terça-feira, 14 de março de 2017

Foi lapso, ou deliberado, senhora Procuradora?



Ontem, na conferência " Justiça Igual para Todos", promovida pela Associação 25 de Abril, a Procuradora Geral da República deu como exemplo o caso Madoff, para justificar o atraso da Operação Marquês. Disse Joana Marques Vidal, com grande desfaçatez, que a investigação a Madoff durou 8 anos.
Peço imensa desculpa, senhora Procuradora, mas provavelmente deve ter andado a dormir. Toda a gente sabe - foi muito comentado na comunicação social e na blogosfera- que a investigação foi rapidíssima. 
Enquanto Oliveira e Costa abria a porta à PJ em roupão e se divorciava para pôr todos os bens em nome da mulher, já Madoff tinha sido julgado, condenado e preso. Foi uma questão de meses. Preso em Dezembro, condenado a 150 anos de cadeia no Verão.
Pode a senhora Procuradora argumentar que muito antes de Madoff ser preso já andava a ser investigado. Concedo, masconcordará  quehá uma grande diferença entre ser investigado em segredo e ser preso apenas quando existem provas ou ser preso primeiro e depois andar anos a cozer o acusado em lume brando, libertando para a comunicação social noticias e peças do processo, formando na opinião pública a ideia de que o suspeito é culpado. (Não me refiro apenas ao casoMarquês, mas sim a uma pratica que se tornou recorrente, pelo menos desde o processo Casa Pia).        
Eu compreendo que esteja bastante desorientada com as diatribes da "Operação Marquês" e isso justifique a sua infeliz intervenção mas, por favor, seja mais rigorosa e não utilize  argumentos que confundem a opinião  pública, pois corre o risco de ser acusada de os ter utilizado de forma ardilosa.

7 comentários:

  1. Foi uma vergonha a afirmação que a senhora fez. Qual a comparação entre um processo e outro? fez esta afirmação para defender a sua malta. Madoff foi investigado durante oito anos mas estava em liberdade e nem ele sabia e nem a opinião pública. depois de constituído arguido ele foi julgado e condenado em seis meses, até porque ele confessou e os processos judiciais nos EUA são muito diferentes dos nossos.

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    1. É exactamente isso que escrevo, Anfitrite. Acresentaria apenas que foram os filhos que o denunciaram...

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    2. se a minha memória não me falha, acho que um dos filos morreu de cancro e o outro se matou.

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  2. Nunca me pronunciei acerca desse caso.
    Não é agora que o vou fazer.
    Esperemos para ver o que a Justiça conclui.
    Quem se sentir injustiçado tem meios para reagir a essas situações.

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    1. Não tem não, Pedro! se ler o livro da Sofia Pinto Coelho sobre erros judiciais perceberá porque digo que não têm. Sou insuspeito, porque nunca gostei de Sócrates, mas não tolero uma justiça cujos actores se comportam com total desrespeito pelas leis e pelos elementares direitos das pessoas. Além disso Sócrates esteve preso durante um ano, apenas porque apeteceu a um juiz e um procurador e esse período da vida nunca lhe será devolvido. Defendo Sócrates, como defenderia Passos Coelho ou qualquer outro imbecil. O Relvas, por exemplo. AO ser humano não pode estar dependente dos humores e das vingançazinhas de agentes da justiça.

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    2. Também tenho esse livro de Sofia Pinto Coelho. E deve ser apenas uma amostra. Também era interessante o programa que ela tinha sobre casos de justiça na SIC. Quanto a mim quem não se pronuncia é porque não se quer comprometer e está-se nas favas para o ser humano, ou então só fala do que lhe interessa.
      Já agora com se aproxima o 13 de Maio e falando de mentiras e falsidades da igreja Também li um livro interessante "Na Cova dos Leões".

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  3. Ontem nas TV's ouvi pareceres de vários seres ligados á justiça e fiquei apavorada. Ninguém estava de acordo sobre prazos, um deles até disse que os prazos de investigação até poderiam ser prorrogados ad eternum, outro que mesmo estando detido a PGR podia fazer despachos internos prolongado prazos de prisão sem o arguido saber. mas que justiça é esta? Imaginem o que se passa com quem não pode ter bons advogados, outros nem dinheiro para custas? Mas que país é este? talvez fosse melhor viver na Arábia Saudita, ao menos já sabíamos com o que contar. Se for apanhado a roubar um pão ou denunciado por isso cortam-me a mão e por aí fora. E ainda é um espectáculo público a que as pessoas vão assistir.

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