamos que Cavaco Silva, além de ser humilde,  tem imenso jeito para contar anedotas  ( Gostei especialmente daquelas em que  insinua que Marcelo é um papagaio e Portugal corre o risco de se transformar numa Venezuela)  Pena Cavaco não ter seguido a carreira de palhaço, pois não teríamos sido obrigados a aturá-lo nem a sustentar as suas mordomias durante 30 anos.
De qualquer modo, repito, sejamos justos: as críticas de Cavaco Silva ao governo são o melhor elogio à geringonça e mostram a qualquer pessoa que não seja imbecil e esteja no pleno gozo das suas faculdades mentais, que uma nova vitória do PSD seria o regresso ao esmagamento dos salários e pensões, para alimentar os amigos de Cavaco. É que aquela anedota  do ex PR sobre os investidores a fugir de Portugal, já tinha sido contada por PPC.




Do you understand,mr Trump?

O que está a acontecer no Texas não é um incidente ocasional,mr Trump. Nem é um castigo de Deus. É mesmo mais uma prova de que as alterações climáticas não são uma invenção dos chineses.
 Do you understand , or you need a draw?

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCXXIV)


Dizem que vem aí muita chuva, por isso pedi ajuda ao Nik Kershaw, para ver se a afasto...
Boa noite 

Assunção Cristas não é uma senhora?



Assunção Cristas ficou muito ofendida porque António Costa a tratou por senhora. Chegou ao cúmulo de dizer que foi uma afirmação machista.
Partindo do princípio que Assunção Cristas não é um travesti ou, quiçá, o alter ego de Portas, confesso que fiquei aturdido com a forma virulenta como a líder do CDS reagiu e só encontro uma explicação:
 Cristas é uma mulher muito p'ra frentex e teria preferido que Costa a tivesse tratado como  "a gaja porreira " do vestido de kiwis que foi ministra do ambiente e não fez a ponta de um corno enquanto lá esteve.

Praias da minha vida ( com histórias dentro)-4



Brighton (fotos Internet)


No Verão de  1970 , a pretexto de melhorar o inglês, fui com o meu irmão para Inglaterra, fazer um daqueles cursos de férias então muito em voga.
O colégio ficava distante de Londres, mas relativamente perto de uma praiazinha que na década de 60 era muito  apreciada pelos jovens: Brighton.
Para quem há 10 anos se habituara a praias mediterrânicas, Brighton era uma praia pouco apetecível, quase inóspita mas, em compensação, muito animada.
Apesar de todos os alunos serem maiores de 18 anos, o regime do colégio era pouco propício a saídas nocturnas.
É certo que havendo jovens de muitas nacionalidades, o tempo passava de forma agradável, mas habituado que estava a fazer o que me apetecia aos 20 anos, aquele regime de semi-internato provocava-me  bichos carpinteiros.
Por outro lado, nem eu nem o meu irmão admitíamos regressar a Portugal sem ir a Brighton, pelo que em conluio com uns amigos mexicanos conseguimos “subornar” o porteiro e, por uma vez, pudemos regressar ao colégio ás 11 da noite.
Um dia saímos  no final das aulas, como habitualmente, mas ficamos a jantar em Brighton e pudemos ter um vislumbre do que seria a animação em Brighton. ( Mais tarde conseguiríamos escapulir-nos diversas vezes e regressar ao colégio a tempo de tomar o pequeno almoço, ficando suficientemente conhecedores dos )
Quando regressámos,  o meu irmão e eu,  tínhamos uma inesperada recepção. Dois jovens marroquinos e um argelino receberam-nos exuberantemente e convidaram-nos para beber uma taça de champagne. Nenhum de nós estava a perceber a  razão dos festejos, pois a direção do colégio não anunciara a comemoração de qualquer aniversário naquele dia. Perante a nossa estupefação, os jovens magrebinos deram-nos a notícia de que Salazar tinha morrido.
Eu exultei e bebi não só a minha taça de champagne, mas também a do meu irmão que se retirou imediatamente para o quarto.
Quando, finalmente, me fui deitar, o meu irmão esperava-me e deu-me uma bronca. Considerava inadmissível que eu tivesse celebrado a morte de Salazar com uns “inimigos” de Portugal. Na opinião do meu saudoso irmão, que  regressara da Guiné poucos meses antes, depois de ter cumprido dois anos e meio de serviço militar em África, eu devia ter manifestado consternação e mostrado o meu patriotismo.
Expliquei-lhe que não era patriota, que esperava sair de Portugal muito em breve porque detestava o regime, a tacanhez de  Salazar, a mesquinhez de Caetano, a javardice da PIDE e  a corja de fascistas que nos governavam e me sufocavam.
Na altura não percebi que estava a ser extremamente injusto com o meu irmão que estivera em África a defender o país com convicção. Só no dia seguinte aquilatei a dimensão do meu erro que nos afastaria durante o resto do Verão. ( Curiosamente, em Outubro,  ele foi viver para Inglaterra e iria convencer-me a seguir o mesmo caminho).

Apesar de ainda hoje ter familiares a viver em Brighton, só uma vez  lá voltei. Não posso por isso dizer que Brighton foi uma das praias da minha vida, mas foi lá que se passou um episódio marcante da minha existência.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCXXIII)

Uma bela memória para iniciar a semana. Não vos parece? Boa noite e boa semana!

