quinta-feira, 22 de junho de 2017

Autópsia de um incêndio



O incêndio de Pedrógão revelou, uma vez mais,  duas faces bem distintas dos portugueses em situações de tragédia.
O lado bom é a generosidade e solidariedade ímpares a nível europeu. Uma faceta que nos aproxima dos países do terceiro mundo e nos distingue da maioria dos povos europeus. Os testemunhos dos estrangeiros a viver na zona, manifestando o seu agradecimento, mas também a certeza de que nos seus países não seria assim,  são a prova dessa singularidade.
Aliás, quem seguiu atentamente a onda de solidariedade que se gerou em Londres, após o incêndio, pode constatar que ela partiu dos portugueses e de comunidades imigrantes, nomeadamente asiáticas.
Mesmo a nível de governantes, compare-se a reacção do PR, pm e membros do governo português, sempre presentes no teatro de operações, com a passagem fugidia e enojada  de Theresa May pelo prédio ardido em Londres, onde não terá estado nenhum membro do seu governo a inteirar-se da situação. Remeteram essa tarefa para os técnicos dos seus gabinetes e serviços.
À excepção de alguns países escandinavos, quem sofre e é pobre não merece a atenção de quem governa nos países anglo-saxónicos e calvinistas do Norte e Centro da Europa.
A par da generosidade ou se preferirem,   em oposição à solidariedade, o tuga tem  um lado terrivelmente mau. Não será único, mas manifesta-se de forma exacerbada em momentos de catástrofe.
A primeira reacção do tuga é  apontar o dedo acusador  para encontrar culpados. O tuga nunca é culpado de nada. A culpa é sempre dos outros, particularmente de quem manda. Mas para além das acusações aos “engravatados do governo que só cá vieram para passear”, foi particularmente doloroso ver os tugas apontar o dedo aos bombeiros, acusando-os de nada fazerem, e à GNR que, na opinião de muitos, só estava ali para atrapalhar.
Opinião contrastante com a dos cidadãos estrangeiros que não se cansaram de elogiar a actuação dos bombeiros e das autoridades. 
Este contraste significa que falta mundo aos portugueses. Apesar de sermos um país com um elevado número de emigrantes, invejamos tudo o que se passa lá fora e denegrimos o que temos cá dentro.
Se  compreendo a dor de pessoas que tudo perderam no incêndio e a necessidade de encontrar culpados por essa perda, já não aceito comportamento idêntico por parte de “mirones” ávidos de uns segundos de fama diante dos microfones que jornalistas idiotas lhes colocam à frente para acelerar a catarse.
Nestes dias assisti a momentos que me emocionaram, pela genuinidade dos intérpretes, e a outros em que  a sede de acusar, não raramente induzida por jornalistas dos canais do costume, quase se transformou em ódio.  Nesses momentos tomei um banho de realidade e fui obrigado a reconhecer que somos intrinsecamente FEIOS, PORCOS e MAUS, mas inexcedivelmente bonzinhos perante a desgraça alheia.

Vá lá a gente tentar compreender-NOS, sem a ajuda da psicanálise!

16 comentários:

  1. O Carlos tem razão. Apontamos o dedo com muita facilidade e rapidez para além de sermos solidários.
    Li dois ou três posts no 4R - Quarta República.
    Este período incomodou-me bastante e, a ser verdade, sinto um sentimento – desprezo?! Nem sei – por todos aqueles que não tomaram decisões rápidas e eficientes:
    “Desde que os primeiros avisos foram dados às 14 horas, por telemóvel, de que a situação estava gravíssima, até às 19 horas ninguém mobilizou recursos suficientes para combater esta calamidade.”

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    1. O desleixo dura há 25 anos, embora continue a pensar que, se registaram circunstâncias anormais. Por outro lado, os incêndios serão uma inevitabilidade em Portugal. Apensa será possível atenuar os seus efeitos, como alertava um grupo de cientistas prémios Nobel num relatório divulgado durante a Cimeira da Terra em 1992

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  2. Carlos,
    o tema dos incêndios já o deixei para análise dos entendidos, mas perante a sua insistência em bater na tecla de acusar os seus compatriotas 'tugas' seja qual for o assunto em causa, já começa a tornar-se cansativo.
    Somos um povo incoerente? Somos! Tão depressa tiramos a camisa do corpo, para a dar um necessitado, como entramos na onda de acusações e maledicências sem estarmos por dentro da raiz dos acontecimentos? Verdade! Mas somos o que somos, e somos todos filhos da mesma Nação.

