segunda-feira, 29 de maio de 2017

A greve da Função Pública


A greve da função pública da última sexta-feira saldou-se no fracasso habitual. 
Apesar de ser sexta-feira e convidar ao prolongamento do fim de semana, apenas nos hospitais, escolas e tribunais a greve teve uma adesão significativa.
Apesar de terem sido dos trabalhadores mais sacrificados do país, nem durante o período da crise, quando o governo dos piolhosos, digo, pafiosos, os usava como bodes expiatórios da despesa do Estado, os funcionários públicos foram capazes de se unir, fazer greve e sair à rua para mostrar aos portugueses que o governo os andava a enganar.
Já aqui escalpelizei, diversas vezes, as razões da fraca adesão dos funcionários públicos às greves, mesmo quando elas são motivadas por causas justas, como foi o caso desta. Não vou, por isso, voltar a abordar o assunto. 
Importa no entanto dizer que tanto funcionários públicos, como sindicatos, sabem que os problemas da função pública não se resolvem com aumentos de salários. O problema é profundo e, um dia, alguém vai ter de o encarar de frente. 
Longe vão os  tempos em que ser funcionário público era um orgulho e quem trabalhava nos serviços públicos sentia que estava a trabalhar para a comunidade e a ajudar o desenvolvimento do país. Foi nesse período, pós 25 de Abril, que entrei para a função pública e durante alguns anos trabalhei arduamente, sem reclamar fins de semana nem horas extraordinárias. 
Depois a função pública começou a engordar para os lados. Que quero dizer com isto? Que, fruto da pressão de grupos de interesse foram criados organismos, comissões e outras aberrações, apenas para agradar a uns, dar emprego a outros, ou mostrar ao país e à Comissão Europeia, que o Estado se preocupava com todos os aspectos da vida quotidiana.
 Esta “peocupação” , não raras vezes, tinha como retorno subsídios europeus ( provenientes de fundos comunitários e de instituições europeias)  bastante apetecíveis. O problema é que muitas  vezes eram subsídios apenas de incentivo, para instalação dos organismos.  Quando começavam a desempenhar o seu papel havia sempre lugar para mais um amigo ou filiado ( normalmente no Centrão)  mesmo que não houvesse trabalho para lhe dar.
Estes microrganismos  são o grande cancro da função pública. Impedem-na de crescer no sentido correcto, isto é, de dotar com pessoal especializado as áreas onde são necessários mais recursos para satisfazer as necessidades da população ( ex: educação, saúde, segurança social, justiça ou finanças)  e arregimentam uma parafernália de “indiferenciados” cuja mais valia para a população é praticamente nula.

Enquanto existirem organismos que não têm qualquer razão de existir e só servem para ficar na fotografia, dir-se-á sempre que o Estado está demasiado gordo e precisa de emagrecer. É mentira. Há muitos organismos que  não podem desempenhar em pleno as suas funções por falta de pessoal. Infelizmente, não é possível reafectar a esses organismos mais úteis à população, a maioria dos funcionários que gastam o tempo nesses microrganismos e comissõezecas imprestáveis, porque muitos deles são funcionários políticos encapotados que nunca se habituarão a trabalhar em prol da sociedade. 
A reforma do Estado, de que tanto se fala, obrigaria ao despedimentos de muitos milhares de funcionários públicos imprestáveis.  Ora nem  esses funcionários públicos querem colocar em risco a sua renda vitalícia fazendo greve, nem os governos  têm coragem de fazer uma reforma profunda, porque não querem comprar uma guerra com os sindicatos.
E assim, nesta paz podre, todos ficam satisfeitos.  Os que  apenas  querem uma vida regalada e manter o seu emprego, os sindicatos que mostram a sua força e os governos que embolsam umas boas maquias por cada dia de greve.
Os únicos insatisfeitos são os que trabalham em organismos vitais que precisam de mais gente para cumprir a sua tarefa e as pessoas a quem  as greves atrapalham a vida porque nesse dia tinham uma consulta marcada, eram intervenientes num qualquer processo ou, simplesmente, tiveram de tomar conta do filho, porque a escola não abriu. 

2 comentários:

  1. Por aqui parece que foi mesmo notada apenas no hospital. As escolas funcionaram quase em pleno.

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