Grau 10 da indignidade

Chega-me de Macau a notícia  da demissão do director dos serviços meteorológicos e geofísicos.
De acordo com a informação recebida, a causa da demissão radica no facto de o sinal 10 de tufão só ter sido hasteado às 9 da manhã e não às 7, como aconselhavam as condições atmosféricas. Negligência?
Aparentemente, não. O hastear do grau 10 de tufão às 9 horas terá sido criteriosamente escolhido para não prejudicar...os CASINOS!
É que os casinos em Macau funcionam 24 horas por dia e às 8 da manhã há uma mudança de turno. Ora se o sinal 10 fosse hasteado às 7 horas, ninguém poderia sair nem entrar, o que acarrateria custos aos casinos e "perturbaria o seu normal funcionamento"
Ao hastear o sinal 10 apenas às 9 horas da manhã,  foi permitida a mudança de turno sem quaisquer perturbações, mas a tempestade apanhou milhares de pessoas na rua, com as consequências conhecidas.
Não pude confirmar se foi realmente essa a verdadeira causa  para o hastear tardio  do sinal 10 mas, se assim foi, estamos perante um caso de indignidade de tal dimensão, que merecia uma punição bem mais exemplar do que o simples despedimento.

The good, the bad and the ugly




O Pedro Coimbra faz várias considerações interessantes sobre o comportamento das pessoas durante o tufão que assolou Macau na semana passada. 
 O post  que ele escreveu fez-me lembrar o que se passou por cá durante o incêndio de Pedrógão, pelo que decidi partilhar convosco o comentário que lá deixei.
"Enquanto pessoas ajudavam como podiam e os bombeiros eram incansáveis, outras atravancavam a estrada com os seus automóveis porque "queriam ver o incêndio de perto" e outras ainda pilhavam os escassos haveres  de quem tinha ficado sem nada. E, claro, também apareceram os oportunistas, disfarçados de técnicos da segurança social, ou agentes de seguros, que  tentavam extorquir  aos mais velhotes e analfabetos as suas economias. 
O ser humano pode ser o mais delicado, bondoso e solidário ser vivo à face da Terra mas, como o Pedro muito bem diz, também sabe ser o mais vil e abjecto."
Acrescento agora mais um aspecto lamentável: o comportamento das pessoas nas redes sociais. Enquanto a terra ardia, pessoas morriam e outras ficavam sem as suas casas e os seus haveres, nas redes sociais apontavam-se culpados e discutia-se acaloradamente se a ministra devia ou não ser demitida.
Não raras vezes, essa discussão foi iniciada e alimentada por políticos com responsabilidade que, em vez de irem para o terreno dar apoio a quem precisava, vestiram uns trapinhos e convocaram as televisões para se mostrarem. 
Sim, estou mesmo a lembrar-me daquela senhora que foi ministra da agricultura, do ambiente e de mais umas minudências de que ela já não se recorda
Essa senhora tomou  duas medidas importantíssimas em matéria ambiental: abolir as gravatas dentro do ministério e  rezar a Nossa Senhora a pedir chuva. 
E se mais não fez, é porque a sua Fé não era suficiente para resolver qualquer problema que se lhe deparasse. Como foi visível na tentativa de parir uma Lei das Rendas, que redundou num aborto.

domingo, 27 de agosto de 2017

Dia do Bilhete Postal Ilustrado (68)


A decisão de repescar para esta rubrica postais enviados pelos leitores /as para um desafio de Verão que lancei no CR  em 2010, está a permitir recordar-me de leitores que entretanto desapareceram de um convívio que, durante anos, foi quase diário. Ou porque abandonaram a blogosfera ( a maioria) ou porque se cansaram de comentar, ou simplesmente porque se desinteressaram do que aqui escrevo. 
É no entanto muito gratificante para mim "reencontrar" esses velhos amigos virtuais. Como acontece esta semana, com este postal do Porto enviado pela MagyMay.
O blog desta leitora chamava-se Trivialidades e Croquetes e lembro-me de ter trocado com ela algumas conversas bastante animadas. O que ela escreveu neste postal, só seguindo o link saberão
Vão longe os tempos áureos da blogosfer. O  CR completa em breve 10 anos,  o número de visitantes aumenta todos os anos, mas os comentários são cada vez menos. 
Poucos são os leitores que permanecem no blogobairro ( feliz expressão criada por uma das primeiras leitoras do CR). Alguns continuo a acompanhar no FB ( onde vou cada vez menos) a outros perdi completamente o rasto e tenho saudades de muitos deles. Por isso, se alguém souber do paradeiro da MagyMay, agradeço que deixe aqui alguma pista.
Afinal, os postais também servem para reencontros.

sábado, 26 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCXXII)

Uma bem romântica para esta noite de sábado. 
Boa noite e divirtam-se.

Leituras de Verão (11)



Autor: Roman Puertolas
Editora: Porto Editora
Primeira edição: Agosto 2014
Número de páginas: 208

“A Incrível Viagem do Faquir que Ficou Fechado num Armário da IKEA” não é uma novidade. É um livro publicado em 2014,bem humorado que relata as aventuras de um faquir que foi a uma loja da marca em Paris para comprar uma cama de pregos. Fruto de peripécias várias acabou por entrar num armário e, sem saber ler nem escrever,  acabou por a dar a volta a meia Europa e  um salto ao norte de África.
Sem grandes primores literários, mas com grande criatividade e uma boa dose de humor, promove a boa disposição de que andamos tão necessitados.  Leitura descontraída de Verão. Nada mais do que isso.

Lição da semana

Antes de criticares Maduro, lembra-te que na Casa Branca vive Trump.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCXXI)

Anda qualquer coisa esquisita no ar, lá isso anda...
Boa noite e bom fim de semana

Meu querido mês de Agosto? Uma ova!



