quarta-feira, 17 de maio de 2017

À mesa com... Salvador Sobral



Aviso prévio: o título deste post é um embuste. Não almocei com Salvador Sobral, como o título pode sugerir.

Hoje almocei sozinho num restaurante do Monte Estoril. Como acontece sempre que estou sozinho levo alguns jornais para fazer uma leitura mais atenta e criteriosa do que aquela que faço on line.
Minutos depois de me sentar chegaram dois funcionários de um banco, acompanhados de uma terceira pessoa que - mais tarde viria a saber- trabalha numa imobiliária.  
Sentaram-se na mesa ao meu lado. Os funcionários do banco, meus conhecidos, cumprimentaram-me. Retribuí e continuei a ler os jornais.
A determinada altura ouvi  um dos bancários dizer: 
- Aqui o doutor, que é jornalista, é que deve saber tudo. Não é, doutor?
Estava completamente alheado da conversa que se travava ao meu lado e perguntei:
- Não é o quê?
Entreolharam-se os três - perplexos ou incrédulos por eu não saber de que estavam a falar?- até que um, finalmente, pareceu ganhar coragem para quebrar o embaraçoso silêncio.
- Estávamos aqui a falar sobre o tipo que ganhou o Festival. Parece que ontem disse numa entrevista que gosta de seres humanos, sejam eles homens ou mulheres e aqui o F... ( o funcionário da imobiliária) diz que ele é gay. O doutor  que é jornalista é que deve saber.
- Sou jornalista mas não escrevo para revistas de mexericos- respondi secamente. Mas já agora, porque é que dizem que ele é gay?
- O doutor desculpe, mas um tipo que  ninguém conhecia, ganha a eurovisão e  depois dá entrevistas a dizer que o que mais lhe interessa é analisar os seres humanos, sejam homens ou mulheres está mesmo a querer dizer que é maricas. Ou pelo menos dá para os dois lados,  não lhe parece? - retorquiu o da imobiliária.
- Não, não me parece- respondi de cenho fechado. Eu também gosto de analisar os seres humanos independentemente dos sexos. Para mim, o importante, são as conversas que   têm.
( Quando acabaram de almoçar um dos funionários bancários , gestor da minha conta, ficou deliberadamente para trás e , em surdina,abordou-me  pedindo desculpa pela conversa do amigo que rotulou de machista. Sinceramente não sei o que desprezar mais. Pessoas  que não  assumem as suas posições, sendo capazes de trair os amigos, ou gente mesquinha para quem, mais importante do que a vitória de um português, é saber a sua orientação sexual).
Pois é, Salvador. Tu ganhaste para as pessoas que  te foram esperar ao aeroporto com um entusiasmo que me fez lembrar a recepção à Simone, umas décadas atrás, mas também para este povinho de merda que lá fora é capaz dizer , orgulhoso, " sou português, da terra do Cristiano Ronaldo, do Eusébio, do Carlos Lopes ou da Rosa Mota" mas em Portugal, quando fala dos seus ídolos tem o especial gozo de expressar  a sua inveja pelo seu sucesso, apelidando-os de" bichas e fufas".

13 comentários:

  1. Estupidez pura, meu caro Carlos.
    Dito isto, não tenho mais nada a dizer.

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  2. Em "Beleza Americana" a personagem que era contra os homossexuais, era ele próprio homossexual. Não me admiro nada que o funcionário da imobiliária também o seja, daí estar interessado com as preferências sexuais do cantor português.

    SALVADOR SOBRAL conquistou com a sua canção o coração da Europa para a alegria de todos os portugueses.

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  3. Me faz uma confusão desgraçada. que em pleno século XXI ainda haja quem ponha à frente do valor do indivíduo a sua orientação sexual. Fico sempre com a ideia de que essas pessoas uma sexualidade mal resolvida.
    Abraço

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  4. Eu realmente vivo noutra sociedade. Noutro ambiente. Nem melhor nem pior, mas diferente. Diferenças que me agradam.

    Realmente, a formação académica nem sempre abre mentalidades. A tacanhez é imune à evolução intelectual... ☺☺

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    1. As palavras da Catarina são as minhas. É sorrisos também tenho, quando digito no tablet 🤗🤗😉

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    2. Quando digito no tablet tenho sorrisos e nunca fica publicado aquilo que escrevi...

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  5. De certa forma, o Carlos esteve à mesa com o Salvador, e ainda bem que:'O jornalista estava lá'...:)

    Não considero que esses fulanos sejam minimamente evoluídos, mental e intelectualmente, apenas por serem bancários. ( face à observação da Catarina)
    Se fosse um trolha que tivesse almoçado na mesa ao lado, mas tivesse formação moral e humana, provavelmente esse diálogo nem teria existido.
    Gentinha tacanha, isso sim, nem sequer compreenderam o que o Salvador quis dizer.

    ☺ (sorriso roubado à Catarina. :) )

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    1. Quando digito no tablet, sorrio desta maneira!!! : ))

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    2. Janita, há gente catanha em todas as profissões.

      O Carlos escolheu um funcionário da imobiliária e dos amigos bancários para mostrar a pequenez portuguesa.
      !
      INFELIZMENTE, já ouvi a mesma crestinisse à geração jovem, aos velhos e aos de meia-idade. A intelectuais e aos menos instruídos. Aos da Esquerda e da Direita. A tolerância é uma palavra que não existe na cabeça de certas pessoas.

      Um sorriso para ti 😘

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  6. Ainda ontem no comentário semanal da SIC, do Vitorino e do Santana, Quando a Clara falou em precisar de colo, o Santana meteu a boca "Está a falar do Macron?". É para isto que pagamos bem a estes comentadores políticos.
    Normalmente os tipos das imobiliário só são bons quando são vendedores da banha da cobra, não tem nada a ver com aptidões académicas e então quando almoçam com empregados bancários é caso para dizer que se junta a fome com a vontade de comer.

    (Acabei de ouvir a nomeação dos ministros em França. Que grande cajadada que o Macron deu nos partidos. Andou á pesca nos partidos e na sociedade civil para conseguir o que quer, e digam lá que o homem não é inteligente! O pior/melhor é que em França ainda é dos sítios com maior poder sindical...)

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  7. É verdade, há portugueses que não merecem o Salvador que têm. Como não merecem tanta coisa; que as coisas e até as pessoas não se têm por merecimento.

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  8. Que rica companhia que o Carlos apanhou ao almoço!
    Não deu indigestão??
    Há cada parvo!

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  9. Desculpe, Carlos, tantos comentários, mas a intolerância portuguesa irrita-me muitíssimo. Não é à toa a minha preferência de viver na Alemanha.

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