sábado, 13 de maio de 2017

Chazinhos da Paróquia (13)


Lamento informar os leitores que apreciavam esta rubrica, que os Chazinhos vão sofrer um corte drástico durante os próximos meses.
Estamos a chegar ao Verão, os dias estão cada vez mais longos e a permanência diante de um ecrã de computador  é cada vez menos apetecível. O tempo escasseia  ( e, confesso, a  paciência para as pesquisas também) as temperaturas a subir são pouco convidativas para um chazinho ( a não ser quem,como eu, goste dele frio).
Por todos estes motivos, até ao Outono, os Chazinhos deixarão de ser descritivos e passam a ser meramente indicativos ( o que não impede que, uma vez por outra, não abra uma excepção).
Entretanto, aos que ainda não reservaram um lugar no Marquês de Pombal para festejar o tetra, sugiro que recordem as sugestões de passeios que fui dando durante o Inverno e, para os mais abonados, proponho  que reservem uma viagem ao Douro no comboio presidencial. São 500€ por pessoa, mas é uma  experiência inesquecível. A última viagem será amanhã, mas haverá mais 20 em setembro e outubro, sempre acompanhadas ( gastronomicamente) por chefes com estrelas Michelin -  uma garantia de que não ficarão empanturrados com a comida. Não se atrasem, porque as viagens costumam esgotar.
Esta semana fico-me mesmo por Lisboa, mas sugiro viagens pelo mundo inteiro sem sair da capital.
Para começar, não pode perder a exposição de fotografia de João Pina, "Operação Condor"
Para os menos familiarizados com as questões da América Latina, esclareço que "Operação Condor" era o nome de código utilizado pelos serviços  secretos das ditaduras militares  sul americanas, nos anos 70 e 80, para designar a operação que visava aniquilar todos os movimentos de esquerda na região.
A exposição está patente no Torreão Poente da Praça do Comércio até 18 de Julho. Não pode perder!
Outra exposição de fotografia que não pode deixar de ver é a "World Press Photo".
Até ao próximo domingo ( 21 de Maio) vá ao Museu Nacional de Etnologia e veja as melhores e mais premiadas fotos da edição deste ano do mais prestigiado prémio de fotojornalismo, que é uma referência a nível mundial.
Aproveite o fim de semana para apontar na sua agenda que de 18 a 21 de Maio se realiza a segunda edição da ARCO e, à noite, não se esqueça que Salvador Sobral vai actuar no Eurofestival da Canção. Se por acaso ficar desiludido, porque ele não ganhou, sugiro-lhe que passe pelo Crónicas do Rochedo ao final da noite. Talvez lhe interesse o que reservei para si.
Finalmente, para livro da semana, escolhi o último livro de  um autor latino americano, cuja leitura concluí esta semana:"Cinco Esquinas" de Mário Vargas llosa .

Os leitores que me seguem há mais tempo, sabem o que penso do escritor peruano e da sua reviravolta ideológica, mas isso não me impede  de continuar a apreciar a sua escrita e os seus livros. 
Em "Cinco Esquinas", Vargas Llosa parece querer fazer um ajuste de contas com o regime escabroso de Fujimori e a alta sociedade limenha.
 Utiliza para isso como principais figuras a figura nojenta do director de  um pasquim, que (se) serve  (d)o regime, um industrial milionário e um advogado poderoso, cujas  mulheres  se envolvem num romance lésbico escaldante ( Hélas! Llosa explora pela primeira vez o erotismo e sai-se muito bem, convenhamos), um declamador decadente e uma figura sinistra do regime conhecida por Doutor.
O livro lê-se com muito agrado até ao momento em que se começa a suspeitar que tudo vai acabar em modo telenovela das 5 . Daí que no final tenha ficado com uma sensação de frustração.E foi pena, porque não foi a isso que o escritor peruano me habituou
Tenham um bom fim de semana e divirtam-se.

7 comentários:

  1. Li com o prazer de sempre os "Cházinhos da Paróquia".

    Não tencionava ver este ano o Festival da canção, mas o Salvador Sobral obriga-me a isso, embora não acredite que ele seja o vencedor. O Festival tornou-se absurdamente politico.

    O último romance do escritor peruano não foi bem acolhido pela crítica alemã. O tema também não me despertou interesse.

    Será que um trabalhador português pode pagar 500 euros por uma viagem no comboio presidencial??? Viagens para os ricos como no tempo de Salazar. Com esta pergunta, voltei o meu tempo de adolescente rebelde.

    Neste fim de semana, tenho o Dia da Mãe alemão e as eleições na Renânia do Norte-Vestfália, região onde vivo.
    O "efeito" Martim Schulz já foi por água abaixo...

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    1. Estou em sintonia com tudo o que aqui escreve, Teresa, mas lamento que o efeito Schulz se tenha esfumado. Poderia ser uma oportunidade para refundar a Europa no sentido certo, mas compreendo que não seja esse o desejo dos alemães.

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    2. Os alemães estão como eu saturados da Angie, mas o Martin Schulz não tem o carisma de um Emmanuel Macron, político que os alemães adoram, com exceção da Esquerda.

      Embora, não perdoe à Angie o pacto com o diabo 😈, ela que fique, mas que deite fora todos os ministros actuais.

      Setembro vai ser um mês quentíssimo.

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  2. E fecha a temporada dos chás cheiinho de ideias:).
    Se eu tivesse assim 500€ disponíveis ia gastá-los de outra forma. Haverá decerto comboios mais corriqueiros a fazer o percurso. Abomino viagens de novo-riquismo (será novo e velho)e julgo - nunca experimentei - que não tiro o prazer que me vem de olhar a paisagem num comboio normal.
    Gostos que se discutem, sim. As novas elites estão de garimpa levantada. Esbanjam. E, quem sabe, vêem nada do muito que há para ver.
    A World Press vai ser esta semana. A exposição da Praça do Comércio também me calha em caminho.
    Bom. Também não sabia que Salvador Sobral tinha passado, só vi um bocadinho no primeiro dia. É hoje? Ou mais para a frente? Tenho de ver se vejo:). Com aquele toque terno de jazz, é um prazer auditivo.
    Mário Vargas Llosa é escritor primoroso e sabe imenso, os seus romances denotam esse conhecimento sedimentado de anos e reflexão. Mas há muito tempo que não leio nada dele. É bom que continue a publicar. Sinal de que está vivo por dentro.
    Talvez tenha razão em deixar os chás para outra altura:).
    Bom Fim de Semana. E obrigada pelas alembraduras

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    1. Também detesto o novo riquismo, Bea, mas pior ainda do que pagar 500€ por uma viagem de comboio ( mesmo sendo um passeio maravilhoso) é pagar entre 2500 e 5000€ por um jantar. Isso é um insulto!.

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    2. Custa 500 💶 euros sem jantar???

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    3. Não, Teresa. O passeio inclui refeições, mas há gente que paga entre 2500 e 5000€ para jantar em alguns sítios que estão na moda e têm muitas estrelas Michelin

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