    A mim, falta-me esse mundo que o Carlos aponta como causa para denegrir o que é nosso e invejar o que há lá fora. Mas acontece, que nem sou invejosa nem ando a denegrir o que é nosso para elevar os que há noutros países. Embora saiba que nem todos tivemos a oportunidade de conhecer mundo, fui feliz na família humilde em que nasci. Orgulho-me de ser portuguesa.
    E o Carlos sabe onde foi que aprendi a amar Portugal e a admirar a bravura dos nossos antepassados? Nos bancos da escola primária. Sim, no tempo da ditadura. Quando os livros didácticos estavam replectos de "histórias lamechas", como já
    li algures por aí.
    Quer um exemplo? Ei-lo:


    A “Flor do Mar” avançando
    Navegava, navegava,
    Lá para onde se via
    O vulto que ela buscava.
    Era tão grande, tão grande
    Que a vista toda tapava.
    E Bartolomeu erguido
    Aos marinheiros bradava
    Que ninguém tivesse medo
    Do gigante que ali estava.
    E mais perto agora estão
    Do que procurando vão!
    Bartolomeu que viu?
    Que descobriu o valente?
    - Que o gigante era um penedo
    que tinha forma de gente!
    Que era dantes o mar? Um quarto escuro
    Onde os meninos tinham medo de ir.
    Agora o mar é livre e é seguro
    E foi um PORTUGUÊS que o foi abrir...

    Poema O Segredo do Mar de Afonso Lopes Vieira

    ( uma clara alusão ao Adamastor e à coragem dos que se aventuraram por mares nunca dantes navegados )


    O Carlos vai soltar uma gargalhada? Solte, à vontade.
    Fugi ao tema do seu post? E depois??
    Carlos, se vive contrariado em Portugal, se o seu desejo era ir viver para a América do Sul, e não o faz lá por razões suas, não se esqueça que os tugas - termo que nunca cheguei a entender o alcance - não têm culpa. Não descarregue, por sistema, a sua raiva neles, coitados!!

    Descanse esse seu coração sempre agitado, Carlos! Lembre-se: a vida é curta e há muitas coisas boa neste nosso cantinho.

    Tenha uma boa noite e sonhos felizes!

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    1. Hesitei bastante antes de lhe responder mas não ficaria bem comigo se não o fizesse. Vou ser curto e grosso:
      1- Na escola primária devem ter-se esquecido de a ensinar a interpretar um texto, caso contrário teria reparado que abordo as duas facetas dos tugas: a boa e a má. A razão porque se fixou apenas na má, não quero aprofundar
      2- Deveria saber que "tuga" é um tratamento carinhoso e não depreciativo. Já aqui expliquei isso num post que certamente lhe escapou
      3- Sabe perfeitamente a razão que me impediu de ir viver para a Argentina. Não precisava dessa facada que lhe fica muito mal, mas por outro lado revela a sua índole.
      Passe bem

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    2. Anda tão cego de revolta, ódio e raiva, que interpretou ao contrário, tudo aquilo que eu disse. Lamento.
      E não, está enganado. Não sei o motivo porque não foi para a Argentina. Se lhe passou alguma vez pela cabeça que eu seria capaz de pensar, e pior, insinuar, que seria a doença que o acometeu, então o melhor é consultar um psicanalista, um psicólogo ou um psiquiatra....Que pena tenho de si, Carlos!

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    3. Pronto, já percebi.A sua cabacinha anda a precisar de reparações. Já nao sabe o que escreve, ou esquece-se rapidamente. E a partir de agora fique a falar sozinha, porque nao perco tempo com gente como a senhora, que nem sequer assume o que escreve. Além de ter uma falta de nível confrangedora.

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    5. Apaguei o seu ultimo comentário, porque isto aqui nao e o mercado do Bolhao e normalmente nao respondo a gente ordinária,.alem disso a senhora devevestar gravemente doente. Mas o maior problema nao e esse, mas sim falta de educação. Eu nao injuriei ninguém nem armei peixeiradas. Isso e exclusivo de gente sem princípios básicos que se adquirem no berço Nao ha citações poéticas coladas com cuspo que disfarcem. E já agora, no meu blog soumque determino quando acaba a discussão. Entendido, ou precisa de um desenho?

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  3. Não é só em Portugal, Carlos.
    Aqui também a culpa é sempre do governo.
    Até a humidade muito elevada é culpa do governo.
    Seja qual for o governo.

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    1. Eu sei que não é só em Portugal, Pedro, mas o estranho é que os estrangeiros que cá vivem edstão fartos de dar entrevistas a elogiar os bombeiros e a GNR.
      Os tugas têm batido forte e feio nos bombeiros e isso fica-lhes muito mal

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  4. É verdade que temos a tendência de pensar que o estrangeiro é melhor (e por vezes é mesmo), de julgar que só os governos têm culpa (como se uma nação fossem eles; como se, em democracia, os não elegêssemos); é verdade que somos generosos, mas rápido nos esquecemos dos erros e voltamos ao mesmo, ou seja possibilitamos situações do mesmo teor.
    Não conheço outros povos, sou portuguesa e é em Portugal que vivo e gosto de viver. E tenho esperança nas palavras de Marcelo quando afirmou que no inverno não vai deixar esquecer as situações como esta que surgem no verão. Parece-me ser uma promessa sobre tomar medidas a longo prazo. E agrada-me que alguém com poder pense assim.

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  5. A nossa necessidade de encontrar culpados e apontar dedos é comparável à necessidade que temos de bater em alguém quanto entalamos um dedo. A nossa dor não vai passar mas é uma tentação irresistível atacar alguém...

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