quinta-feira, 20 de julho de 2017

Homofobias



Gentil Martins deu uma entrevista ao "Expresso" em que classificou a homossexualidade como anomalia.
Não foi o primeiro médico/ cientista a dizê-lo, nem será o último, pelo que os soundbytes que a sua afirmação provocou nas redes sociais  me soaram a dejà vu.
Espanto maior provocou-me a  decisão do metro de Londres  substituir  o  tradicional "  Ladies and Gentlemen" por um assexuado , perdão, inclusivo, " Hello everyone".
O Metro londrino justifica a decisão, com o pedido feito pelas associações LGBT para acabar com a alusão a senhoras e senhores que consideram discriminatórias e violadora dos direitos de lésbicas, gays, homossexuais e transexuais.
Espero, sinceramente, que a LGBT portuguesa não faça igual pedido aos metros de Lisboa e Porto pois, em português, não existe uma palavra/expressão neutra que abranja "todos os géneros".
E sinceramente, não me parece muito prático,nem eficaz, que os maquinistas tenham de dizer:
"Atenção senhoras, senhores, lésbicas, gays, homossexuais e transexuais, agradecemos que abandonem rapidamente  a composição, porque deflagrou um incêndio na última carruagem".
O mais provável é que, no final do aviso, o incêndio já tenha alastrado a metade da composição.
Agora a sério: esta mania da linguagem de género politicamente correcta é supimpamente cretina. E, já agora, absolutamente nada inclusiva.

22 comentários:

  1. Li este post (postagem; há quem traduza por “postas” ; não gosto desta tradução, faz-me sempre lembrar de “postas de peixe”, para além de que um dia fui confirmar no priberam e, realmente, postas com este sentido não existe), mas como estava a dizer li esta postagem no tablet, mas como “isto” vai ser longo, achei melhor vir para o computador; escrever longos comentários no tablet “leva uma data de tempo”. : )))

    Ora bem...

    Nunca tinha ouvido falar no dr. Gentil Martins, o que não é de estranhar. Foi num outro blogue que li sobre a entrevista.

    Dizia o dito médico que homossexualidade é uma anomalia e que Cristiano Ronaldo “é um estupor moral, não pode ser exemplo para ninguém”. Duas afirmações totalmente inapropriadas para um médico. "Com várias queixas por parte de médicos e médicas recebidas, as declarações de Gentil Martins vão ser analisadas num inquérito do Conselho de Jurisdição da Ordem dos Médicos. "

    Googlei. Este médico tem 87 anos. Reformou-se aos 70, mas continua a dar consultas e a fazer cirurgias!!

    Como comentei no outro blogue “he is milking the system”, mas está a fazê-lo com o consentimento do governo. O governo recruta “médicos reformados para o Serviço Nacional de Saúde, prometendo pagar-lhes um salário completo além da reforma”. E a propósito; o que se passa com o “dar lugar aos mais novos”??

    Insultar o CR publicamente só faz dele (médico) um ser aberrante. Não estava a ser entrevistado como cidadão, suponho, com direito a liberdade de expressão. Como médico terá outras responsabilidades que as outras pessoas não terão.

    Fazer estas afirmações publicamente dá que pensar!!! O médico deveria ser chamado à atenção e ser repreendido publicamente com um pedido de desculpas da sua parte.

    Dejá vu ou não fiquei surpreendida, chocada, revoltada... : ))))

    Se algum membro da minha família tivesse outra orientação sexual da que têm, eu ficaria furiosa se alguém insinuasse que sofriam de uma “doença”.

    Sinceramente!!!!

    Supimpamente? É um termo brasileiro?! : )))) Entre uma e outra prefiro supinamente. : ))

    Ah! E a propósito dos maquinistas: Atenção “pessoal” ou “malta” agradecemos que abandonem rapidamente a composição, porque deflagrou um incêndio na última carruagem.