Agosto não é um mês que me seja simpático. Principalmente nos últimos 40 anos,  foi em Agosto que vários acontecimentos  nefastos  marcaram a minha vida.
Foi em Agosto de 1978 que a Patty foi raptada pelos militares argentinos, no aeroporto de Ezeiza,quando ia comunicar aos pais que ia casar com um português. Quase 40 anos depois, ninguém conseguiu saber o que lhe aconteceu.
Foi em Agosto que faleceram dois dos meus irmãos e a minha Mãe adoeceu .gravemente, falecendo no mês seguinte.
Foi no dia 25 de Agosto de 1988 que ardeu o Chiado. Lembro-me bem  de ter contido a custo as lágrimas quando, a milhares de quilómetros de distância, vi as imagens. Ainda hoje me pergunto o que seria o Chiado hoje, se nunca tivesse ardido...
Foi em Agosto de 2015 que recebi a notícia mais terrível, que ninguém quer receber e, desde então, me obriga a conviver diariamente com uma indesejada companhia que alguns dizem vestir de negro...
Foi no dia 25 de Agosto de 2011 que soube que tinham roubado um bocado de mim. ( Devo esclarecer os leitores que cumpri a promessa que então fiz)
E fico-me por aqui, sem esgotar o rol de outras impertinências que marcaram o meu mês de Agosto.

É p'ró menino e p'rá menina




A Porto Editora  foi acusada de discriminação por ter à venda  uns livros de exercícios  ( na foto)  que, alegadamente, consideram as meninas mais limitadas de raciocínio.

A cor rosa para meninas e azul para meninos também é considerada discriminatória.
Estou habituado a estas indignações. Ainda me lembro da polémica  que estalou por causa de umas refeições da Mc Donalds  e da reacção bacoca, arrogante, sectária, ditatorial e patética da então secretária de estado para a Igualdade, Catarina Marcelino ( insisto na pergunta: por que razão estas coisas da Igualdade são sempre dirigidas por mulheres?)
Nestas ocasiões eu lembro sempre que nenhum paí, ou mãe, é obbrigado/a a comprar os livros "sexistas" ou  discriminar as refeições de filhos/as.m
No entanto, já me preocupo quando não obstante a campanha contra os brinquedos de guerra, uns pais levam uma filha de 9 anos para aulas onde aprende a manejar uma metralhadora. Ainda por cima, a coisa acabou mal, com a miúda a matar o instrutor.
Curiosamente, não me lembro de ter havido tanta indignação nessa altura. Quiçá a vida de uma pessoa seja menos importante do que a discriminação de género.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCXX)

Aproxima-se o fim de semana, por isso, o melhor é começarem a ter estas sensações fortes.
Boa noite

Sobre a Felicidade

Sempre foi um pessimista. Mesmo quando lhe aconteciam coisas boas, logo começava a pensar que aquilo era um mau presságio e algo de muito mau viria a seguir.
Um dia acordou estranhamente feliz. Não conseguiu encontrar explicação para tanta felicidade mas, em vez de começar a fazer conjecturas, deixou que o dia corresse. 
No emprego recebeu grandes elogios do patrão que lhe prometeu  a promoção há muito esperada e um aumento de ordenado no mês seguinte;
A mulher que  catrapiscava há muito sem sucesso, sugeriu um jantar a dois nesse dia;
O pai telefonou-lhe a dizer que lhe ia oferecer um caro novo;
Ao chegar a casa, já de madrugada, foi ver o Euromilhões. Ganhara o segundo prémio.
Nessa noite foi deitar-se com a sensação de que, pela primeira vez na vida, tivera um dia em que tudo lhe correra bem.
Estava tão feliz, tão feliz, mas mesmo tão feliz, que teve medo de acordar no dia seguinte outra vez infeliz.
Incapaz de suportar a ideia, suicidou-se.

Suínos na Assembleia da República




Não me interessa discutir se Graça Fonseca teve ou não coragem ao assumir a homossexualidade numa entrevista ao DN.
O que realmente me interessa  é perceber o voyeurismo que invadiu a comunicação social portuguesa na sequência da entrevista da secretária de estado, pois  demonstra que em matéria de sexualidade ( e não só, e não só...) a sociedade portuguesa está  cheia de esqueletos no armário.
Quanto à reacção de Carlos Abreu Amorim ( " a secretária de Estado disse aquilo porque não tem mais nada para dizer") prova que os suínos têm  assento no Parlamento e vão para lá recalcar traumatismos da adolescência.
Ora isso preocupa-me, porque Carlos Abreu Amorim foi eleito pelos portugueses e nem sequer era  candidato do PAN. 
Concluo ( sem surpresa) que há muitos suínos de duas patas infiltrados na sociedade portuguesa. Está na altura de os mandar chafurdar para a pocilga. O primeiro podia  mesmo ser Carlos Abreu Amorim, já que Hugo Soares está de férias.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCXIX)

Pelo sim pelo não, é melhor seguir o conselho de Sergio Endrigo e começar a construir uma Arca de Noé.
Boa noite!

Fora o árbitro!

