quarta-feira, 14 de junho de 2017

A evolução da lingua portuguesa

Ainda sou do tempo em que se reagia à asneirada de um condutor perguntando:
- Saiu-te a carta no bolo rei?
Mais tarde, quando algumas marcas começaram a dar brindes surpresa nas embalagens, a pergunta passou a ser:
- Saiu-te a carta num pacote da Farinha Amparo?
Ontem, estava na esplanada quando uma travagem brusca e um chiar de pneus me desviou das páginas do livro que estava a ler.
Bem audível foi também  a indignação do condutor da viatura obrigada a fazer a travagem, pela inabilidade de outro:
- Saiu-te a carta no Preço Certo?
Moral da história:
A lingua portuguesa continua a evoluir ao ritmo das audiências televisivas

11 comentários:

  1. Não me parece uma continuação. Afinal só o preço certo é que é programa televisivo. Mas é engraçado verificar como evolui a linguagem expressiva para dizer "és um marreta, não sabes conduzir" ou " onde é que te ensinaram a conduzir dessa forma".

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    1. Não é bem assim, Bea. A Farinha Amparo tinha uma fortíssima campanha publicitária na TV e os brindes de bolo rei de certas confeitarias famosas, também.

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    2. sorry. Esqueci-me que, por muito ano, não tinha tv nem luz eléctrica. Mas lembro-me do sonho das minhas tias velhas: sair-lhes um relógio no bolo rei:). Tinham ouvido, em bate boca de comadres, que tal coisa sucedia mesmo. Mas, infelizmente, nunca o tal relógio surgiu milagroso de dentro do papelinho da prenda:).

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  2. A minha pergunta seria muito mais incisiva...

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  3. Essas evoluções representam 3 épocas, digamos, bem definidas. Eu diria, até, 3 gerações! E continua a haver uma constante ...

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    1. Talvez sejam mesmo 3 gerações, Catarina. Não me tinha ocorrido isso.

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  4. Linguagem dos portugueses educados, Carlos, os outros usam uma linguagem muito mais forte. Ou será esta a linguagem de Lisboa; a outra, a linguagem do Porto?

    Aqui, um condutor pagou 500€ por chamar "vaca" a uma mulher ao volante.

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    1. Insultos e gestos obscenos ainda são muito comuns por cá mas, felizmente, vão-se reduzindo.
      Quanto ao condutor alemão, também devia ser obrigado a ir ao oftalmologista, Teresa. É que quem confunde uma mulher com uma vaca, tem certamente problema de visão e deve ficar inibido de conduzir até corrigir os problemas de visão. A não ser, claro, que a condutora se chame Marilú, porque nesse caso a confusão é desculpável. ( Não amofine, Teresa, estou só a brincar)

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    2. O condutor não era alemão, mas vive na Alemanha.

      Eu nunca amofino: mesmo que o Carloa mencionasse o meu nome em vez de Marilú.

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  5. Depois de receber de uma colega um mail com a palavra "fazeremos"(sic) já nada me surpreende.

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