terça-feira, 11 de julho de 2017

PCP quer funcionários públicos à força?

Por exigência do PCP e do BE, o  governo aceitou ( e bem) integrar nos quadros da função pública os trabalhadores precários.
Trata-se de reparar a "fraude" de  manter ( por vezes durante anos)   trabalhadores alegadamente temporários, a exercer funções com carácter permanente.
Para reparar a injustiça o governo fez  uma lei(  aprovada na AR) que  estabelece algumas regras para a integração e faz depender a sua confirmação de um requerimento feito pelos próprios e a análise por uma comissão paritária.
O prazo para os interessados fazerem o requerimento terminou no dia 30 de Junho, constatando-se que o número de trabalhadores que requereram a sua integração nos quadros da administração pública foi muito inferior ao expectável.
Não vou aqui enumerar algumas das razões para o desfazamento entre o número de trabalhadores precários e os requerimentos apresentados mas devo dizer que não fiquei muito surpreendido, porque conheço  casos de pessoas  que,  por trabalharem em regime de outsourcing ou, simplesmente, por não quererem  ter um vínculo ao Estado, não apresentaram o requerimento.
Parece-me por isso surpreendente que o PCP venha agora exigir que todos os trabalhadores precários, mesmo os que não requereram a sua integração, sejam integrados na função pública.
Já me custa aceitar que o PCP queira impor a integração na função pública de pessoas que não querem criar esse vínculo, mas ainda mais preocupante é ver o PCP desejar que trabalhadores que não se deram ao trabalho de fazer um requerimento, se tornem funcionários públicos à força.

5 comentários:

  1. Não surpreende. Só assim poderá ter força sindical na AP.

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  2. Há eleições à porta, portanto.....

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    1. Portanto o quê? O que é que têm as autárquicas a ver com isso. As autarquias é que foram um ninho de podridão para muitos. sobretudo porque em muitos sítios são todos da família ou conhecidos, atropelam-se todas as leis e sempre tiveram mais regalias, todos se encobrem uns aos outros. As denúncias dos excomungados, só se mexem nelas quando o governo é de outra cor, mas agora são os juízes que passaram a mandar no país.

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  3. Não são os funcionários públicos que dão força aos sindicatos, com excepção de alguns especiais como o dos professores. por exemplo. Quando havia greve geral na FP em geral havia sempre pouca aderência porque a função pública, onde as mulheres eram maioritárias, as mulheres que tinham maridos bem empregados estavam-se nas tintas para as greves elas não queriam era fazer o trabalho doméstico. As outras que eram chefes de família não podiam perder um dia de salário porque lhes fazia falta. Além disso a maioria da função pública sempre foi da UGT, porque se consideravam classe média. Na dita FP os sindicatos nunca serviram para nada nem para ajudar um funcionário com problemas judiciais. Por isso muitos que faltavam depois metiam um dia a descontar nas férias porque até podiam ser perseguidos pelos que exerciam funções de chefia. Agora que os funcionários públicos ainda recebem pelo menos 10% do que recebiam em 2000, já ninguém quer ter vínculos porque deixam de poder exercer muitas outras actividades, além de já não terem a única coisa que tinham, que era alguma segurança no emprego (mas sempre tiveram o garrote dos excedentários) e as reformas também já são iguais. Por outro lado já não há dignidade nenhuma na FP. As pessoas que lá estão prestam um mau serviço ao público porque já não sabem de nada nem há formação, e muitas vezes são de empresas de trabalho temporário em que não têm também nenhuma motivação. Hoje muita gente pensa que tudo lhes cai do céu. Têm facilidades para estudar, para viajar, uns pais que lhes dão tudo, mesmo que tenham de passar fome. Os Serviços técnicos também passaram todos para outsoursing, por isso hoje já nem conseguem ser mangas de alpaca. Acreditem que até há muita gente que nem sabe fazer um arquivo por ordem alfabética.

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    1. Há uns anos escrevi um post a explicar as razões por que os funcionários públicos não aderiam às greves. Para além das que enuncia acrescentei outra: muitos foram colocados pelo partido ou por cunha, porque tendo baixas habilitações ou sendo incompetentes,não tinham onde encontrar emprego. Estão, por isso, gratos aos padrinhos e não os querem desiludir.

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