Um árbitro de futebol tem uma linguagem inadequada com um jogador. Uma câmara regista o momento e o árbitro é suspenso por  três jogos.
Um árbitro faz vista grossa a uma falta merecedora de cartão vermelho, ou valida um golo precedido de falta, falseando o resultado. A mesma câmara regista os erros, mas o árbitro é  nomeado para arbitrar um jogo importante da jornada seguinte e o jogador não sofre qualquer punição.
Ainda sou do tempo em que os jogadores do FC do Porto eram punidos com vários jogos, porque um canal de televisão exibia imagens ( nem sempre explícitas) de uma falta normal que os comentadores transformavam em agressão.
Ainda ontem ouvi o insuspeito Jesualdo Ferreira falar do célebre caso do túnel e explicar como aquilo foi tudo fabricado para dar o título ao Sport Lisboa e Colinho e impedir que o FC do Porto conquistasse o segundo penta.
Hoje, com toda a tecnologia a ajudar, os castigos aplicam-se de acordo com as orientações do Sport Lisboa e Colinho.
Os membros dos Conselhos de Disciplina fazem figuras de palhaços e gostam, porque o retorno é compensador.

Insinuação: a nova técnica jornalística

José Gomes Ferreira (SIC N) insinuou ser evidente que a onda de incêndios está a ser provocada por uma organização terrorista e insurgiu-se contra António Costa , por não subscrever a sua opinião. Não sei quais são as provas de JGF, mas a sua opinião foi transformada em VERDADE INCONTESTAVEL pela maioria da comunicação social.
Júlia Pinheiro (SIC)insinuou que o cantor que agrediu um militar da GNR é um anjinho de coro e o agente da autoridade um homem perigoso, com o qual todo o cuidado é pouco.
João Pedro Henriques (DN) pergunta num artigo de opinião:
" É preciso dar como comprovado que houve titulares de cargos públicos a atear o fogo e a matar  pessoalmente as 64 vítimas do fogo? É preciso encontrar um SMS de um qualquer comandante dos bombeiros  a dizer estou a jantar, não me incomodem deixem arder? É preciso o MP desencantar  nas cinzas dos eucaliptos suspeitos de homicídios por negligência? (...) Paguem lá as indemnizações s.f.f. "

As insinuações de JGF e Júlia Pinheiro são perigosas e soezes, porque atiçam a opinião pública contra a autoridade e, no caso específico de JGF, deixam a pairar a ideia de que o  governo não combate o terrorismo, apesar de o país estar a arder.
O artigo de opinião  de JPH , seguindo o mesmo tipo de insinuação, revela prioritariamente a cretinice do autor. Em forma de pergunta, JPH permite a interpretação de que a acção dos bombeiros é negligente e deixa no ar a suspeição de que o governo não paga as indemnizações apenas porque não quer.
É este jornalismo feito de insinuações ou mascarado de entertainment que está a matar a credibilidade do jornalismo e dos jornalistas.
Infelizmente, há-de ser este tipo de jornalismo  a conduzir a um novo tipo de censura. Continuem assim e depois venham protestar contra as medidas que reprimem a liberdade de expressão. Ao menos podiam olhar para o que se está a passar em alguns países europeus e imaginar o que aí vem, porque facilmente se vislumbra o futuro.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCXVIII)

É aproveitar enquanto dura. Boa noite!

Praias da minha vida (com histórias dentro)- 3

Benidorm em 1963

Tinha 10 anos quando comecei a passar férias em Benidorm, com os meus pais. Nessa altura, Benidorm era praia e arvoredo, duas ruas alcatroadas, meia dúzia de ruas de terra batida, quatro ou cinco hotéis. 
Durante mais de uma década, as três semanas de férias anuais em Benidorm foram, para mim, um tempo de aprendizagem
Foi lá que aprendi a nadar, conheci o prazer de tomar banho em águas de 25º e não ter de andar à procura de espaço na praia para jogar à bola ou estender a toalha.
Foi lá que aprendi a fazer ski, que  entrei pela primeira vez numa discoteca. Chamava-se Safari ( era a única que existia) e tinha cinco pistas de dança, três delas ao ar livre.
Foi em Benidorm que ganhei o primeiro dinheiro de férias. Havia umas pistas de bowling em cimento e as bolas eram de madeira. Como nada era automático, a minha tarefa era  colocar no lugar  os pinos derrubados pelos jogadores.
De Benidorm tenho memórias infindáveis. Boas e más, obviamente, mas o que de melhor retenho daquela praia, foi ter tomado consciência que Portugal era demasiado pequeno e, acima de tudo, tacanho e mesquinho.
O convívio  anual com um grupo de jovens franceses, italianos, belgas, alemães, polacos, suiços e, pontualmente, alguns ingleses e nórdicos, permitiu-me praticar várias línguas mas, acima de tudo, abriu-me horizontes. 
Percebi desde tenra idade que a minha felicidade seria feita de viagens e, no início dos anos 70, foi com alguns desses meus amigos que  percorri a Europa, durante meses, numa carrinha Volkswagen “pão de forma”. Foi com eles que descobri outros mundos, outros modelos de vida e outras formas de pensar.
De Benidorm posso dizer que, mais do que uma praia, foi uma escola de vida.
Tantos anos depois, lamento que o meu pequeno paraíso terrestre se tenha transformado numa selva de cimento nada recomendável.

E por falar em rabos...

