sexta-feira, 21 de abril de 2017

Há coisas piores do que apanhar uma bebedeira



Foi há mais de década e meia que pela primeira vez me surpreendi ao ver miúdos no recreio de uma escola dos arredores de Lisboa, exibindo armas. 
Na altura questionei a directora da escola que me respondeu saber o que se passava, mas ser impotente para impedir a entrada dessas armas, por falta de meios. Terá chegado a confrontar alguns pais com a situação, os quais reagiram com indiferença. Um deles terá mesmo dito que tinha sido ele a oferecer a arma ao filho, para que se pudesse defender.
Esta escola ficava num meio muito problemático da margem sul, pelo que admiti ser um caso isolado.
Ao longo dos anos pude constatar que estava enganado. Não só presenciei a mesma situação em várias  escolas, como fui confrontado com o facto de não ser exclusiva de bairros problemáticos.
Como não acredito que  as armas em mãos de miúdos com 14 ou 15 anos  tenham sido compradas por eles, esbocei um sorriso ao ler que os pais "EXIGEM" mais psicólogos nas escolas para prevenir estas e outras situações potencialmente geradoras de actos de violência.
Confesso que tive saudades dos meus tempos de juventude, quando havia métodos bem mais eficazes e baratos para combater a violência nas escolas, mas depois pensei melhor e concluí que estava a ser injusto.
No meu tempo  as crianças viam os pais diariamente e eles assumiam a sua função de educar, não a remetiam para a escola. O que era bom, porque havia poucos psicólogos. Hoje há psicólogos à fartazana  e muitos não encontram emprego. 
Já agora, os psicólogos  podiam também  ensinar os meninos que não é muito bom andar uma semana bêbado quando se tem 15, 16, 17 ou 18 anos. E de caminho aproveitavam para dizer aos paizinhos que deixar miúdos de 13, 1 4 e 15 anos dormir duas ou três  noites ao relento, para "guardar lugar" num concerto, também não é muito aconselhável.
Pronto, admito... sou um psicólogo falhado e à moda antiga. Por isso  acabei jornalista e estou aqui a reconhecer  que há coisas bem piores do que  andar bêbado durante uma semana. Quais? Ir para a escola com uma arma de fogo ou uma faca de ponta e mola, por exemplo.  

2 comentários:

  1. Carlos, eu não me quero irritar com estas coisas. Mas com tanto tlm e com tanta merda seria difícil à professor levantar o problema, até entre s outras e chamarem a polícia enquanto o aluno está na aula? melhor ainda como uma criança dessa idade não tem licença faça uma participação, não é preciso ninguém saber e que alguém mande fazer uma busca autorizada a casa desses pais. Se o pai a entrega ao filho é porque também não licença nem juízo. e essas coisinhas no mercado negro e os acessórios custam muito dinheiro, embora até no mercado de cascais se arranje. Em feiras então é bestial. às vezes bastava um exemplo. acho que isto não vai contra a Liberdade individual das pessoas. o problema é que se está tudo nas tintas.

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  2. Até parece o Oeste Americano!! : ))
    É evidente que as autoridades competentes ou incompetentes não estão a fazer o que lhes compete. Falta de recursos? De orçamento? Um país caótico num futuro breve? Também temos escolas problemáticas em zonas problemáticas para onde os professores que andam a substituir não querem ir. Conheço uma escola destas – o diretor é fraco, não tem pulso, é incompetente.
    Tudo o que pode ser considerado arma, mesmo de plástico, não é permitido mesmo aos alunos da “kindergarten” = pré-primária. Por isso, os casos de armas verdadeiras são isolados. Polícia, administração escolar, assistentes sociais atuam rapidamente e eficientemente. Mas não há um dia em que não ouvimos nas notícias sobre um tiroteio ou esfaqueamento nesta cidade, considerada umas das mais seguras no continente norte americano.. : )

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