segunda-feira, 17 de julho de 2017

Racista, ele? Que ideia tão estúpida!



Não vale a pena fazer como a avestruz e  fingir que a maioria dos  portugueses- particularmente os que têm mais de 40 anos-  não é racista.
É verdade que a maioria dos portugueses não admite ser racista, porque tem um " pretinho amestrado" a trabalhar para ele como escravo dos tempos modernos mas isso, em vez de o ilibar, atesta de forma ainda mais vincada o racismo congénito.
Os portugueses gostam de exibir certificados de civismo, multiculturalismo e solidariedade. Por isso, quando não têm um "pretinho" de estimação, arranjam uma filipina ou uma brasileira para fazer as tarefas domésticas ou servir de "bábá", mostrando assim o seu "multiculturalismo". Que acaba, no dia em que o/a brasileiro/a,  filipino/a ou ucraniano/a estão em condições de lhe disputar o emprego. Nesse dia, passam a olhar para eles como  "os imigrantes que lhes vêm roubar os empregos"
Para mostrar ao mundo que são solidários e caridosos, os portugueses também gostam de "adoptar um pobrezinho", fazer voluntariado no Banco Alimentar Contra a Fome, ou noutra instituição similar, e exibir esse estatuto nos círculos próximos.
Posto isto, quero dizer que apesar de desconfiar cada vez mais das acusações do MP, acredito que haja polícias racistas, bem capazes de fazerem aquilo de que são acusados. É certo que uma esquadra inteira acusada pelo Ministério Público de "tortura, sequestro, ódio racial, ofensa à integridade física, comportamento cruel, degradante e desumano, falsificação de documentos, denúncia caluniosa e injúria agravada" é muita coisa junta. 
Não deve ser pêra doce para aqueles agentes saber que o MP os considera "indignos do cargo que exercem" mas, o que  me deixa perplexo (mas não totalmente incrédulo, ou capaz de rasgar as vestes para sair em defesa dos polícias) é saber que naquela esquadra não existia um único polícia bonzinho!
De qualquer modo, quero salientar que gostaria de ter visto igual empenho do MP e da comunicação social a apontar o dedo aos culpados, nos casos dos quatro polícias mortos na Cova da Moura, nos últimos 12 anos. Ou dos que foram ameaçados, perseguidos e obrigados a fugir do bairro.
É que, tanto quanto me lembro, não houve ninguém condenado por essas mortes... 
Ora eu acredito que, tal como nos divórcios, nestes casos a culpa não é apenas de um lado...

3 comentários:

  1. Gostava de discordar do que o Carlos escreve mas, em face do que se tem passado, feito e dito, tenho que lhe perguntar onde posso assinar o texto.
    O MP mete água por todo o lado.
    Boa semana

    ResponderEliminar
  2. Pois. O que estranhei foi aquela generalização a toda a esquadra. E também julgo que há uma troca de ódios e desacertos. Mas, por vezes senão quase sempre, quem tem o poder abusa dele. E os polícias têm o estatuto e podem. É preciso cuidado, a tendência para o excesso existe mesmo. Tem razão, somos racistas.

    ResponderEliminar