Já  que  trouxe à baila a premente questão do rabo de Taylor Swift, decidi prosseguir com o tema, no intuito de encontrar resposta para uma questão que há muito me atormenta.
Tudo começou com a moda das calças de cintura descaída e o inómodo que sentia quando era obrigado a ver  no metropolitano, logo pela manhã, anafados rabos a espreitar pelas calças.
Liberto das viagens diárias de metro  e aliviado porque essas cinturas saíram de moda, a questão passou a suscitar-se nos areais da nossa costa.
Quando passeio no paredão, por exemplo, coloco frequentemente a seguinte pergunta:
-Por que  razão só uma em cada 50  mulheres que usam  fio dental ou aparentado, tem um rabo digno de ser exposto?
A pergunta pode parecer cretina. Até machista. Mas, acreditem, é apenas curiosidade. Será que as mulheres com rabos bonitos têm mais pudor em exibi-lo publicamente?
Se alguma leitora me quiser esclarecer, agradeço. Talvez assim  eu consiga perceber a razão de senhoras de provecta idade ( estou a falar de gente acima de 65/70 anos) não terem qualquer pudor em se prostrar ao sol, nas piscinas naturais daqui da Linha, exibindo não apenas os glúteos, mas a totalidade da superfície daquela parte do corpo que começa ao fundo das costas e sobre a qual os humanos costumam sentar-se.
É que o espectáculo não é bonito de se ver, por isso, deve haver uma razão convincente para a exibição das partes pudendas por parte de algumas senhoras. Será receita médica?

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCXVII)


Não sei porquê, quando lia as últimas idiotices do Trump, lembrei-me deste grande sucesso de Trini Lopez.
Boa noite e boa semana

Make America Great again!





Taylor Swift apresentou queixa de um DJ por, alegadamente, lhe ter apalpado o rabo nos bastidores de um concerto.
O caso foi julgado por um colectivo de Denver (EUA) que condenou o apalpador a pagar uma indemnização à cantora no valor de 1 dólar!
Sendo essa prática muito do agrado do presidente Trump, creio que deverá estra satisfeitíssimo com a sentença e até terá pensado em escrever um tweet  a aconselhar "Apalpem-se uns aos outros, porque é baratucho, fortalece a economia   e é bom remédio para acalmar a líbido. Make America Great Again!". 

Tenham medo. Muito medo. A PIDE está de volta!




Esteve muito bem o PCP ao pedir o apoio dos partidos para a sua proposta de fiscalização sucessiva do diploma que permite o acesso ao registo de comunicações sem autorização judicial.
Não é  admissível invocar a segurança dos cidadãos para aprovar uma Lei ( já promulgada por MRS) que autoriza  a devassa a vida  privada de cada um de nós mas, ainda pior, é permitir que essa devassa seja feita de forma quase arbitrária.
Espero que o PCP seja igualmente assertivo no escrutínio de uma Lei da responsabilidade da  ministra da administração interna que permite a  gravação de conversas em locais públicos.
É certo que a lei só permite a gravação de conversas em caso  de "perigo concreto", mas o busílis é que não define esse perigo. O que se torna ainda mais grave, quando é sabido que  a  ministra contou com o aval da PGR para contornar a obrigatoriedade de pedir o parecer da Comissão Nacional de Protecção de Dados.
Eu pensava  que a devassa da vida privada era apanágio de regimes totalitários que usavam polícias políticas como a PIDE, a KGB, ou a STASI para controlar os  movimentos e ideias dos cidadãos. 
Sei também que esses regimes invocavam a segurança para legalizar essas práticas. Custa-me por isso aceitar  que num regime democrático se utilizem os mesmos métodos  e argumentos das ditaduras, para controlar cidadãos. Sei bem que nestas democracias securitárias, não há polícias disfarçados a escutar as conversas. Graças às novas tecnologias, as câmaras de vigilância ocupam os postos de trabalho dos ex Pides. 
No entanto,por este andar,  devemos estar preparados para um dia destes , quando nos sentarmos numa esplanada,  voltarmos a ter de olhar à nossa volta para perceber se alguém com ar suspeito (porque não um robô) está a ouvir as nossas conversas, ligado a uma central onde alguém espera a ordem:
- COMEÇAR A GRAVAR A MESA 23! 

domingo, 20 de agosto de 2017

Dia do Bilhete Postal ilustrado (67)


O postal desta semana parece escolhido a dedo. Veio de Barcelona, enviado pelo administrador do blog DESVIOS.
Embora o blog já não exista, o seu administrador continua activo na blogosfera. Será que o conseguem identificar?

sábado, 19 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCXVI)

Boa noite e bom domingo!

Leituras de Verão (10)

Autor: Nelson Rodrigues
Editora: Tinta da China
Primeira edição: Setembro 2016
Número de páginas: 362

Há meses recomendei aqui a leitura de "O Homem  Fatal" o primeiro livro de crónicas de Nelson Rodrigues, publicado em Portugal.
Hoje, a recomendação vai para  " A Vida Como Ela É".
Sobre o autor já escrevi tudo e não me vou repetir. Relembro apenas que ambos os livros foram escritos em meados do século passado, mas mantêm uma surpreendente actualidade.
Em "A Vida Como Ela É" foram reunidas 60 das histórias  escritas por  Nelson Rodrigues entre 1951 e 1961 na rubrica com o mesmo nome do jornal brasileiro "Última Hora". A selecção é da responsabilidade de Abel Barros Baptista, que também escreve o prefácio.
Leitura sumarenta, fácil e muito recomendável.

Lição da semana

Estou a ficar preocupado comigo. Depois de me ter surpreendido com a lição que aprendi na semana passada, esta semana reincido numa aprendizagem conservadora.
Então não é que ao ler  a notícia de que uma grande parte dos 60 incendiários suspeitos de terem ateado fogos este ano  são reincidentes, dei por mim a perguntar-me se estes tipos merecem condescendência? 
Não só respondi negativamente, como ainda admiti que nestes casos o internamento num estabelecimento psiquiátrico ( com os custos a serem suportados pelo criminoso)  devia ser compulsivo e o incendiário só de lá deveria sair quando os médicos o considerassem curado. Mesmo que isso implique a  detenção eterna, sempre é melhor do que deixar à rédea solta loucos criminosos que estão a delapidar o património e a condenar à miséria famílias inteiras.
O tipo não tem dinheiro para pagar, coitadinho, porque é um miserável, não tem onde cair morto e até recebe RSI? Então além de ficar sem RSI, deve apodrecer na cadeia. 