    Assunto resolvido!!!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Gostei da sua proposta, Catarina. Mas ainda proponho outra, já que em Portugal os anglicismos abundam: Atenção "pipul". Não é baril?
      Quanto ao Dr. Gentil Martins subscrevo a sua análise. Apenas ressalvo que ele não opera num hospital público, por isso, o governo nada pode fazer.
      Quanto à contratação de médicos reformados, foi uma iniciativa do governo anterior, porque depois de terem mandado os jovens emigrar, descobriram que afinal precisávamos de mais médicos e enfermeiros. Como já não havia cá, importaram também alguns. Sabe de onde, Catarina? De Cuba, da Eslovènia, da Ucrânia, etc...
      Supimpa é brasileiro, sim, mas usado por alguns autores portugueses do século XIX. Em casa dos meus pais era uma palavra muito usada.

      Eliminar
    2. Ah ah ah ah. Sim "pipul" seria outra hipótese baril, bestial, mais a condizer com os tempos modernos.

      :)

      Eliminar
    3. Yo, pipol, tudo a bazar ca ultima carruagem tá a arder! Vá, bazem! Dêem corda aos calcantes! Estarem à espera...?!?

      :)

      Eliminar
  2. Ora aí está a mania assaz portuguesa de embrulhar na linguagem e ficar ela uma coisa que só empata com esta mania de igualdade de género que se devia promover no efectivo e não nos termos inclusivos e o diabo a sete. Mas somos assim mesmo: pródigos em preocupações acerca do que não adianta nem atrasa.

    ResponderEliminar
  3. Ainda não me tinha referido às alarvidades deste senhor. todos o têm defendido porque o confundem com o seu irmão grande lutador no IPO, na luta contra o cancro. Este é apenas um comerciante cirurgião plástico e pediatra, que leva fortunas às mamãs parturientes ou não. Claro que também é contra o aborto porque quantos mais nascessem melhor para ele. Ainda por cima mostra ignorância porque desconhece a vida do rei e a pobre vida da mãe com 4 filhos para criar e um marido alcoólico.
    Quantos aos géneros considero-os uma discriminação. Agora resolvem-no com uma @. A Humanidade é só uma e até é feminina. Lá fora, ainda antes de se discutir abertamente este problema sempre me disseram Welcome abord e não me mandaram sair. Se houver só uma pessoa acho bem que possa referir madam ou sir. se for mais do que um acho bem que digam everyone. Que tal: "Good morning (::) everybody. Wellcome abord!" Sempre que vejo um qq safado dizer "minhas senhores e meus senhores, já sei que no fundo é racista, com no funco continuamos todos a sê-lo, quer em modo suave, paternalista ou estupidamente duro.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. essa de "senhoras e senhores" ser um tratamento fascista é gira. A maioria dos políticos, conferencistas, etc, etc etc. usam esse tratamento, Anfitrite. Já a alegação de desrespeito pelo género nem fundamentalista é. Apenas idiota.

      Eliminar
    2. Carlos, eu não disse fascista, disse que no fundo é racista. E não acredito que toda a gente, mesmo de outras raças, não usem expressões racistas. É humano. Também não gosto de políticos que usem o "meus senhores e minhas senhoras", já agora faltam os jovens e as jovens, etc., mesmo que politicamente goste desses políticos. usem "caros concidadãos", ou que quiserem. Eu não tenho problemas de géneros, mas que considero paternalista, considero. Já agora também digo que das pessoas mais bem educadas que tenho conhecido, são homossexuais. Não são daqueles que dão na vistas, detesto fantochadas. também conheci pessoas do antigamente, que sendo apoiantes do antigo regime tratavam as mulheres e as meninas com muita delicadeza. Já me tinham chamado muita coisa, mas não me lembro de terem chamado idiota. Não me importo, nem me incomoda. Para mim é difícil escrevendo ao correr da pena dizer exactamente o que quero que entendam. Desejo-lhe sinceramente um bom fim de semana e que mesmo gostando de receber telefonemas de velhos amigos, não precise deles para o animarem, embora seja sempre bom recebê-los.

