segunda-feira, 10 de abril de 2017

How Much? vs Keito Chin?



Sabe-se muito pouco sobre as conversações entre Trump e Xi Jinping, mas não me parece que a decisão de Trump atacar a Síria, durante o encontro tenha sido ajuizada.
Se pretendia mostrar ao líder chinês a sua determinação em atacar a Coreia do Norte, caso Xi não meta Kim na ordem, errou em toda a linha. Os chineses não se impressionam com ameaças e, muito menos, com fanfarronices. Limitam-se a esperar que o fanfarrão se espete ou, em última análise, a explorar as suas fraquezas.
Mais do que uma disputa geoestratégica entre os dois países, está em causa o domínio comercial. Ou seja, é tudo uma questão de guito.
O diálogo entre os líderes das duas superpotências tem tudo para ser um fiasco.  Deveria, por isso, decorrer com esta canção dos Abba (ver vídeo ) em fundo.
Trump ainda não terá percebido que colocar barreiras aos produtos chineses tem um efeito boomerang, que atinge os EUA. A indústria norte-americana está muito dependente da China. Não há nenhum equipamento nos lares americanos  que  não tenha  uma  percentagem significativa de componentes produzidos em território chinês. Pensar que a substituição é fácil revela optimismo e, sobretudo, ignorância.
Mas se a balança comercial entre os dois países é francamente favorável a Pequim- e não vislumbro condições  para atenuar esse desequilíbrio- também é preciso equacionar a fatia que cada um dos países tem  no comércio mundial. No fundo, é esse domínio que interessa a ambos, mas a perspectiva com que olham para essa questão não é a mesma.
Trump quer  que os EUA sejam dominantes, nem que para tal tenha de recorrer à força bruta ( as ameaças à Coreia do Norte e o ataque à Síria enquadram-se na sua estratégia). 
Xi Jinping pretende o mesmo, mas quer chegar lá pela via da persuasão. Ao contrário de Trump, não tem pressa. A sua estratégia assenta num jogo de paciência e desgaste do adversário. O uso da força não impressiona Pequim, mas Xi não hesitará em fazer uso dela se for necessário.
Os próximos tempos serão de incerteza até se saber se no mundo do comércio global,prevalece o "How much", ou o "Keito Chin". Muito provavelmente, só o saberemos depois de um conflito. Que poderá ter começado a ser pensado e planeado, no íntimo de ambas as partes, no final da reunião de dois dias em Mar A Lago.

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