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCXV)

Hello!Estou de regresso a casa.
Espero que ( não) tenham sentido a minha falta
Como estou cansado, vou aproveitar o fim de semana para descansar. Boa noite!

Meu querido mês de Agosto

Passam alguns minutos das cinco da tarde. Cheguei ao fim da manhã a Lisboa. Vi-me aflito para comer qualquer coisa porque no meu bairro está tudo fechado. Em férias. Nem as tabacarias onde compro os jornais e preencho os boletins que podem fazer de mim um excêntrico escapam. O Meu Super está encerrado para remodelação.Suspiro. Enfim, o mês de Agosto é  como antigamente. Lisboa está deserta. Pelo menos nos bairros  como o meu, onde os turistas não chegam. 
 Saí do Estoril  há mais de uma semana. Tenho saudades do mar do Guincho, mas hesito em meter-me ao caminho. É sexta feira à tarde e o trânsito deve estar um inferninho na A5 e na Marginal. E daí talvez não. Arrisco...
Meto pela segunda circular. Não há filas. Circula-se tranquilamente.Na A5, até à Cruz Quebrada, o trânsito é de manhã de domingo. Arrisco meter pela Marginal. Trânsito fluido. Pelo caminho vou vendo as praias pejadas de gente. Na estrada, nem sequer paro nos semáforos de S. Pedro, S. João ou Estoril. 
Meu querido mês de Agosto. Ainda bem que estás de volta! Já  tinha imensas saudades tuas.
O problema vai ser amanhã quando chegar ao paredão. O melhor é por o despertador para as sete.

Trump, Daesh, os porcos e Pandora (em actualização)




Um mês depois de os americanos elegerem Trump, já havia por aí muita gente a  pedir condescendência aos seus críticos. 
Estavam fartos de ouvir falar de Trump, insistiam que depois de tomar posse ele seria totalmente diferente e pediam com veemência que lhe fosse dado o benefício da dúvida.
Em apenas seis meses foi bem perceptível que Trump não merece condescendência. Prometeu atacar o Irão, a Coreia, a Venezuela e não se coibiu de dizer que sendo os EUA a nação mais poderosa do mundo pode atacar quem quiser, "em nome da ordem mundial". 
As sucessivas ameaças de Trump  eram suficientes para o classificar como louco perigoso, mas o homem quis dar mostras de que a  capacidade  para nos surpreender é ilimitada.
Ao recusar-se a condenar os acontecimentos de Charlottesville, desculpando os supremacistas brancos, Trump abriu uma caixa de Pandora. Ver o presidente do país mais poderoso do mundo triste com a retirada de estátuas de supremacistas brancos, é triste. Vê-lo isolado, alvo de críticas em todo o mundo, mas a ser elogiado pelo Ku Klux Klan, é assustador. Dar força a gente que se julga superior às outras raças é um retrocesso  que se pensava impossível.  Mostrar condescendência com Trump, é incitar à violências. Foi a mesma  condescendência ( e até apoio) aos "democratas"  da Primavera Árabe que criou o Daesh. Como eu previra, quando me apercebi do entusiasmo com que eram apoiados os facínoras, inimigos da civilização e dos mais elementares direitos humanos, que se rebelaram contra os ditadores dos países árabes. Era tão previsível tudo o que se ia passar naquela região, que ainda hoje me espanto com a credulidade dos entusiastas da Primavera Árabe.

Em tempo: as declarações de Trump sobre os atentados de Barcelona e a sugestão que deu para a forma de matar os terroristas ( com balas embebidas em sangue de porco) não são apenas nojentas. São a prova de que Trump está realmente ao lado da extrema direita mais retrógrada e do Ku Klux Klan. Não restam duvidas de que Trump é tão perigoso como qualquer terrorista. 

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCXIV)



Tenham uma excelente noite- Olhos nos Olhos

A imbecilidade do cantor, Vírgul(a), da jornalista

VIRGUL (foto da Net)