      Eliminar
    3. Nao lhe chamei idiota, Anfitrite. Se o fizesse, o idiota seria eu. Considero apenas que estas questões da linguagem em função de sensibilidades do género são picuinhices idiotas e despersonalizam a língua. Partilho a sua opinião em relação aos homossexuais.

      Eliminar
  4. em situações limite a etiqueta vai à vida, não sei para que ensaiam discurso...

    ResponderEliminar
  5. Ora aí está!

    Contra factos não há argumentos e, de facto, biologicamente falando, há dois sexos.
    As opções de cada um, são de cada um e ninguém tem nada a ver com isso, mas independentemente daquilo que as pessoas quereriam ser, acham que são ou de como gostassem que o mundo fosse, o facto que há dois sexos!
    Não é uma questão sequer que seja debatível. Tal como a gravidade não é debatível. Se amanhã aparecer alguém que diz que não acredita na gravidade porque acha que o facto de a gravidade existir ofende a sua maneira de pensar, temos de alterar todos os livros de estudo e deixar de falar na gravidade como algo concreto e passar a usar expressões vagas e difusas que tentem definir a gravidade?

    Tentar escamotear factos com sensibilidades não pode trazer nada de bom a ninguém! Factos são factos e iguais para todos. Sensibilidades... Bem, há tantas quantas pessoas há no mundo!

    O "politicamente correcto" há-de acabar por matar o mundo!

    Quanto às afirmações do Sr, apenas digo duas coisas:

    -A liberdade de expressão existe precisamente para que qualquer palerma possa expressar a sua opinião. Esta é a dele.
    E apesar de não concordar, continuo a achar que ele pode pensar o que quiser. Senão, mais vale sacarmos já do lápis azul...

    -Ele é médico, como tal da área de ciências, e saberá melhor que eu que quando alguém na área de ciências faz uma afirmação, tem mais é que demonstrá-la. Se a demonstrar inequivocamente, os paradigmas mudam. Assim sendo, em vez de dar eco às afirmações criticando, porque não dizer-lhe que demonstre, por método cientifico e inequivocamente que as suas afirmações estão correctas? É que se ele o fizer, todos os críticos terão de se calar, por muito que lhes custe. Mas, se ele não o fizer (e acredito que não consiga, uma vez que opiniões pessoais não são factos científicos) então terá ele que se calar. Não estamos a falar de algo metafisico ou religioso!

    :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Totalmente de acordo, Claudio Gil.
      Apenas acrescentaria que o politicamente correcto está a estupidificar as pessoas.

      Eliminar
  6. Concordo com a opinião do Filhos do Desespero na questão dos sexos. Não é por um homem ser homossexual que deixa de ser um gentleman, certo? Isto já não tem nada a ver com igualdades, são picuinhices mesquinhas que alguns ostentam como se fosse uma bandeira mas que só traz vergonha, como as questões feministas...

    ResponderEliminar
  7. O tradicional "Ladies and Gentlemen" no metro de Londres é ABSOLUTAMENTE "PASSÈ". APROVO o "Hello everyone."

    Ainda há muita poeira nas cabecinhas portuguesas.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não será só nas portuguesas, Teresa. Andei de transportes públicos na Alemanha, sabe Teresa?
      Já agora, deixe-me que lhe diga que há uma coisa bem pior do que cabeças poeirentas: gente que gosta de se armar ao modernaço, apenas porque está na moda. Felizmente, a minha cabeça serve para pensar por mim.

      Eliminar
    2. Quanto à poeira nas cabecinhas portuguesas, referia-me às pessoas que classificam a homossexualidade como uma anomalia.

      A minha cabeça também serve para pensar por mim e não para seguir a moda, no entanto, é verdade que eu tenho a tendência de gostar de tudo que é moderno e jovem.

      Eliminar
    3. Ainda bem que esclareceu, Teresa. As coisas modrnas e jovens, são como as velhas e antiquadas: algumas são boas, outras más,

      Eliminar