terça-feira, 18 de abril de 2017

O Beijo da Mulher Aranha



Mentiria se vos dissesse que nunca fui surpreendido pelo inesperado beijo de  uma mulher. Felizmente isso aconteceu algumas vezes. A primeira  vez tinha eu 14 anos e ela 16. Aconteceu no então imaculado areal de Benidorm e os leitores que seguem o CR há mais tempo já sabem o que sucedeu depois: fomos ambos parar à esquadra e os nossos pais tiveram de pagar uma multa por "ofensa à moral pública" protagonizada pelos seus rebentos.
Foi no entanto entre os 30 e 45 anos - idade em que, modéstia à parte, as mulheres me achavam muita piada- que mais vezes fui alvo de inesperadas ( mas quase sempre saborosas) investidas femininas. Escrevo "quase  sempre" porque uma vez houve em que estando com um grupo numa  discoteca,  a curtir um desgosto amoroso, uma senhora tentou "curar-me" fazendo um feroz ataque que culminou com um esplendoroso beijo no meio da pista. A minha reacção foi intempestiva e deixei-a a dançar sozinha, o que me viria a valer o epíteto de "maricas". 
Confesso, com pesar, que errei, estou francamente arrependido e estou há muitos anos a ser castigado. Na verdade já não me recordo da última vez em que fui alvo dessas manifestações arrebatadoras. Há muitos anos que sou obrigado a tomar a iniciativa. 
Hoje poderia estar aqui a celebrar o dia em que os lábios de uma mulher se  voltaram a cruzar com os meus, por iniciativa feminina, não se desse o caso de a cena que vos passo a relatar ter contornos de VIOLÊNCIA DOMÉSTICA.
 A  cena passou-se há umas semanas quando tive de ir a Lisboa. Ao chegar a casa fui à caixa de correio ver a correspondência e encontrei uma carta  com um remetente inesperado e surpreendente.
Sem pedir autorização, Assunção Cristas violou a minha caixa de correio com propaganda obscena. Começa por me informar que vai candidatar-se à CML - até aqui tudo bem- mas depois promete fazer política PELA POSITIVA. É aqui que começa a pornografia.
 Uma fulana que tudo fez para demitir o ministro das finanças que credibilizou o país, não se coibindo de pedir a violação do artº 34 da CRP; que está constantemente a acusar o governo de não cumprir as suas promessas; que tem a lata de me dizer que  o país deve muito a Paulo Núncio e finge desconhecer as acusações de favorecimento à Mota Engil que impendem sobre Paulo Portas , envia-me uma fotografia e escreve-me uma carta a dizer-me  que quer fazer política PELA POSITIVA?
Isto já era suficiente para a acusar de violência doméstica, mas Assunção Cristas remata a epístola, enviando-me um beijinho.
Ora aqui é que a porca torce o rabo, porque a minha mulher  não conhece a Cristas de lado nenhum e ao ver aquela fotografia e a mensagem do beijinho,  ficou a pensar que eu a ando a trair.
Fique sabendo, D. Cristas, que pode candidatar-se à CML, à Presidência da República ou da Associação Recreativa da Marmeleira, mas não precisa de me avisar, pois estou-me nas tintas. O que não admito é que me ande a invadir a caixa do correio e a mandar beijinhos, provocando com esse atrevimento desavenças familiares. ENTENDIDO? 

7 comentários:

  1. Uma mulher ciumenta é uma mulher cruel. Felizmente, que o beijinho veio da Assunção Cristas, mulher que o Carlos odeia. Portanto, a sua mulher não tem razão para ter ciúmes.

    O Martin Schulz também me escreveu, mas sem mandar beijinhos, ele prefere comer fígado de pato em vez de beijar​ mulheres dos países do sul da Europa.

    Uma crónica com muita piada.

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  2. Espero que tenha também enviado uma carta à senhora Cristas que não me parece que venha aqui ler as CR que eu pensava ser Cristiano Ronaldo, mas afinal não.
    Interessante, essa perspectiva feminina. O digital é incorpóreo desdenha de figura, cinge-se quase só à mente. Julgo que o ego masculino fica satisfeito com a afirmação de elas é que vinham cá ter, achavam-me graça.
    Pois, já me tinham dito que a senhora em causa se despede com um beijinho. Considero demasiado coloquial, mas julgo que é intrínseco à candidata ser um tanto a despropósito.

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    1. Não veja nem sombra de vaidade ou marialvismo neste post, Bea. Pode não acreditar, mas eu era ( e ainda sou) extremamente tímido. Era essa a razão de algumas mulheres me acharem piada e, por vezes, me "provocarem".

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    2. embora pareça que me referia ao post, olhe que não. Na verdade nem parece marialva, é uma descrição desapaixonada.
      Mas lembrou-me na verdade esse toque de glória suprema que todos conhecemos e é um bocado abominável "não precisei fazer nada, nem estender o braço".
      Pelos posts julgo-o pessoa inteligente e recatada. não rima com essa decrepitude de alma. Julgo eu. A timidez é como ter olhos azuis ou ser moreno, carrega-se para a vida. Faz parte:).

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  3. Não gostou do remetente?
    Não dá para devolver à procedência?
    Lixo!

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  4. Gostei da narrativa dos beijos... mas sou muito contra violências e beijos pespegados assim à força... Quando a mulher do Carlos passar pela abusadora na rua vai querer tirar-lhe satisfações, de certeza =)

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  5. Se ao menos o beijo viesse da Sónia Braga, agora da Cristas...

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