Um condutor  faz piões   num  parque de estacionamento  em frente a uma discoteca altas horas da noite. Estará a divertir-se, a impressionar as miúdas, ou a provocar alguém? Ninguém parece saber a resposta.
O que se sabe é que a GNR mandou parar o carro, tendo o condutor obedecido prontamente.
Os restantes ocupantes saíram dos seus lugares,  mas um deles chateou-se por estar a ser molestado, insultou os  GNR e deu uma cotovelada num dos militares. 
O agressor dá pelo nome de Virgul e parece que canta ( fui ouvir uma canção ao Youtube, mas só aguentei 1 minuto) e é popular. Ora todos sabemos como estas vedetas feitas à pressa se incomodam quando alguém os obriga a serem civilizados e cumprir a lei, daí que se justifique a irascibilidade. 
À primeira vista, parece nada justificar um tipo que agride um GNR mesmo que em legítima defesa ( o que não foi o caso).
No entanto estamos sempre a aprender. 
Júlia Pinheiro, no final de um programa para velhinhos, insinuou que o militar agredido tem um  historial pouco recomendável e, por isso, devemos ser cautelosos antes de acusar o cantor de ser um imbecil.
Como Júlia Pinheiro mencionou o nome do militar da GNR e fez passar a ideia de que o cantor é um anjinho de coro e o militar um delinquente perigoso, fui investigar. 
Do cantor nada sei, nem estou interessado em saber pelas razões já expostas. Quanto ao militar da GNR agredido, é Hugo Ernano.
Para quem não sabe quem é, esclareço que  ficou conhecido no país inteiro por ter atingido (acidentalmente?)  a tiro uma criança que o pai levou para para um assalto.
O caso desencadeou uma onda de indignação nas redes sociais e uma acesa troca de palavras entre os defensores do GNR e os que o acusaram de ter sido negligente por atingir uma criança  que acompanhava o pai num assalto. 
Até hoje ninguém esclareceu se o ladrão levava o filho na carrinha para lhe ensinar a profissão, mas sabe-se que o GNR foi suspenso oito meses, tendo tido o apoio monetário de um grupo de  cidadãos.  
Pouco me interessa saber se Virgul é boa ou má pessoa. Um gajo que agride um GNR e depois manda o "manager" fazer um comunicado  a vitimizar-se  junto dos "admiradores", para mim não passa de um cobardolas.
Sou insuspeito. Tenho algumas razões de queixa das autoridades mas, mesmo multado injustamente, como já fui, nunca me passou pela cabeça insultar ou agredir um militar da GNR. Parece-me também insustentável o clima de suspeição que se lança sobre as autoridades policiais e a impunidade com que se insulta e agride as forças da ordem.
Outra opinião parece ser a de Júlia Pinheiro,  a quem a SIC paga milhares de euros mensais para lançar na opinião pública a suspeição contra a actuação das autoridades.
A GNR não está acima de qualquer suspeita, mas se mantivermos constantemente esta desconfiança quanto à sua forma de actuar, não tardará o dia em que vamos precisar da sua protecção e elas nos fazem um manguito.

Uma questão de berço (again)



O post que publiquei há uns dias  com  o mesmo título terá suscitado interpretações que não estavam no meu espírito quando o escrevi.  
Decidi, por isso, voltar ao assunto para fazer um esclarecimento.
A questão é transversal à sociedade. Seja em Portugal, ou noutro qualquer país do mundo onde a sociedade de consumo dita- diria mesmo impõe- regras e a estrutura das famílias se modificou, aumentando  exponencialmente o número de famílias monoparentais.
A monoparentalidade, associada ao consumismo, provocou uma alteração nas relações familiares agora muito marcada pela compra dos afectos. Os filhos "exigem"  coisas dos pais prometendo uma retribuição em afecto e os pais aceitam com naturalidade essa proposta.
Não raras vezes, com especial incidência nas famílias desestruturadas, são os pais a dar pretexto a esse comportamento dos filhos. Quando pai e mãe entram em concorrência na disputa pelo amor do filho,  este rapidamente se apercebe dessa disputa e aproveita-se dela. Já os pais, obcecados pela conquista do amor, não percebem que, com a sua disputa, estão a criar um pequeno tirano.
O tema merece um desenvolvimento que não cabe num blog como este e, muito menos, num post. 4
Termino, por isso, sublinhando que quando escrevo " uma questão de berço" não estou a fazer qualquer extrapolação para a condição social. 
Refiro-me, apenas, ao facto de ser no berço ( no sentido de casa/família) que se começam a moldar personalidades. 
Uma prova disso é que todos conhecemos jovens pobres muitíssimo bem educados e que não foram afectados pelo consumismo e jovens ricos mal educados e sofregamente consumistas. 

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCXIII)


Porque já estava com saudades dos Doors..
Boa noite e boa semana

O juiz e a mulher de César




O facto de Paulo Vistas (presidente da Câmara de Oeiras) ser amigo pessoal e padrinho de casamento do  juiz Nuno Cardoso, pode não ser  condição suficiente para que o magistrado peça escusa na apreciação de uma causa em que Paulo Vistas é parte interessada.
Acontece, porém, que  o presidente da Câmara de Oeiras contratou a mulher do juiz há poucos meses para trabalhar na autarquia.  Ora esse emprego pode estar em perigo, se Paulo Vistas perder as eleições em Outubro. Logo, além da amizade, existe uma evidente comunhão de interesses entre o juiz e o presidente da câmara: ambos gostariam que Paulo Vistas fosse reeleito. 
Ora este facto já me parece ter relevância bastante, para que Nuno Cardoso tivesse pedido escusa na apreciação de um caso envolvendo candidaturas de adversários de Paulo Vistas.
Não pediu. O único pedido que fez foi para estar de turno em Oeiras, na primeira semana de Agosto. Pedido concedido, coube ao juiz Nuno Cardoso apreciar duas candidaturas independentes  à CM de Oeiras (uma delas de Isaltino Morais).
Como é sabido, o juiz chumbou ambas. 
Os candidatos  recorreram e o tribunal de Oeiras  deu-lhe razão. 
Se Nuno Cardoso fosse político já toda a comunicação social lhe teria chamado corrupto. Como é juiz, ninguém se atreve sequer a colocar em causa a sua honestidade.
Nenhum jornalista ousa sequer lembrar ao senhor juiz a história da mulher de César? Pois eu acho que estando envolvida a mulher do juiz, seria muito oportuno levantar a questão.
Eu até acredito que o juiz Nuno Cardoso seja a pessoa mais honesta do mundo. O problema não está aí, mas sim no facto de não se ter lembrado que a um juiz não chega ser honesto. Tem de parecê-lo. Perdoará o senhor juiz, mas eu analiso este caso e vejo que a honestidade e a justiça ficaram muito mal na fotografia.
Compete agora ao Conselho Superior de Magistratura, retocá-la no photoshop.

