sexta-feira, 24 de março de 2017

Isto é uma vergonha!



Lamento voltar ao tema da justiça, mas  o livro de Sofia Pinto Coelho  sobre erros judiciais que levaram para a prisão inocentes (Condenados: a justiça também pode errar) em alguns casos por mera negligência dos agentes da justiça, noutros por teimosia e arrogância,  fez crescer ainda mais, dentro de mim, um sentimento de revolta face à impotência para lutar contra as injustiças de que a Justiça (quase) diariamente dá provas.
Preocupa-me a impunidade dos juizes, revolta-me a justiça selectiva, a indiferença com que se deixam prescrever prazos nuns casos e a celeridade com que se prende e acusa noutros. 
Já o escrevi várias vezes: a justiça em Portugal é uma roleta russa e quem tiver o azar de ser apanhado na sua perversa teia corre sérios riscos de ficar para sempre refém das suas contradições, vinganças e prepotências.
Não conheço os contornos deste caso mas - a ser verdade- é demasiado grave e envergonho-me com o silêncio da comunicação social e a indiferença das redes sociais. 
Uma justiça que manda para a prisão, durante 3 anos, uma cidadã por delito de opinião, mas frequentemente mostra a sua condescendência  com os autores de violência doméstica e nunca conseguiu prender um corrupto ( quando o fez não conseguiu encontrar provas ou "deixou" prescrever os prazos ) tem de levantar dúvidas nos cidadãos.

3 comentários:

  1. Mas será que é mesmo assim?
    A ideia que eu tenho da cidadã é que ela foi sucessivamente condenada e em penas suspensas com a condição de efectuar um tratamento que recusou fazer. Vamos imaginar que alguém começava a injuriá-lo e a difamá-lo a si, apenas pelo trabalho que exercia, poderia até ser-lhe indiferente e nem o participar, mas vamos admitir que não o era, e participava. A senhora é condenada e por vários crimes/vítimas, apenas teria de ir a consultas e deixar decorrer o prazo da suspensão, mas não o faz. Deveria ficar impune?
    Agora, olhemos para os casos de violência doméstica, eu tenho conhecimento de casos em que aos arguidos foi aplicada pena efectiva de prisão, mas há outros casos, casos menos graves, de uma discussão, um empurrão, por um arguido fora de si, enquanto discutia e também era agredido, estando perfeitamente integrado, e nestes casos, não se justificava pena de prisão efectiva (para além dos julgamentos em que a única testemunha é a mulher que decide ficar calada, e tem a faculdade legal de o fazer, e por isso o arguido é absolvido por falta de prova).

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    1. Gabi
      Lembra-se certamente daquelas sentenças de juizes em que se dizia que bater numa mulher na medida certa não é violência doméstica. Ou de uma outra em que a mulher foi atingida com uma cadeira e ainda aquela outra da turista violada a quem o juiz insinuou que "estava mesmo a pedi-las"porque ia vestida de uma form,a indecente. Estas são as que recordo de memória, mas há muitas mais, evidentemente.

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  2. Ainda ontem andei à procura na net para ver se havia notícias sobre este caso porque fiz um comentário na altura e havia quem sugerisse um recolha de fundos para arranjar um advogado para defender esta investigadora. O carrilho nunca passou de um traumatizado com um ego muito forte que nenhum juiz iria contrariar. não li o seu link mas suponho que está a falar da homónima da ex- ministra da Educação.

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