sexta-feira, 19 de maio de 2017

Obrigado, RTP!

Hoje dei por mim a pensar que se os Pafiosos que venderam o país ao desbarato tivessem  privatizado a RTP, como era vontade de Relvas e Passos Coelho,  não teríamos  festejado a vitória no Eurofestival.
Senti necessidade de dizer isto, porque a SIC tentou passar mensagem de que o facto de Salvador Sobral ter  participado nos "Ídolos" foi determinante para o seu sucesso.
Essa tentativa de colagem é injusta para a RTP , mas sobretudo para o Salvador.
Antes do Festival da Canção ( o próprio o disse em entrevista)  Salvador continuava a ser um desconhecido com imensas dificuldades para divulgar a sua música e o seu trabalho “Excuse Me”, porque a maioria dos “empresários(?) musicais” dizia-lhe que este ano já tinham as datas todas ocupadas.  Depois da vitória no Festival da Canção da RTP as coisas mudaram e ainda mais mudarão após a vitória no Eurofestival. Não me consta que a SIC tenha feito alguma coisa para lhe arranjar contratos ou dar protagonismo.
Felizmente os pafiosos não conseguiram os seus intentos e a RTP continua pública e de boa saúde. É na RTP 2 que podemos ver o noticiário mais equilibrado das televisões portuguesas e algumas das melhores séries que passam em Portugal, fora daquela caixa de enlatados que são ( na generalidade) as séries americanas.
A RTP 1 não tem telenovelas, mas tem séries portuguesas de grande qualidade que nos contam a nossa História  e nos levam a locais do país que desconhecemos.  Na RTP são exibidas  séries históricas ( como Versailles, por exemplo) de grande qualidade e excelentes documentários.
A RTP 1  transmite em directo os eventos desportivos de maior interesse,  exibe concursos de cultura geral ( adaptados à média cognitiva dos portugueses – por isso pouco exigentes é verdade, mas sempre se vai recordando alguma coisa esquecida)  e tem um talk show diário que se mantém no ar há vários anos ( 5 Para a Meia Noite).
A RTP oferece-nos uma possibilidade de escolha muito variada nos seus diferentes canais, mas ainda nos proporciona a recordação de grandes séries na RTP Memória.
Era altura de os portugueses olharem para a RTP com outros olhos e deixarem de lhe colar o anátema de “canal público”. Porque, no caso específico da RTP, serviço público é sinónimo de qualidade, de inteligência e de fuga à massificação programada onde se afogam as privadas, numa luta que tem por único objectivo tornar-nos mais acríticos e acéfalos. 
 As televisões privadas divertem as pessoas ( não percebo como é que noticiários onde se fala quase exclusivamente de crimes, ou   Big Brothers, Casas dos Segredos, telenovelas e similares conseguem fazer as pessoas felizes, mas o problema deve ser meu e de uns quantos que continuam a esforçar-se por fugir à formatação que os canais privados nos impõem) a televisão pública tenta informá-las e ajudá-las a ser melhores pessoas ( embora seja obrigado a reconhecer que por vezes nos apresenta programas de indigência confrangedora, como O Preço Certo).
Estarei eternamente grato à RTP e aos excelentes profissionais que lá trabalham e agradeço-lhe ter apostado em força este ano no Festival da Canção. 
No próximo ano a RTP vai organizar o Eurofestival. Vai ser um espectáculo caro, que talvez não justifique o investimento. A avaliar pelos anos anteriores  as televisões que organizam o Eurofestival dizem que é difícil garantir o retorno do investimento. Há, porém,  um prestígio a defender e mau seria se  a RTP abdicasse de organizar o Eurofestival em 2018. 
Peço por isso aos detractores do serviço público de televisão que se abstenham de começar, desde já, a criticar o desperdício de dinheiro que será a organização do Eurofestival. E a todos os outros que, antes de criticarem,  se lembrem  dos momentos felizes que Salvador e Luísa Sobral lhes proporcionaram. Eu sei que há gente que não gostou da canção. Muitas porque detestam o festival ( eu sou um deles, mas já fui fã), outros apenas por mera snobeira. São uns tristes, coitados. Tenho pena deles.  Ficava-lhes bem, no entanto, reconhecer o trabalho da RTP. Que projectou a música portuguesa lá fora- abrindo portas que para muitos estariam eternamente fechadas- mas acima de tudo deixou muita gente feliz.

4 comentários:

  1. Inteiramente de acordo.
    Bom fim de semana, Carlos.

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  2. 5 para a meia noite, agora, é semanal.

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  3. Completamente de acordo consigo e até me julgo tão importante que fico sempre lá, mesmo na publicidade porque acho que sou um número que conta. Não vou falar em programas específicos senão não sairia daqui. Mas se não viu ainda Veja o DOC de ontem, para ver porque os assassinos alemães na 2ª. GG, agiram como loucos, à custa da droga como o Pervitin, que provocou catástrofes incríveis. Há muita literatura sobre isso, mas ver as imagens em vídeo e ver os próprios agentes da época em actividade, dá- lhe muito mais importância.

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  4. Isso. E que a RTP continue a dar-nos boas coisas. Mas é que é mesmo um canal público. E tem outras exigências. Ou nós devemos exigir-lhe mais que aos canais privados.

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