Não há almoços grátis...



Macron continua a descer nas sondagens. Nada que me espante. Eu previra  a hecatombe ainda antes das legislativas francesas.
Em França, em Portugal, como em todo o mundo a viver em  democracias subjugadas às regras de mercado e ao garrote das finanças, as pessoas adoram ouvir gente que lhes prometa políticas novas, fora do círculo mental padronizado pelos partidos tradicionais e correm para as urnas a votar neles.
 O problema é quando percebem que isso tem um preço, que não estão dispostos a pagar...

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCXII)

Esta é  a "Minha História"
Boa noite!

"O que faria o Papa Francisco"?

"Um dos meus filhos andava na catequese quando foi convocado para fazer a primeira comunhão,com os outros meninos da sua turma. Ficou, como todas as crianças de 9 anos, entusiasmado com a com a ideia e preparou-se com um afinco inédito ( e até surpreendente para mim) para o acontecimento:decorou todas as orações, preparou-se para a conversa da Primeira Confissão, convidou toda a família para o evento solene. Na véspera da cerimónia, camisa branca engomada, vela do baptismo recuperada e tudo apostos para o grande dia, estava ele a terminar o ensaio geral quando a catequista lhe diz que afinal não podia participar. Tinha havido uma confusão com a papelada e, como ele não tinha tido dois anos de catequese, afinal não podia comungar.Se não tivesse sido baptizado, a coisa era diferente e poderia fazer logo tudo no mesmo dia. Assim, nem pensar, ditavam as regras.
Dito assim- a uma criança e na véspera- depois de meses de preparação. O rapaz ficou genuinamente desolado, não queria acreditar. Ligou-nos em pranto. Fui falar com o pároco e a catequista (...) Foi um diálogo infrutífero- falei com uma parede da burocracia, intolerância e incompreensão. Até que em tirada de despedida me saltou a tampa e questionei:
Tem a certeza que era isto que faria o Papa Francisco no seu lugar?
Meia hora depois recebo um telefonema a dizer que afinal tinham conseguido dar a volta à questão e que o miúdo poderia comungar. Fez a Comunhão, mas a relação esfriou.Ele nunca mais quis ouvir falar de catequese e eu também não(...)"

O texto acima é um excerto de um artigo da autoria de  Mafalda Anjos,  publicado há cerca de um mês na Visão.
Reproduzo-o pela acuidade do tema e também pela proposta  de  Mafalda  Anjos  na sequência deste episódio.
"O que faria o Papa Francisco no meu lugar devia estar afixado em todas as sacristias"-, argumenta a directora da Visão
Eu arriscaria  alargar a experiência e colocaria  a frase " o que faria  meu chefe no meu lugar" em todas as repartições públicas. Nos gabinetes dos directores gerais, presidentes de institutos, empresas públicas  e equiparados,  deveria estar "O que faria o ministro no meu lugar?"
Em vez de sermos pequenos ditadores, comportemo-nos antes como servidores do Estado. Logo, dos portugueses que com os seus impostos  lhes pagam os salários e garantem a manuteção do posto de trabalho.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCXI)


Conheço muitos casos assim...
Boa noite e bom feriado para quem o tiver.

Aceleras e transgressores




No primeiro semestre deste ano registaram-se mais 44 mortes na estrada do que em igual período de 2016. Nunca, nos últimos 20 anos, houve tantas mortes nas estradas portuguesas.
Não tardou a oposição a exigir explicações ao governo que, obviamente, não soube responder.
Ora como o governo não sabe explicar, apareceram logo especialistas a apontar as causas do aumento da sinistralidade. 
Há explicações para todos os gostos mas, inevitavelmente, o excesso de velocidade é que recolhe o maior número de adeptos. 
A opinião mais original é a do ACP que "descobriu" que a introdução de portagens nas ex-SCUT aumentou a sinistralidade. 
Existindo tantos opinadores, também me sinto no direito de avançar com a minha, baseada exclusivamente na minha observação pessoal: 
- Conduz-se cada vez pior em Portugal e os condutores cometem infracções e  transgridem, porque sabem que, com a excepção dos excessos de velocidade e dos controles da alcoolemia em horas e locais que todos conhecem,  a impunidade é generalizada.
Algumas transgressões tornaram-se banais:
Conduzir enquanto se fala ao telemóvel; mudar de faixa de rodagem pisando risos contínuos; ignorar os sinais vermelhos; entrar nos acessos a auto estradas e vias rápidas sem respeitar a sinalização horizontal; estacionar em locais que condicionam a visão dos outros condutores.
Só uma análise detalhada das características da sinistralidade, com o cruzamento de dados, permitirá conhecer a causa dos acidentes, mas espanta-me que a polícia não aproveite este filão para aplicar multas e, por via indirecta, disciplinar os  condutores tugas.
Enquanto a "balda" continuar, não vale a pena introduzir novas regras no Código da Estrada.E, muito menos, criar normas de eficácia muito duvidosa, como a que condiciona a circulação na faixa central das auto estradas. Gostaria que a ANSR divulgasse quantos acidentes ocorreram relacionados com essa polémica regra.
O aumento da sinistralidade não pode ser encarado com displicência pelo governo. Até porque há um dado que merece muita reflexão: apesar de ter aumentado o número de mortes nas estradas, diminuiu o número de acidentes.